<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152</id><updated>2012-01-18T16:55:43.747+01:00</updated><category term='Neandertais'/><category term='Blogosfera no Poder - Selo'/><category term='Poesia'/><category term='Escaladores'/><category term='Narrativas'/><category term='Diálogos'/><title type='text'>Casa das Mentiras:::</title><subtitle type='html'>Morri de febre nas dunas de Singapura... Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>56</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-6114522417004923738</id><published>2011-09-21T21:59:00.003+02:00</published><updated>2011-09-21T22:05:02.186+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Brasílias</title><content type='html'>Naquele dia&lt;br /&gt;Mergulhei em Brasília&lt;br /&gt;De cara, de boca, de  teimosia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele além&lt;br /&gt;Não havia ninguém&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Cidade céu, amém...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquelo rock&lt;br /&gt;Que o Renato pode&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Brasília pulsa e explode.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele plano&lt;br /&gt;Planalto insano&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Crucifixo urbano...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voa Brasília minha&lt;br /&gt;De Horizontes sem esquina&lt;span&gt;&lt;br /&gt;Cinquenta e um anos de  menina...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-6114522417004923738?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/6114522417004923738/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/09/brasilias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6114522417004923738'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6114522417004923738'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/09/brasilias.html' title='Brasílias'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-6592477565845169262</id><published>2011-08-31T15:54:00.003+02:00</published><updated>2011-08-31T15:59:07.007+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>S.A.M.B.A.</title><content type='html'>Pena&lt;br /&gt;(Luiz Calcagno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;Como pudemos&lt;br /&gt;Chegar a esse ponto?&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;O que fizemos&lt;br /&gt;Para tudo desandar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;EU machuquei o seu&lt;br /&gt;Ferido coração...&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;Eu juro, eu nunca quis&lt;br /&gt;Nunca quis te magoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dói, dói em mim também.&lt;br /&gt;Culpado pelos meus crimes,&lt;br /&gt;Eu não sou ninguém.&lt;br /&gt;Vadio, sem sonhos meu amor,&lt;br /&gt;Acho que devo partir nesse trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, tem outra coisa amor,&lt;br /&gt;A culpa, a dor me tortura dia e noite.&lt;br /&gt;Ah, mais uma coisa amor,&lt;br /&gt;Cada batida no peito é um açoite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se cuida, se cuida minha flor&lt;br /&gt;Não deixa ninguém te tratar mal.&lt;br /&gt;Se ama, minha vida, e me perdoa,&lt;br /&gt;Quero ganhar meu perdão e seu aval...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;Que pena amor,&lt;br /&gt;Como pudemos&lt;br /&gt;Chegar a esse ponto?&lt;br /&gt;Que pena 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src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-6592477565845169262?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/6592477565845169262/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/08/samba.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6592477565845169262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6592477565845169262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/08/samba.html' title='S.A.M.B.A.'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-5886012701795601069</id><published>2011-08-12T04:44:00.004+02:00</published><updated>2011-08-12T16:39:05.122+02:00</updated><title type='text'>Ela</title><content type='html'>Foi um encontro estranho. Ela é irmã dela, mas elas não se falavam, então não nos víamos. Só que eu sabia quem ela era e ela, quem eu era. Só que elas não se falavam, como eu já disse. Eu a vi poucas vezes. Sabia primeiro quem era de foto. Daí estava com ela quando nos encontramos por acaso e ela ficou estranhas e depois ela chorou muito em casa. Passou. Depois eu estava sozinho quando a vi de novo. Ela me viu na verdade. Me viu primeiro e veio falar. Perguntou como ela estava. Falei que estava bem. Nem eu sabia da gravidaz na época, da Ana Regina. Tinah poucos meses. Aí ela me contou outra versão e eu guardei para mim. Quando cheguei em casa a noite a encontrei, comentei que tinha encontrado ela, e ela ficou bastante perturbada. Disse que não conversei nada, mas era mentira, e ela sabia, mas resolveu deixar pra lá. Na verdade, elas se amavam muito, mas não conseguiam conviver. Só que, na verdade, elas conviviam. Eu ficava olhando pra ela e sabia. Ela acordava com ela no cvoração e quando encontrei com ela na rua daquela vez, sozinho, vi que ela também levava ela no coração. Tinha a ver com o pai, com a morte, com a mãe, com a infância, com Brasília. Sei lá. Com tudo. O fato é que elas se pareciam muito no fim. E ela tinha os olhos mais lindos que eu já vi. Era bom acordar de manhã com aqueles olhões me encarando. Ela fazia isso. Me acordava de me encarar. Engraçado. Ou então, batia o dedinho de leve na minha testa. Viajamos. Não ouvi mais falar dela e nem a vi, e nem a vimos. As coisas cresceram. Meu cabelo cresceu. Minha barba cresceu. Eu consegui fazer o mestrado. Ela também. Só que no caso dela, ela emagreceu, o cabelo encolheu. Ela desenhava cada vcez melhor, e ficava dividindo o espaço entre a fotografia, a pintura e a arquitetura. Passamos por poucas pendengas. Eu não tive dificuldade em arrumar emprego também. Desde o início. Três anos tinham se passado desde a cerimônia na praia, em trancoso. Nove desde o show dos Raimundos, quando a conheci. No show, elas estavam juntas. É verdade. Na verdade, essa foi a primeira vez que a vi. Mas ela foi embora cedo e nem cheguei a falar com ela. Foi pouco depois disso que elas se separaram, tudo aconteceu e elas pararam de se falar. Me lembra até aquele livro do Mário Vargas Llosa, Travessuras de Menina má. É que ela guardava muito segredo do passado. Eu conhecia ela e ficamos juntos 12 anos. Eu até passei a usar óculos de fundo de garrafa nesse tempo. Mas ela era sempre ela ali. Nunca fui atrás do passado. O passado está lá. A gente não tem que mecher muito. Aí veio a Ana Regina. As coisas estavam bem difíceis antes da Ana. Parecia que tudo ia ruir. Mas veio uma força com ela, e giz de cera, e lapis de cor, e choroo a noite, e renovação. Ela deu uma engordada. Lembro que a barriga cresceu redonda. Engordar mesmo, ela só engordou depois. Daí elas começaram a se falar por telefone. Parecia tudo bem. Elas se falavam umas quatro ou cinco vezes por semana, brigavam em quase todas. Era a Ana Regina quye fazia aquilo tudo. E era engraçado. Os olhões da Ana, igual aos da mãe, só que pretos. p´retos não, castanho escuros, iguais aos meus. Só que bem grandes eexpressivos, redondões. E eu até trocava uma ou duas palavras com ela por telefone. Uma vez ela não estava em casa. Só eu e a Ana. Aí aproveitamos e falamos por horas. Éramos, enfim, bons amigos. Até que teve um dia. Ela teve um vernissage em um restaurante chique. Era uma oportunidade. Eu fui e tudo, mas a Ana tava enjoada. Daí eu também tinha que voltar para lançar nota da meninada da faculdade. Ela ficou. Era gozado, estranho, mas bonito, quando ela se vestia para ocasiões chiques. Se adequava perfeitamente. mas parecia um anjo de qualquer forma. Então ficava um "Q" daquela moça de jeans e casaco colorido, toda animada do dia a dia. E ela ficou lá e eu vim. Quando saí, vi que ela estava na entrada, vendo tudo em segredo, para não estragar a noite dela. Mas não conseguia não ir, não ver aqueles quadros. Ela não queria que nós a víssemos e a Ana não a viu. As vezes ela buscava a Ana lá em casa. Mas só quando eu estava. Aí depois ela deixava e eu pegava com ela.  Tínhamos a mesma idade. E eu era três anos mais novo que ela. E eu saí e tinha um brilho diferente no olho dela. E eu fui para casa. Botei a Ana na cama, lancei as notas. Ela não voltava, então peguei uma camisa bonita e escrevi uma poesia e fiz uma pintura de guache. Dependurei na porta. Liguei para ela e ela disse que não demorava, mas sem querer eu adormeci. No dia seguinte, só veio o policial. Daí doeu. Mas doeu muito. Mas muito mesmo. Doeu tanto, que era uma fenda no coração, que vazava amor e dor. E só quando eu pegava a Ana Regina no colo, que parava um pouquinho. Mas ela também. Tinha só dois anos na época. Mas percebeu. Sentiu tudo. Ela nos ajudou muito, e eu acho que a ajudei também. Quando foi o enterro, ela estava lá deitada com vestido de chita. Toda linda. Não parecia morta. Quando a gente morre. Parece que perde alguma coisa. Fica diferente. Mas ela não. Parecia estar lá, vivinha, só dormindo, só que não respirava. Foi o dia mais difícil da minha vida. Mamãe e papai conheceram ela lá. Deram a maior força também. No dia da morte, um dia antes, veio jornalista perguntar. Acidente no Eixão sempre dá matéria, né. Eu sabia bem disso. Mas não podia falar. Depois ela acabou indo lá pra casa. Fomos ficando muito amigos. A morte dela era uma coisa que unia a gente também. Ela escrevia. Então escrevíamos juntos. E a Ana gostava. Pelo menos não vivemos um dia em que colocamos um porato a menos na mesa, porque no almoço do dia seguinte ao dia do enterro ela estava lá. Ficou muito arrependimento. Ela queria ter entyrado no restaurante. Queria ter brigado mais para não separar. Mas ficou. Não tinha como mudar. Aí muito tempo depois, um dia, a Ana tava com os avós, e veio o vinho e a música e o papo furado e não sei como, mas eu e ela, eu nunca podia pensar, eu não imaginava. Eu e ela juntos, depois dela. Caramba! Mas veio. Veio forte. E ela trouxe o Rômulo. Aí, agora, somos quatro. Vovô já foi, só tem vovó. Ela não tem pais, como eu falei. E tem ela, a Ana Regina que tem 10 anos, e o Rômulo. Uma vida comum, sob o céu de Brasília. Quem sabe o que será delas? Eu não sei. Mas essa aí é minha história. Um pedaço dela. sem Muitos detalhjes. Escrita de uma vez, de sufoco, sem respeitar o teclado e o português, porque já já ela chega, e é festa surpreza, e a Ana vem gritar comigo que eu tenho que ir pra sala. Não gosto de escrever bonito quando escrevo pra mim. Gosto de escrever como se falasse. Desse jeito. Já vou, Ana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-5886012701795601069?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/5886012701795601069/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/08/ela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5886012701795601069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5886012701795601069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/08/ela.html' title='Ela'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-3478918559812206006</id><published>2011-06-09T01:02:00.007+02:00</published><updated>2011-06-09T15:41:30.379+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>LW32508SulGama</title><content type='html'>O amor, para ser amor de Brasília, amor mesmo, da Capital Federal, do  Planalto Central, do Sonho de Dom Bosco, disso tudo (Dom Bosco não é um  vinho barato?), tem que ser de altos e baixos, tem que ser chocante, de  concreto, de linhas retas, de mármore e asfalto, e tem que ser  alaranjado, bucólico, verde, de folhas secas, tem que ser seco, seco e  frio, seco e quente, mas seco.Uma secura que cura. Ah, e tem que ser um lago inteiro. Para ser um amor de  brasiliense, um amor de Brasília mesmo, tem que ser meio cerrado, meio  UnB,meio Ceub, meio Parque da Cidade, meio Água Mineral. Amor, para ser amor  mesmo, amor daqui, tem que ser Sul e Norte, tem que ser escrito com L,  com W, com 3, com 2, com 508 Sul, com Gama, e enfeitado com cobogós e pilotis. Tem que ser crucificado em Eixos. Todo amor, que é  amor que se preza, do Plano Piloto, da Libélula do Brasil, da capital da  esperança, de vez em quando está voando, como os prédios do Niemeyer,  como as paisagens de Lúcio Costa. Amor, para ser amor, tem que contar  com poeta russo, com capital inicial e com uma colina. Nas horas mais  punks, porque todo amor tem um momento punk, tem que ser aborto  elétrico, tem que ter um pouco de detrito federal. Tudo isso. Tudo isso e  mais um pouco. Amor que é amor tem uma ave branca, que em Tupi  significa Tawa-tinga. É amor de invasão e é um poço azul, límpido,  fresco. Amor, para ser amor de Brasília, tem que atingir de legião, tem  que ligar as tripas e fazer poesia árabe no Beirute que chegue até o  Líbano. Tem que ser de feiticeira louca. Amor é um pouco feliz, que nem o  DI, e um pouco triste, que nemo o Polo de Cinema. Amor ceilandense, amor de núcleo e de candango, amor de águas claras, do Vicente com a Pires, do Eduardo com a Mônica, do Leo com a Bia, de várias formas, da Santa com a Maria, que vai até o entorno. Amor abrange tudo, que nem Brasília. Amor é isso e muito mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-3478918559812206006?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/3478918559812206006/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/06/lw32508sulgama.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3478918559812206006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3478918559812206006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/06/lw32508sulgama.html' title='LW32508SulGama'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-6672910666861074041</id><published>2011-04-21T15:03:00.008+02:00</published><updated>2011-04-21T16:57:59.720+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><title type='text'>51 anos de delírio</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;"Somos todos engrenagens de uma grande máquina&lt;br /&gt;que às vezes anda para frente – mas ninguem&lt;br /&gt;sabe para onde – e as vezes para&lt;br /&gt;trás – ninguem sabe por quê."&lt;br /&gt;Ernst Toller&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem um fantasma, tem um fantasma no cerrado… Tem uma sombra ali. Disfarçada de Brasil, com cara de nordestino, jeito de paulista, marra de carioca, pose de sulista, passo nortenho, mil olhos e um jeito caleidoscópico, ela se multa em linhas retas, em curvas sóbrias e faz de conta que é sonho. É um fantasma no Planalto Central. Tem um fantasma no Planalto Central… Uma bela e insólita mulher que passeia sem nome e sem destino. É um monstro habitado por sombras de um passado estranho de um bebê velho e obtuso que perpassa a imaginação dos vagueantes anacrônicos estrangeiros da política brasileira. É um espectro, é um espectro na torre... Com zilhões de dedos coloridos que se transformam em raízes dos mais diferentes solos brasileiros, em formato de roupas, bonecos, balangandãs, pilotis e cobogós. Tem um ser translúcido ali. Tem sim, eu vi! Ele faz de conta que é sério, que é claro, mas não é. Seu Ser é o não existir. É uma multidão de fogos fátuos estudantis que passeiam com faixas com dizeres que, na verdade, nada dizem. Só há um branco mármore e corpos sem vontade própria andando a esmo em busca de uma causa perdida. Tem um octopus no jardim. Criatura gigantesca, fruto de pesadelos e delírios bem misturados desde o coma profundo de Dom Bosco. Ele dança com os tentáculos, derrubando metas, impedindo chegadas, transtornando o povo, envergonhando, abraçando loucuras. Os estranhos ladrões de letras e cores fazem sacrifícios entre os espelhos e as moradas voadoras e os blocos burgos enquanto uma multidão orbita perdida em periféricos satélites. O leviatã nada lúgubre em um lago de mentiras. O sonho não acabou, mas está perdido, interrompido, em suspensão animada, por tempo indeterminado, acorrentado por decretos, medidas provisórias e escândalos políticos secretos, que não aconteceram, que ecoam com uma voz opaca em meio às árvores tortas e aos buritis. Tudo acontece no mesmo lugar e ao mesmo tempo, nas costas da libélula gigante que voa caótica puxando o carro do País por entre as incompreensíveis engrenagens da história. E os prédios brotam do chão, e flutuam ao entoar da voz do poeta russo e das guitarras distorcidas, enquanto amantes se encontram às escondidas por um amor falso-verdadeiro. E casais procriam, e trabalham, e constróem, mortos-vivos do progresso, caminhando ninguém sabe para onde, ninguém sabe porque. E crianças selvagens brincam e correm, e facas assaltam, e revólveres atiram, e máquinas atropelam, e abismos derrubam, e chovem rochas, e surgem cadáveres, e nascem nenêns, e correm os jornalistas, e gritam os professores, e diagnosticam os médicos, e imitam os atores, em uma orquestra disforme como o cavalgar incerto do Planeta. Cercado pelas terras de ninguém, sem maiúscula em seu nome, a aparição sorri com fileiras e mais fileiras de dentes confusos divididos entre Norte e Sul. E essa bela mulher de braços abertos, riscada de negro com a maquiagem pesada, suspira e desaparece, goza e reaparece, chora e desaparece, gargalha e reaparece... Enquanto o crepúsculo em sangue tinge o infinito azul, cobertor do berço esplêndido, ela é só um fantasma quase invisível. Tem um fantasma no cerrado, tem um fantasma no planalto central. Ele atravessa as árvores e faz uivar os lobos guará. Correm centenas de capivaras, voam rolinhas e não há ninguém. Ele sussurra. Podem ouvir. Ele sussurra... Brasíiiiiiiiilia... Braaaaaaaaaasíliiiiiiiiia... Brasíliaaaaaaaaa... Braaaaaasíiiiiiiiliiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-6672910666861074041?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/6672910666861074041/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/04/51-anos-de-delirio.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6672910666861074041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6672910666861074041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/04/51-anos-de-delirio.html' title='51 anos de delírio'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-7021600453606522028</id><published>2011-03-10T04:55:00.001+01:00</published><updated>2011-04-21T16:22:25.659+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><title type='text'>Anel de fogo</title><content type='html'>Quando fui preso pela primeira vez, não tinha cabelo grande nem tatuagens. Já diziam que eu era duro como rocha. Eu gostava de fazer de conta que acreditava que era imortal. Mas eu não era duro nada. Foi a prisão que me deixou duro. Foi ficar em uma cela olhando a vida passar por três longos anos, foi ficar em solitárias, sobreviver lá dentro, conviver com outros piore que eu, que me deixou durão. Me lembro que gostava de correr e fazer barras, quando os chineses não estavam na praça de exercício. Lá, eles comem sua bunda pra mostrar quem manda. Lá, ou você fica durão, ou você fica durão. E foi assim que eu fiquei duro feito rocha. Quando fui preso pela primeira vez. O nome dela era Marta. Conheci na oficina do meu pai. Era bonita, jovem, inteligente, me ensinou um monte de coisas, dentre elas, a mais importante, trepar bem e amar os livros. Ela era casada, mas gostava de mim. Sei que gostava. Eu a tratava bem. Mostrava uma vida tosca, mas livre, que ela não tinha. Em troca, ela me dava amor e Dostoievski. Comigo ela conheceu a motocicleta e as montanhas. Com ela, conheci Boris Pasternak. Malditos russos fodidos. Acontece que ela era casada com um advogado almofada. Um puto que começou a me perseguir quando desconfiou de tudo. Acho que ele pagou um cara pra seguir a gente primeiro, só que eu não percebi. Mas eu vi quando ele me seguiu. Depois ele me mostrou uma arma.  Não fiquei com medo. Acho que eu não era durão de verdade, mas já levava jeito para a coisa. Aí ela sumiu. Fui atrás dela. Ele tinha socado a cara dela. Eu surrei o cara. Ele ficou desfigurado, tenho certeza. Quase morreu. Deve ter voltado mais ou menos ao normal depois de pagar uma plástica. Aí eu toquei fogo no carro dele. E ela me rejeitou. Ela salvou o filho da puta. E de repente pareceu que o corno era eu. Fui encher a cara e a polícia me pegou. O pai dela, por incrível que pareça, foi que me ajudou. Meu velho não tinha nada. Ele morreu enquanto eu estava na prisão. Foi a última vez que vi a Marta, quando ela veio me contar. Uma prima distante cuidou de tudo e quando saí da prisão, não tinha mais nada. Não tinha sobrado nada. Mas eu já tinha tatuagens e cabelos longos. Já tocava violão e gaita. Já era duro o suficiente, e li como nunca. Dei um definitivo adeus para aquela família de loucos, peguei uma carona e fui para o Sul. Para o maldito Sul. Agora eu era um músico ex-presidiário que tocava na noite. Dava pra viver de espelunca em espelunca e, as vezes, tocando no metrô. Conheci o folk americano, a musica mexicana e o rock inglês Aprendi a arranhar algumas palavras. Quando juntei o suficiente, aluguei uma garagem e montei uma oficina. E parece que depois que você vai preso, você fica com um cheiro, uma marca. Os bandidos todos te reconhecem. Eu não era ladrão. Só tinha espancado um cara até quase a morte. Na verdade, fiz um favor para uma garota. Foi quando a Melissa me apareceu. Todas as minhas garotas, todas, desde que eu era adolescente, tem nomes que começam com “M” e são do signo de Gêmeos. Porto Alegre é um lugar muito bonito. O problema são os gaúchos. Mas Melissa era diferente. Ela trabalhava em um supermercado, estava grávida de três meses de uma menina que ainda não tinha nome. O pai do neném morreu assassinado. Dívidas de drogas. Agora o tio dela não a deixava em paz. Ela é branca, tem cabelos castanhos, usa uns óculos grandes, tem olhos pretos e adora violão. Caiu do céu para mim. Foi despejada. Morava no apartamento em cima da garagem de mecânico ao lado da minha, onde funciona um desmanche. O cara acha que eu não sei que lá é um desmanche. Viu só? Na tentativa de restabelecer minha vida, eu já estava cercado de bandidões. Só que eles eram um bando de bundas moles. Eu passei pela pior prisão. Sei identificar um cara perigoso. Você não pode vacilar com o leão e nem com a hiena. Eu sou o bom selvagem. A porra do bom selvagem, mas ainda sou selvagem, sacou? Daí que ela foi despedida e os pertences dela foram colocados na entrada da minha oficina. Aí eu disse pra ela ficar comigo, que eu tinha um quarto sobrando no apartamento de cima, que era empoeirado, que ela teria que dormir com os livros, mas que não tinha problema, eu não me importava em ficar no sofá. Era pra ser uma semana, mas eu enrolei bem a garota. Ela ficou 15 dias, um mês se passou e quando a barriga dela começou a crescer, eu já me sentia meio pai da criança. Porque diabos eu tenho o maldito hábito de pegar o que não é meu? Não sei. Primeiro, foi a Marta, agora, a pequena Regina. Quando o merda do tio da neném foi procurar a Melissa, eu boteu uma máscara de solda e liguei um maçarico e mandei ele cair pra dentro. Ele sacou a pistola e eu joguei a porra do maçarico na cara dele. Fez um machucado feio. O que ele ia fazer? Chamar a polícia? Ele era procurado por tráfico e roubo a mão armada. Juntei uma grana. Ele me procurou novamente com uns amigos, mas não estávamos em casa. Eles invadiram, quebraram tudo. Mas eu já estava de olho. Finalmente ia entrar para o crime. Professor Papillon  me deu a dica, embora ele mesmo fosse inocente. Vendi o que ainda estava inteiro, comprei uma moto velha em boas condições e convenci meu bebê a largar o supermercado e partir comigo. O mundo era muito grande para ficar ali. Descíamos para a Patagônia e íamos subir até o Alasca pela Transamericana, para morrer de frio e ter nossa menina no norte. Vigiei o tio da minha filha. Chegou um carregamento grande de cocaína. Ele tinha matado um figurão. Entrei no esquema dele. Eu sabia que ele ia me entregar. Ele queria me sacanear. Dei ma de otário. Fiquei com toda a grana. Mas não fui rápido. Acabei preso novamente. E mulheres não sabem esperar. A Melissa ficou irada, me deixou e foi ter seu neném bem longe de mim. O otário do irmão do pai da filha dela foi preso um tempo depois. Uns amigos dele já tinham tentado me matar na prisão. Surrei os caras e depois ganhei o respeito deles. Quando ele entrou, eu já mandava num pedaço lá dentro. Conhecimento é uma arma perigosa. Acho que Deus queria que eu fosse burro. Se fosse, teria me fodido na primeira vez que fui preso, mas não teria sido pego novamente. Pretensão minha. Se fui pego de novo, é porque devo ser burro. Mas o otário tentou me matar três vezes. Só que diferente do advorrato, ele não tinha dinheiro para pagar uma plástica e eu acabei com a carinha dele. Ele ainda ia me agradecer na minha cabeça, eu deixei ele bem durão. Ele me deixou em paz, mas foi o jeito dele de dizer “Valeu, você estragou minha cara, sou muito mais feio agora, mas pelo menos me imponho. Não vou morrer banal igual ao meu irmão. Quando saí, com 29, cinco anos depois, acreditem, por bom comportamento, tinha U$ 300 mil bem escondidos para fritar. Eu estava em condicional, mas que se dane. Precisei de uma moto velha-nova e fui atrás da minha garota e da minha filha. Mas elas tinham desaparecido com a família. Ninguémsabia para onde elas tinham ido. Caralho. Roubei a grana para levar Melissa para conhecer a América, mostrar o mundo, mas ela não quis esperar. A polícia estava na minha cola. Eu não devia ter mudado de cidade sem avisar, mas se ficasse lá, também, os vagabundos donos do dinheiro iam acabar comigo. Mas ela tinha ido. Nessa época, comecei a deixar a barba, embora ela nunca crescesse muito, nem enchesse a cara. Ela não me visitou nenhuma vez. Eu não tinha mais esperança. Doeu muito por muito tempo. A cada dia de visitas, parecia que eu comia quilos de bolinhas demetal incandescentes. Ela não vinha, não vinha, não vinha. Não atendeu meus telefonemas e nem respondeu carta nenhuma. Uma vizinha desconfiada acabou me contando que a mãe morreu e ela foi para os Estados Unidos com um pessoal trabalhar de doméstica. O emprego é uma prisão. O dinheiro é uma prisão. Tudo isso é uma prisão. Só precisamos de grana para três coisas: bebida, cigarro e gasolina. O resto, a gente consegue sozinho. Comprei outro violão, meti nas costas, coloquei a roupa no alforje da moto. Nessa época comecei a ouvir muito rock. Eu já conhecia, mas estava realmente interessado. Comecei a viajar devagar, de cidade em cidade, tocando violão, quando eu conheci uma companhia circense do Ceará chamada Álamo. Comecei a me apresentar com os caras em Foz do Iguaçu. Tinha uma menina, filha do dono, que além de cuidar de toda a produção, fazia acrobacias e contorcionismo. Ela era linda. Era um verdadeiro anjo. Loira dos olhos azuis, como a mãe, uma mulher idosa, mas bonita pra caralho. O pai,um barbudo louco era um gênio, isso era inegável, mas era de difícil trato. O nome dela? Maria, com “M”, do signo de Gêmeos... (Continua)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-7021600453606522028?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/7021600453606522028/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/03/anel-de-fogo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/7021600453606522028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/7021600453606522028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2011/03/anel-de-fogo.html' title='Anel de fogo'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-8949994101332380466</id><published>2010-10-19T03:54:00.001+02:00</published><updated>2010-10-19T03:58:41.366+02:00</updated><title type='text'>"Ceci n'est pas une pipe"</title><content type='html'>Rude estava sob o efeito da anestesia gasosa e adocicada do hospital. Mãos plastificadas cortavam e reviravam seus músculos. Ele quase podia ouvir. Ele quase podia ver. No fim de tudo restaria uma vaga &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;lembrança&lt;/span&gt;, como se aquele momento na sala de cirurgia fosse um estranho sonho que lhe &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;deixasse&lt;/span&gt; pontos no joelho e um movimento da perna a se recuperar com o tempo. Paralelamente às impressões, parte de seu cérebro sonhava, ou, quiçá, despertava, no momento da dormência dos sentidos, quando a alma pode enfim ter um pouco de lucidez. Não há como descrever &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;exatamente&lt;/span&gt; as figuras, símbolos e sons que a alma produzia no entorpecer da muralha da existência física, mas era algo como ver &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;diretamente&lt;/span&gt; os seres humanos &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;suspensos&lt;/span&gt; e perdidos. Ou no melhor estilo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;René&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Magritte&lt;/span&gt;: "Isto não é um cachimbo". Isto não é o Planeta Terra. Este não sou eu. Esta não é uma mesa de cirurgia e isto não é um computador. E então milhares de botas em pernas de calças caqui marchavam &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;compassadas&lt;/span&gt; reproduzindo trovões, ondas: "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Vlam&lt;/span&gt;! &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Vlam&lt;/span&gt;! &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Vlam&lt;/span&gt;!", um passo depois do outro. Então a muralha foi crescendo, e crescendo, e crescendo, até que suas pálpebras se abriram em um fôlego afoito e profundo e ele sentiu a &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;maca&lt;/span&gt; fria e o lençol grosso, e ouviu o barulho do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;monitoramento&lt;/span&gt; do próprio coração. Uma voz feminina, provavelmente de sua mãe ou de uma enfermeira lhe perguntou: "Acordou?". Ele compreendeu: "Não".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-8949994101332380466?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/8949994101332380466/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/10/ceci-nest-pas-une-pipe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8949994101332380466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8949994101332380466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/10/ceci-nest-pas-une-pipe.html' title='&quot;Ceci n&apos;est pas une pipe&quot;'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-1375494080266272435</id><published>2010-09-02T07:37:00.007+02:00</published><updated>2010-09-03T22:28:05.327+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blogosfera no Poder - Selo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Eu não existo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;"O Sertão vai virar mar,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;e o mar, sim, depois&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;de encharcar as mais&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;estreitas veredas,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt; virará sertão"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Antônio Conselheiro&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando entrei no quarto de meu avô, o enigmático senhor Flory, naquela hora da madrugada, senti exatamente o mesmo cheiro que sentia quando criança, ao entrar na casa velha de Lavras, no sul de Minas Gerais. Todas aquelas madeiras antigas e rijas, recobertas de pó. O cheiro emanava da cama de meu falecido avô, e da cadeira quebrada encostada ao lado do estrado, que também estava encostado na parede. O plástico velho do assento se dobrava à fragilidade das juntas quebradas. Sentei nela aos três anos e eram fortes como um jovem à época, mas não resistiram aos solavancos e meu crescimento e do meu irmão, e do meu outro irmão, e do outro, e do outro, e do outro. Tudo aquilo me lembrava a cidade natal de meu pai. O quarto cheirava a alguma coisa que só então reconheci. Era o mesmo cheiro que Aureliano Babilônia deve ter sentido ao ler as últimas páginas dos pergaminhos de Melquíades, pouco antes da cidade dos espelhos, ou das miragens, ser varrida pelo vento. Era exatamente o cheiro da ventania que leva tudo o que existe e que se transforma em pó. Aquele era o cheiro da passagem do tempo, e nunca me dei conta. Literalmente debaixo do meu nariz. Ai de mim, que queria ser Peter Pan, que queria voar, lutar contra piratas, beijar Wendy e não envelhecer nunca, enigmático senhor Flory. Quando eu nasci você já era velho. Parece, em minha existência, sempre ter sido velho. As histórias da sua juventude remontam a Força Aérea Brasileira nos meados da Segunda Guerra Mundial. A mim, dessa triste batalha, só restam livros de histórias e relíquias de museus. Em contrapartida você nos deixou móveis antigos e uma folha de jornal. Meu avô é a Segunda Guerra Mundial. Brasileiros versus fascistas. Naquela hora olhei para os lençóis dependurados no varal do lado de fora, iluminados pela luz que fugia da janela, e imaginei um fantasma ou uma criatura maligna e bela entre os panos, me observando sem que eu pudesse percebê-la. Ninguém acredita, mas ela está mesmo lá. O véu sempre esconde a verdade. O véu da personalidade, o véu do tempo, o véu da noiva, o véu de Isis. Então caminhei apressado. Não mais que quatro passos para sair daquele quarto vazio que outrora, antes da queda do enigmático senhor Flory, era quase que como um templo, onde eu, neófito da vida, acólito da inexperiência, só entrava se autorizado, e mesmo assim, em silêncio, e não me demorava, padrinho. Estava tomado pela angústia. O sono não me vinha. Sentia vontade de fumar, de caminhar pela rua, de me transformar em um fantasma. Subia e descia as escadas. Enigmático senhor Flory, o senhor se deitou sem permissão. Ainda me lembro que meus lábios tocaram os seus e soprei meu alento para dentro de seu peito, imaginando que isso pudesse te trazer de volta. Ainda ouvi um gemido ao pressionar teu tórax em busca das batidas de teu coração, como quem cava à procura de um tesouro. Coisa que nunca contei a ninguém. Seria apenas um reflexo físico do ar que fugia de teus pulmões mortos mas, mesmo assim, pensei que fosse voltar comigo. Desde então o furacão voltou a ficar forte, e forte, e forte, e só agora começo a compreender que a tempestade que arrasa minha vida é esta mesma do Tempo, que vem soprando, matando e pulverizando tudo, cada vez mais rápida. Quisera eu ter olhos para todos os livros e imaginação para todos os contos. Mas sou só um homem atrasado que anda pela vida. Cheguei atrasado. Quase um mês depois do previsto, acho. O velho era o homem que sempre fora velho. Pena nunca ter alcançado suas manifestações, nunca ter subido alto o suficiente para ver, ainda que de longe, a luz dos seus pensamentos, para que eles iluminassem os meus agora. Um coração bate no meu peito. Tu-tum, tu-tum, tu-tum. O ar entre e sai dos meus pulmões. Meus nervos trabalham incessantemente, 24h por dia. Enigmático senhor Flory, foi assustador te ver deitado no chão, e não em sua cama, com os olhos vazios e esbugalhados, e a boca aberta e sem dentes. Quem esperava? O tempo. A morte. Castañeda sabe que ela está à nossa esquerda, a um braço de distância, esperando o último segundo para tocar nos nossos ombros. Se olharmos de relance e percebermos uma sombra, é ela. Tudo é passageiro, tudo é ventania, tudo é Macondo. Deus, leve-me embora de Macondo. Então chove e chove e chove. Volto à realidade. Sento diante da máquina de escrever e escrevo. A morte, bela e doce, fuma sentada à minha janela. Que pernas. Finalmente fumo um cigarro. Não sei ao certo o que é real e o que não é. Parece que ainda ouço aquelas palavras ao telefone. Giro o disco para chamar alguém. Parece que atravessei a última linha, em silêncio, como o soldado que caminha nas terras inimigas, mas sempre com a fronteira ao alcance da vista, como um navio português que contorna a África a caminho das Índias, sempre com a costa à esquerda. Respiro aliviado. Me sinto mais tranqüilo. Parece. Apenas parece. Enigmático senhor Flory, que sou eu, de onde venho e para onde vou?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-1375494080266272435?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/1375494080266272435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/09/eu-nao-existo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1375494080266272435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1375494080266272435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/09/eu-nao-existo.html' title='Eu não existo'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-5547178252494980522</id><published>2010-07-21T19:09:00.001+02:00</published><updated>2010-07-21T20:19:47.293+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><title type='text'>Estrela longíqua</title><content type='html'>Estrela longíqua&lt;br /&gt;(Luiz Calcagno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um riso-pranto,&lt;br /&gt;Dez milhões de Sóis,&lt;br /&gt;R136a1.&lt;br /&gt;Duzentos e sessenta e cinco vezes&lt;br /&gt;Maior que o astro rei,&lt;br /&gt;Errê, cento e trinta e seis "a" um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um brilho-olho,&lt;br /&gt;A maior estrela do universo,&lt;br /&gt;R136a1.&lt;br /&gt;Que se alimenta assim,&lt;br /&gt;do teu riso-pranto,&lt;br /&gt;Errê, cento e trinta e seis "a" um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inclculável distância,&lt;br /&gt;Iluzório trajeto,&lt;br /&gt;R136a1.&lt;br /&gt;Estás em mim,&lt;br /&gt;Quando me olhas com teu brilho-olho,&lt;br /&gt;Errê, cento e trinta e seis "a" um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-5547178252494980522?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/5547178252494980522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/07/estrela-longiqua.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5547178252494980522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5547178252494980522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/07/estrela-longiqua.html' title='Estrela longíqua'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-4333128930886958248</id><published>2010-06-18T19:14:00.006+02:00</published><updated>2010-06-18T21:55:16.703+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blogosfera no Poder - Selo'/><title type='text'>Querido Caronte,</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Se pode olhar, veja. Se pode ver, repara"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;José Saramago&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Saramago é autor de obras como Ensaio Sobre a Cegueira, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Intermitências de Morte. As obras que compôs inspiraram contos e poesias deste blog. Morto por falência múltipla dos órgãos, na manhã dessa sexta feira, aos 87 anos, a literatura mundial perdeu um grande nome. Como todos os grandes homens, a profundidade do escritor talvez só seja realmente notada muitas décadas após o minuto exato desta publicação. Exijo, barqueiro, que transporte-o com as honras que ele merece. Que este epitáfio possa servir-lhe como moeda para a travessia. Leve em conta que poucos enxergaram o ser humano como ele, nesses tempos de cegueira branca e falta de lucidez. Segue o discurso proferido pelo escritor em 1997, quando recebeu o título doutor honoris causa pela Universidade de Brasília (UnB). O texto também está no site de &lt;a href="http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=3492"&gt;universidade&lt;/a&gt;. Viva uma nova literatura! Ursos e Ornitorrincos a todos! Meu mais sincero adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://caderno.josesaramago.org/2010/06/18/pensar-pensar/"&gt;O Caderno de Saramago&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;"Magnífico Senhor Reitor da Universidade de Brasília, Ilustres Professores, Estimados Alunos, Minhas Senhoras, Meus Senhores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu generosamente a Universidade de Brasília, sob proposta do seu Departamento de Teoria Literária e Literatura, conceder-me o grau de Doutor «Honoris causa», por pensar haver no trabalho literário que venho realizando méritos suficientes para tal, o que, obviamente, não me compete a mim confirmar ou pôr em dúvida, limitando-me tão-só a relativizá-los, não por uma modéstia congênita ou por uma deliberada prudência táctica, mas por uma atitude de espírito que já se me tornou em segunda natureza. Autorizo-me porém a crer que se cheguei a este acto com a legitimidade de quem a ele foi expressamente convocado, não me apresento de mãos vazias. Trouxe comigo algum trabalho, alguns livros, idéias, reflexões, o melhor que em uma vida já longa pude ir inventando e fabricando, uma ponte de palavras por onde intento chegar aos meus leitores e onde desejo que os meus leitores me encontrem, com a confiança, deles e minha, de que lá esteja e saiba estar, não apenas o autor, mas a pessoa real, o homem que sou. Não peço mais porque é o máximo que peço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É conhecido o caso daquele moço que, sem nunca ter tomado aulas de belas-artes ou aprendido de mestres particulares, e não dispondo de melhor ferramenta que um simples canivete, em pouco tempo transformava um toco de madeira bruta no mais acabado e perfeito urso de que rezariam histórias da escultura se fosse objectivo delas ocupar-se de talentos rústicos e paisanos. Aos que se maravilhavam com a rapidez e o jeito, o rapaz respondia invariavelmente: «Não tem nenhuma dificuldade. Agarro na madeira e fico a olhar para ela até ver o urso. Depois é só tirar o que está a mais.» O nosso escultor ingênuo dava-nos, assim, duas lições: a lição da modéstia e a lição da generosidade. Revelava-nos o seu segredo de oficina e ensinava-nos como deveríamos proceder para criar um urso: olhar para onde ele não está e, apenas com o olhar, fazê-lo aparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ai de nós, não há perversidade maior que a dos ingênuos. Este amável moço, tão prestante em explicar-nos como fez não deixou que lhe saísse da boca uma única palavra sobre como se faz. O urso está ali, vemo-lo, mas entre ele e as nossas mãos há uma muralha de madeira fechada, com nós duríssimos, veios intratáveis, traiçoeiras maciezas da fibra: é por de mais evidente que será preciso muito engenho e arte para abrir caminho. A arte, afinal de contas, não é fácil, o rapaz dos ursos esteve a divertir-se á nossa custa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, bem descuidado seria quem se atrevesse a jurar que no interior de cada pedaço de madeira não há um urso à nossa espera. Há, e há sempre. Ainda que não consigamos vê-lo distintamente, ao menos devemos ser capazes de adivinhá-lo, de intuí-lo, aparece-nos ao longe como uma luz instável e lenta, um vago luzeiro, tão vago que mal chega a iluminar-se a si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi como me apareceu também o que sobre uma presumível relação entre o antigo canto e um novo romance aqui me propus dizer-vos. Julguei perceber-lhe os contornos, tornar-se nítido e preciso o vulto, cheguei mesmo a pensar que me bastaria estender a mão e tomá-lo firme, mas no momento triunfal em que vou exclamar: «Minhas senhoras e meus senhores, aqui está o urso», verifico que tudo não era mais que ilusão e ludíbrio, e apenas tenho para apresentar isto que aqui se vê, um tronco cortado, um cepo, uma raiz torta. E outra vez a luz começa a pulsar, como um coração que chama: «Tirem-me daqui.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse canto, disse romance, e essa relação, esse percurso, essa viagem por espaços, mundos e tempos, desde os poemas homéricos a Marcel Proust ou James Joyce, passando pelas Mil e Uma Noites, pelas epopéias indianas, pelas parábolas dos livros sagrados, pelo Cântico dos Cânticos, pelas fábulas milésicas, pelo Asno de Ouro, pelas canções de gesta, pelos ciclos de Roldão, da Demanda do Graal, de Alexandre, de Robin Hood, pelos Romances da Rosa e da Raposa, por Gargântua, pelo Decameron, por Amadis de Gaula, pelo Quixote, e também por Gulliver e Robinson, por Werther e Tom Jones, por lvanhoe e Cinq-Mars, pelos Três Mosqueteiros, pela Nossa Senhora de Paris, pela Comédia Humana, pelas Almas Mortas, pela Guerra e Paz, pelos irmãos Karamazov, pela Cartuxa de Parma, pelos Maias, por Braz Cubas, até agora, até aqui - essa viagem começou um dia, em voz e em grito, à sombra de uma árvore, ou no interior de uma gruta, ou num acampamento de nómadas à luz das estrelas, ou na praça pública, ou no mercado, e depois houve alguém que escreveu o que tinha ouvido, e a seguir veio alguém que escreveu sobre o que tinha sido escrito antes, ouvindo sempre, escrevendo sempre, dispondo palavras em silêncio, infinitamente repetindo, infinitamente variando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importa-me pouco a mais do que provável incoincidência desta visão lírica do trânsito histórico de narrativas entoadas, de melopéias, para uma escrita organizada e disciplinada, obediente a regras, a preceitos, a normas, a convenções que nunca o serão menos pelo facto de serem transitórias, substituídas por outras convenções, condenadas por sua vez em lhes chegando o tempo. A evocação que aí deixei serviu apenas para ilustrar, tão persuasivamente quanto fui capaz, o que teria sido a passagem de um canto narrativo à narração escrita. Bem mais difícil me será propor, como hipótese plausível, que o gênero literário a que damos o nome de romance, tendo chegado ao extremo do arco que, como imaginário pêndulo, traçou, se lança agora, retornando, pelo caminho por onde veio, até chegar outra vez ao canto primordial, donde teria de recomeçar a viagem já conhecida, galgando mais uns quantos séculos para o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou tão desprovido de senso comum. Dinâmica e cinética são programas de um diferente foro do conhecimento, e a literatura, se infinitamente repete, como já foi dito, também infinitamente varia, como foi dito já. Visto o que, no ponto em que nos encontramos, é irresistível recordar aquele Pierre Menard, autor de um Quixote literalmente idêntico ao de Cervantes, consoante nos informa Jorge Luis Borges nas suas Ficciones, e que, tendo repetido, palavra por palavra, o imortal «Manco de Lepanto» (assim o designamos para não lhe repetir o nome, sina de que por fortuna escapou Camões, pois a ele ninguém, até hoje, ousou chamar «Zarolho de Ceuta»), diz, muitas vezes, coisas bem diferentes, não mais do que por diferentes serem os modos de as entender, neste século XX em que ainda estamos e naquele século XVII em que nunca poderemos estar. Este exemplo mostra-nos que qualquer repetição exacta é impossível e que, na sua viagem de retorno às origens, ao outro extremo do arco, o pêndulo, ainda que percorrendo uma identidade reconhecível, iria deixando atrás de si algo como uma alteridade coincidente, se se pode admitir uma tão grosseira contradição em termos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, se ao romance não é permitido fazer nenhum percurso inverso, se Pierre Menard, tendo fiel e escrupulosamente copiado o Quixote, acabou por escrever outro livro, como alcançaríamos nós de novo o canto, o desejado canto, e, se lá chegássemos, que canto seria esse que a nossa boca formaria, ainda que fosse igual a música e fossem iguais as palavras? Os homéridas não têm mais lugar neste mundo, o tempo é, de todas as coisas, a única que não se pode emendar. Que restará, então? Como iremos inventar o canto novo, esse a que me estou obrigando? E com que pertinência me proporia eu, se essa fosse de facto a minha intenção, anunciar o advento de novas formas literárias, sem cuidar de saber se isso agradaria ou conviria a quem as tivesse de viver e praticar? Chamar Homero aos nossos dias, «homerizar» o romance, terá sentido? Estas perguntas, em si mesmas, e pelo ordem em que se apresentam, não são inocentes. Autorizam-me, enfim, a trocar o geral pelo particular, penetrando no único universo de que posso falar com a legitimidade que dá o conhecimento de causa, isto é, no meu próprio e pequeno mundo, o do romance que faço, o seu porquê e o seu para quê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecemos por considerar o tempo. Não este em que nos encontramos agora, não aquele outro que foi o do autor quando escrevia o seu livro, mas o tempo contido e encerrado no romance, e que tão-pouco é o das horas ou dias que levará a ser lido, ou uma referência temporal implícita no discurso ficcional, muito menos um tempo explicitado fora do narrativa, por exemplo, o título que recebeu, caso de Cem anos de solidão ou de Vinte e quatro horas na vida duma mulher. Falo, sim, de um tempo poético, feito de ritmos, de suspensões, um tempo simultaneamente linear e labiríntico, instável, movediço, tempo capaz de criar as suas próprias leis, um fluxo verbal que transporta uma duração e que uma duração por sua vez transporta, fluindo e refluindo como uma maré entre dois continentes. Este tempo, repito, é o tempo poético, usa todas as possibilidades expressivas do andamento, do compasso, da coloratura, é melismático e silábico, longo, breve, instantâneo. De um tempo assim entendido tem sido minha ambição que vivam as ficções que invento, consciente de que estou querendo, mais e mais, aproximar-me da estrutura de um poema que, sendo expansão pura, se mantivesse fisicamente coerente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmam músicos e musicólogos que uma sinfonia, hoje, é algo impossível, como o será também, mas isto digo-o eu, esculpir um capitel coríntio segundo os preceitos clássicos. Claro que qualquer pessoa, desde que dotada de habilidade suficiente, estará em posição de contrariar uma tal interdição de princípio, compondo de facto a sinfonia ou esculpindo de facto o capitel: o que dificilmente poderá é levar-nos a acreditar que, fazendo-o, estaria a responder a uma necessidade autêntica, tanto no plano da sua criação quanto no plano da nossa fruição. Ora, quem sabe se não deveríamos nós próprios confrontar-nos com a responsabilidade de aplicar a mesma sentença ao romance, afirmando, por exemplo, que também ele se tornou impossível na sua forma por assim dizer paradigmática, prolongada até hoje apenas com variações mínimas, só muito raramente radicais e logo assimiladas e integradas no corpo tópico, o que vem permitindo, com a graça de Deus e a benção dos editores, que continuemos a escrever romances como comporíamos sinfonias bramhsianas ou talharíamos capitéis coríntios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este romance que assim pareço estar condenando contém acaso em si, e já nos seus diferentes e actuais avatares, a possibilidade de se transformar no lugar literário (propositadamente digo lugar, e não gênero) capaz de receber, como um grande, convulso e sonoro mar, os afluentes torrenciais da poesia, do drama, do ensaio, e também da filosofia e da ciência, tornando-se expressão de um conhecimento, de uma sabedoria, de uma mundivisão, como o foram, para o seu tempo, os grandes poemas da antiguidade clássica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porventura estarei caindo num erro de perspectiva, se tenho em conta a crescente e parece que irreversível especialização, já quase microscópica, das aptidões humanas. Não é impossível, porém, que essa mesma especialização, por força de mecanismos ou impulsos de compensação, e talvez como condição instintiva de sobrevivência e de reequilíbrio psicológico, nos leve a procurar uma nova vertigem do geral em oposição às aparentes seguranças do particular. Literariamente, porque só de literatura é que estou falando aqui, talvez o romance possa restituir-nos essa vertigem suprema, o alto e extáctico canto duma humanidade que ainda não foi capaz, até hoje, de conciliar-se com a sua própria face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim concluo. Manejando o meu canivete rombo, aparei e escavei o pedaço de madeira que aqui trouxe. Juro-vos que via o urso antes, via-o perfeitamente, juro-vos que continuo a vê-lo agora. Mas não tenho a certeza - culpa minha - de que o vejais vós. Provavelmente saiu-me a estatueta de um ornitorrinco, esse mamífero desajeitado, com bico de pato, feito de peças soltas de outros animais, desconforme, bicho fantástico - ainda que não tanto quanto o homem. Este que somos quando escrevemos romances, ou os lemos. Interminavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última palavra, Magnífico Senhor Reitor, será para expressar, como escritor, mas igualmente como português, o meu profundo reconhecimento pela honra que a Universidade de Brasília me concedeu acolhendo-me entre os seus. Procurarei, em todas as circunstâncias, ser digno dela, não desmerecer jamais do vosso bom juízo, graças ao qual se me abriram as portas desta casa, que a partir de agora considerarei também minha. Muito obrigado."&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-4333128930886958248?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/4333128930886958248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/06/querido-caronte.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4333128930886958248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4333128930886958248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/06/querido-caronte.html' title='Querido Caronte,'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-1358846021828117360</id><published>2010-04-30T03:17:00.001+02:00</published><updated>2010-04-30T03:19:52.056+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><title type='text'>Sussurros catedrais</title><content type='html'>Brasíííííííííliaaaaaaaa... Brasíííííííííííííííííííííliaaaaaaaaaaaaaaaa...&lt;br /&gt;Brasíííííííííííííííííííííliaaaaaaaaaaaaaaaa... Brasíííííííííliaaaaaaaa...&lt;br /&gt;Brrrrrrrrrrrrrrrraaaaaaaaaaaaaaaaaasíííííííííííííliiiiiiiiiaaaaaaaaaaa...&lt;br /&gt;Uma voz clamava em sussurro... O mármore nobre brotava dilapidado e limpo da terra vermelha. Edifícios se erguiam como fantasmas que saiam das sepulturas, em meio as árvores distorcidas e rústicas. Um braço se estendida, outro em seguida: W3. E então em uma cruz, Eixos, tudo! Deuses adormecidos abriam os olhos. O céu crescia e azulava. Todos os regimes políticos, todas as religiões, todas as cores, todas as línguas... As almas clamavam em chama branda e crepitante Brasíííííííííliaaaaaaaa... Brrrrraaaaaaaaaasíííííííííííííííliaaaaaaaaaaaaaaaa... E a canção reverberava nas curvas e linhas retas, e as flores explodiam em meio a jardins espirituais. Pombal e bandeira. Mãe!? Alguém chamou... Pai! ? Alguém disse... Alguém aí!? Gritaram.. Guenhaíguenhaíguenhaíguenhaí!?... Respondeu a voz do Eco. O sol ardia sobre as construções oníricas que flamejavam. O coração do Brasil. Ela não foi construída, foi conjurada, não veio a um chamado, mas a uma convocação, com seu groso concreto que flutua inexplicavelmente, sua doce ordem mistérica. O coração batia forte ao ver a graça de um esquecido Deus. O céu se unia à terra nos gomos da catedral-pirâmide. Tudo respondia ao sol que vem do leste. Outrora, com força, eles ouviam os sussurros. O peito tremia vibrando no ritmo das batidas do coração. Braaasíííííííííííííííííííííliiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaa... Uma voz baixa que ecoava da alma dos brasileiros. Já estava lá, mas ninguém a ouvira antes, a não ser Dom Bosco. E os candangos caminhavam para o interior vazio, em uma terra onde tudo é nascer do sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-1358846021828117360?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/1358846021828117360/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/04/sussurros-catedrais.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1358846021828117360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1358846021828117360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/04/sussurros-catedrais.html' title='Sussurros catedrais'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-2924973676279694469</id><published>2010-04-21T13:23:00.008+02:00</published><updated>2010-04-23T23:36:35.040+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escaladores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blogosfera no Poder - Selo'/><title type='text'>Nos braços da W3</title><content type='html'>Às 6h30 Zaratustra caminhou sobre o telhado, equilibrou-se sobre o muro e pousou com graça no gramado, cortando o jardim verde até o reboque, do outro lado. Entrou na escuridão e se abrigou. Gatos gostam de lugares quentes. Alguém deu a partida no carro e saiu. O sol já ameaçava brilhar forte. O veículo percorreu a Estrada Parque Indústria e Abastecimento, entrou pelo Eixão, que estava fechado, desviou pelo Eixinho W Norte, caminhou por sobre as tesourinhas e escutou 10 minutos de badaladas de sinos da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida. Lá atrás, Zaratustra saiu da penumbra divertindo-se com coisas invisíveis. Cidades satélites, que giram em torno da utopia. O carro desceu para a rodoviária, entrou no Eixo Monumental, passou por debaixo da plataforma, pela entrada da W3, pela Torre de TV, pela Funarte, pelo palácio do Buriti, fez o retorno no Memorial JK, entrou no Setor de Industrias gráficas e estacionou em frente ao edifício do Diários Associados. Jornalistas de plantão já começavam o dia. Ela desceu do carro e acendeu um cigarro. Branca como a neve, como os palácios de Niemeyer, com o cabelo pintado de vermelho, como a terra do planalto central, com os olhos incrivelmente azuis, como o céu da capital, e com os lábios plácidos como um lago. Completamente solitária, como um sonho de Dom Bosco. Ela era um sonho, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vivendo entre os monstros da própria criação, contando o tempo perdido, celebrando a estupidez humana, com festa, velório e caixão, seria apenas sua imaginação...*&lt;/span&gt; Uma tragada mais longa que a outra, inebriando a alma, tranquilizando o corpo, aquela personificação da cidade, em linhas e curvas tão belas, não tinha motivo para estar ali. Era aniversário da cidade. Tudo poderia acontecer. Seu celular não tocou. Zaratustra saiu de casa para mais uma de suas andanças. Tudo vibrava. A jovem olhou para o próprio pulso. Uma tatuagem dizia W3 Sul, e uma cruz, os traços do arquiteto, tudo preto, como se fosse mal rabiscado. Ela desapareceu na última tragada, deixando o carro aberto e a bolsa sem documentos sobre o capô. Tudo inexplicável. Brasília, incompleta, eu te amo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;* Urbana Legio Omnia Vincit&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://blocodasnuvens.blogspot.com/"&gt;Bloco das nuvens...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cintyafeitosa.wordpress.com/"&gt;Utilidades ou não...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://ultimaparada.wordpress.com/"&gt;Última parada...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://mensagensdodia-denny.blogspot.com/"&gt;Mensagens do dia...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://otaldafilosofia.blogspot.com/"&gt;O tal da filosofia...&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-2924973676279694469?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/2924973676279694469/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/04/nos-bracos-da-w3.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2924973676279694469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2924973676279694469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/04/nos-bracos-da-w3.html' title='Nos braços da W3'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-7297719190229797118</id><published>2010-04-06T05:33:00.003+02:00</published><updated>2010-04-09T02:32:52.622+02:00</updated><title type='text'>A partida do Tigre</title><content type='html'>(Luiz Calcagno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pensar que para mim&lt;br /&gt;Com você tudo era claro.&lt;br /&gt;Os teus cachos nos meus dedos,&lt;br /&gt;Os teus beijos, meu regaço...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em pensar que então, depois,&lt;br /&gt;As circunstâncias mudaram -&lt;br /&gt;Aqueles de quem tu eras,&lt;br /&gt;Dos meus sonhos te arrancaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você foi-se em espanto.&lt;br /&gt;Fiquei só, a lhe esperar.&lt;br /&gt;Nosso perto fez-se amplo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nosso lago fez-se mar,&lt;br /&gt;E no final dei meu pranto,&lt;br /&gt;À noite escura e sem luar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-7297719190229797118?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/7297719190229797118/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/04/partida-do-tigre.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/7297719190229797118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/7297719190229797118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/04/partida-do-tigre.html' title='A partida do Tigre'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-2606103030235067416</id><published>2010-03-26T20:18:00.001+01:00</published><updated>2010-03-26T20:20:46.236+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><title type='text'>Cândida Distância</title><content type='html'>Que chama lateja e queima?&lt;br /&gt;Trepida sobre a pele trêmula e escorre.&lt;br /&gt;Que chama vermelha de fricção,&lt;br /&gt;Carne ferida, assada, engole?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que chama dolorosa de amor?&lt;br /&gt;Que amor pungente?&lt;br /&gt;Que poder latente?&lt;br /&gt;Que uma hora desperta,&lt;br /&gt;E na outra adormece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A febre fria das paixões,&lt;br /&gt;A distância cândida da alma,&lt;br /&gt;O trotar caótico das palavras,&lt;br /&gt;Que chocam-nos contra as paredes.&lt;br /&gt;Amor, amor, amor lascinante,&lt;br /&gt;Lascera os olhos,&lt;br /&gt;Faz brotar as lágrimas e derrubar estantes.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Essa dor profunda que faz nascer rebentos,&lt;br /&gt;Que arranca almas do além,&lt;br /&gt;Que devolve âmagos ao corpo físico,&lt;br /&gt;Abandono da existência. Largo do mundo,&lt;br /&gt;Raso ou profundo...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ai amor louco de palavras loucas,&lt;br /&gt;De palavreado duro,&lt;br /&gt;De canções complicadas,&lt;br /&gt;De ritmos, de festas, de velórios e alvoradas,&lt;br /&gt;Amor da aurora, d'Estrela Dalva,&lt;br /&gt;Amor de poesias, sem cargas pesadas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor assim, simples, azul turquesa,&lt;br /&gt;Nos quartos em reforma,&lt;br /&gt;Nas camisas pintadas a mão,&lt;br /&gt;Nos pés descalços emáquinas fotográficas,&lt;br /&gt;Nas tardes de domingo.&lt;br /&gt;Assim...&lt;br /&gt;Simplesmente...&lt;br /&gt;Amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-2606103030235067416?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/2606103030235067416/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/03/candida-distancia.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2606103030235067416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2606103030235067416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/03/candida-distancia.html' title='Cândida Distância'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-3085754762504301790</id><published>2010-03-04T00:55:00.002+01:00</published><updated>2010-03-04T01:07:25.589+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Velharias</title><content type='html'>Poesias da &lt;a href="http://www.casadasmentiras.blogger.com.br"&gt;antiga casa&lt;/a&gt;, que eu resolvi deixar aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Richthofen&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Luiz Calcagno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mui bela és tua figura&lt;br /&gt;Morte Ruiva se aproxima&lt;br /&gt;Não te culpo pelos teus crimes&lt;br /&gt;Em meu altar tu és rainha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que é loucura minha&lt;br /&gt;Morte Ruiva e estrangeira&lt;br /&gt;Sei que é loucura minha&lt;br /&gt;Meu amor é só besteira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo assim sonho&lt;br /&gt;Contigo madrugada adentro&lt;br /&gt;Imagino seus beijos quentes&lt;br /&gt;Claudicantes, úmidos, lentos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino teu corpo branco,&lt;br /&gt;Desnudo, trêmulo, culpado&lt;br /&gt;Minhas mãos quentes passeiam,&lt;br /&gt;Por terrenos nunca d'antes desejados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morte ruiva e condenada&lt;br /&gt;Richthofen tu és tão bela,&lt;br /&gt;Solitária, poderia ser amada?&lt;br /&gt;Seria meu peito tua eterna cela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Melhor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi melhor pra mim,&lt;br /&gt;Ou foi melhor pra você?&lt;br /&gt;Não vou desistir assim,&lt;br /&gt;Nem parar de beber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos são os melhores&lt;br /&gt;Que alguém poderia ter,&lt;br /&gt;Sinto saudades de tudo,&lt;br /&gt;Não poderei mais viver...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se foi tão bom assim,&lt;br /&gt;Então foi melhor pra você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Menina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela voz estridente,&lt;br /&gt;Que dá gastura na gente,&lt;br /&gt;Aquele rosto fino,&lt;br /&gt;Com cara de menino,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando nas espinhas,&lt;br /&gt;Que dão até nojo,&lt;br /&gt;Naquele hálito de miojo,&lt;br /&gt;naquele nariz inchado,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem,&lt;br /&gt;Acho que estou apaixonado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Shut Down&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria nada via, só seguia,&lt;br /&gt;E Edgar sozinho no solar,&lt;br /&gt;Mais um amor terminava,&lt;br /&gt;Mais uma gota no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E doía tanto o coração,&lt;br /&gt;Doía de não conseguir respirar,&lt;br /&gt;Sem Maria, Edgar decidiu tudo,&lt;br /&gt;Decidiu, pois, ia se desligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou pra correr a notícia,&lt;br /&gt;Ele não estava mais no solar&lt;br /&gt;Arrependeu-se então Maria Bela,&lt;br /&gt;E como ele decidiu se desligar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Profano - a paródia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Creio em mim mesmo,&lt;br /&gt;Nada poderoso,&lt;br /&gt;Criador de minha realidade,&lt;br /&gt;E em meu coração egoísta e pagão,&lt;br /&gt;Que foi esfaqueado, esmagado e espalhado.&lt;br /&gt;Creio na minha batalha,&lt;br /&gt;Creio em John Lenon,&lt;br /&gt;Na comunhão dos sexos,&lt;br /&gt;Na epifania dos meus pecados,&lt;br /&gt;Na putrefação da carne,&lt;br /&gt;Na vida enferma,&lt;br /&gt;Ah, nem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pontada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse lance de lança,&lt;br /&gt;No meu amargo coração,&lt;br /&gt;Está incomodando tanto,&lt;br /&gt;Estou cheio de preocupação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse lance todo de guerra,&lt;br /&gt;Toda essa decepção,&lt;br /&gt;Está lançando no mundo,&lt;br /&gt;Uma onda de depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixe de brincadeira,&lt;br /&gt;E desse alvoroço gigantesco,&lt;br /&gt;Será que você não entende,&lt;br /&gt;Lança no dos outros é refresco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cara de cicatriz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ferimento não fechou...&lt;br /&gt;Eu é que absorvi.&lt;br /&gt;Eu devoro as cicatrizes,&lt;br /&gt;Que o tempo esqueceu aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Maria Déia e Virgulino Ferreira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhora Maria Déia,&lt;br /&gt;Esposa de Zé Neném,&lt;br /&gt;Filha de Maria Joaquina,&lt;br /&gt;Não era Maria ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria de Malhada do Caiçara,&lt;br /&gt;Com certo cangaceiro fala&lt;br /&gt;E vai ser na porta do rifle,&lt;br /&gt;A mais doce e certeira bala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Maria Bonita,&lt;br /&gt;Maria do Capitão,&lt;br /&gt;Maria Gomes de Oliveira,&lt;br /&gt;Maria de Lampião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Onze mais três&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onze chances tivemos,&lt;br /&gt;Onze vezes erramos,&lt;br /&gt;Onze horas perdemos,&lt;br /&gt;E ficamos aqui orando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onze dias se foram,&lt;br /&gt;Onze dos nossos morreram,&lt;br /&gt;E depois das onze da noite,&lt;br /&gt;Onze garrafas bebemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onze foram as vezes&lt;br /&gt;Que tentaram me avisar,&lt;br /&gt;Que aquelas onze pessoas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquelas onze semanas,&lt;br /&gt;Por onze deuses e onze diabos,&lt;br /&gt;Iriam me exterminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Meretriz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi um e-mail seu,&lt;br /&gt;Com palavras duras e muito cruéis,&lt;br /&gt;Uma verdadeira condenação,&lt;br /&gt;Além de me proibir de voltar,&lt;br /&gt;Além de me encher de aflição,&lt;br /&gt;Me mandou pagar a conta,&lt;br /&gt;Do seu vendido coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Três Versos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Errei por diversas vezes,&lt;br /&gt;E errei mesmo, sem parar,&lt;br /&gt;Por nada que tentasse me deter,&lt;br /&gt;Continuei ignóbil, a errar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanto errar uma hora acertei,&lt;br /&gt;Por perseverar, por não desistir,&lt;br /&gt;Por nada que tentasse me obliterar,&lt;br /&gt;Não queria nunca deixar de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim resumo meu amor por você,&lt;br /&gt;Minha alma e meu golpe perverso,&lt;br /&gt;Só fiz porque achei que merecia&lt;br /&gt;Uma trilogia de versos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ela&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o seio do abatimento,&lt;br /&gt;Anônima beleza,&lt;br /&gt;Vejo a partida dela,&lt;br /&gt;E percebo com destreza,&lt;br /&gt;Que ela foi embora,&lt;br /&gt;Só pra me causar tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Passos mitológicos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa casa abandonada,&lt;br /&gt;Numa estrada estranha,&lt;br /&gt;No passado da humanidade,&lt;br /&gt;No fundo de um velho baú,&lt;br /&gt;Cuja visão infundiria,&lt;br /&gt;Saudade, lembrança, romaria,&lt;br /&gt;Desejo, memória, nostalgia,&lt;br /&gt;Encontrei minha ancestralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tal a idade,&lt;br /&gt;Daquela máscara vermelha,&lt;br /&gt;Que me servia qual uma segunda pele,&lt;br /&gt;Que me revelava um história,&lt;br /&gt;Que somente em torno da fogueira,&lt;br /&gt;O bisavô de meu tataravô Pereira,&lt;br /&gt;Dançando e erguendo poeira,&lt;br /&gt;Me ligaria a um antigo Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando minha Mãe me disse adeus,&lt;br /&gt;Fiquei só comigo mesmo,&lt;br /&gt;E encarei a jovem figura,&lt;br /&gt;No espelho da parede,&lt;br /&gt;Tive de devorar meu medo,&lt;br /&gt;De um engano que era ledo,&lt;br /&gt;E roubar o meu segredo,&lt;br /&gt;E lutar e escapar caverna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mancando de uma perna,&lt;br /&gt;Que consegui vencer a luta.&lt;br /&gt;Quebrou-se então a velha persona,&lt;br /&gt;E minha face revelou,&lt;br /&gt;Com a graça das ariranhas&lt;br /&gt;Do mais profundo de minhas entranhas,&lt;br /&gt;Sob formas deveras estranhas,&lt;br /&gt;Um coração sem nenhum receio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era produto do meio,&lt;br /&gt;Vindo do próprio Hades,&lt;br /&gt;Era um épico trajeto,&lt;br /&gt;De árdua caminhada.&lt;br /&gt;Foi então de força bruta,&lt;br /&gt;Sob o suor da labuta,&lt;br /&gt;Que a minha história foi fruta,&lt;br /&gt;Do nascimento do Ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Desilusão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa era pequena,&lt;br /&gt;O caso era confuso,&lt;br /&gt;A moça fazia cena,&lt;br /&gt;O retrato era difuso.&lt;br /&gt;O rapaz se aproximava,&lt;br /&gt;Com seu olhar intruso,&lt;br /&gt;A menina que o observava,&lt;br /&gt;Vestia uma moda em desuso.&lt;br /&gt;Isso foi numa espelunca,&lt;br /&gt;Numa cidade distante,&lt;br /&gt;Depois sobre a luz da Lua,&lt;br /&gt;Tornar-se-iam amantes.&lt;br /&gt;Ele seria fotógrafo,&lt;br /&gt;Ela seria bióloga,&lt;br /&gt;Estudariam psicologia,&lt;br /&gt;Nas suas horas de folga.&lt;br /&gt;Teriam uma criança logo,&lt;br /&gt;A vida seria colorida,&lt;br /&gt;Num altermundo distante,&lt;br /&gt;Bem longe de nossas vidas.&lt;br /&gt;Seriam felizes para sempre,&lt;br /&gt;Como nos contos de fada.&lt;br /&gt;Até que bombas atômicas&lt;br /&gt;Arrancassem suas asas.&lt;br /&gt;Tudo terminaria deserto,&lt;br /&gt;Sem cão, sem árvores nem nada.&lt;br /&gt;Então o futuro seria incerto,&lt;br /&gt;Sem cornetas na alvorada.&lt;br /&gt;Sob a luz laranja do Sol,&lt;br /&gt;Não haveria museu, não haveria espada.&lt;br /&gt;Nem canção mais haveria,&lt;br /&gt;Muito menos essa poesia.&lt;br /&gt;Só restariam solitárias estradas.&lt;br /&gt;Sob a luz laranja do Sol,&lt;br /&gt;Não restaria mais do que um triste nada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O mentiroso&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu cartão de visitas,&lt;br /&gt;Nunca foi muito bem vindo,&lt;br /&gt;Não é o Pão de Açúcar,&lt;br /&gt;Nunca será o Pelourinho,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu cartão de visitas,&lt;br /&gt;É uma porta fechada,&lt;br /&gt;Para todos os românticos,&lt;br /&gt;Para o coração da amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu cartão de visitas,&lt;br /&gt;É um cerrado punho direito,&lt;br /&gt;Com um anel grande no dedo,&lt;br /&gt;Sou o valentão perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu cartão de visitas,&lt;br /&gt;É uma mentiraiada,&lt;br /&gt;Sou um pobre romântico,&lt;br /&gt;Desses que não valem nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Repórter fotográfico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do atropelamento,&lt;br /&gt;O jornalista se aproximou,&lt;br /&gt;Tomou a vítima nos braços&lt;br /&gt;Abraçou a jovem e olhou.&lt;br /&gt;Foi beijado e retribuiu.&lt;br /&gt;Com toda obediência.&lt;br /&gt;Sem saber daquele beijo,&lt;br /&gt;Qual era a procedência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Loucura&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela riscava com os finos dedos&lt;br /&gt;Ladrilhos embaçados pelo calor.&lt;br /&gt;A jovem guardava consigo segredos,&lt;br /&gt;Invenções e desventuras, verdades e medos,&lt;br /&gt;Ela não tinha em seus auspícios,&lt;br /&gt;Que aqueles ladrilhos do quarto,&lt;br /&gt;Naquela sala vazia,&lt;br /&gt;Eram os azulejos do hospício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pelo corpo de Estela&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedo mirando o céu,&lt;br /&gt;Apontando para as estrelas.&lt;br /&gt;Dedos de ternura,&lt;br /&gt;Na ponta do nariz dela.&lt;br /&gt;Dedos de ousadia,&lt;br /&gt;No meio de das pernas de Estela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritos atrás da porta,&lt;br /&gt;Pelos meus simples gestos.&lt;br /&gt;Palavras de rude paixão,&lt;br /&gt;Bebendo seu caldo indigesto,&lt;br /&gt;Dedos pelas suas costas,&lt;br /&gt;Nunca fui muito honesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bandoleiro sorrindo sozinho,&lt;br /&gt;Vida de alvoroço.&lt;br /&gt;Ela é minha Estela,&lt;br /&gt;Mordendo o meu pescoço.&lt;br /&gt;Nunca fui muito bonzinho,&lt;br /&gt;Brincando com o seu corpo.&lt;br /&gt;Deitado em berço esplêndido,&lt;br /&gt;Te amando até o osso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Perdido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro os olhos,&lt;br /&gt;Com Maria.&lt;br /&gt;O coração dispara.&lt;br /&gt;Menina voluptuosa,&lt;br /&gt;Acorda sorrindo para mim,&lt;br /&gt;Com seus olhos azul céu,&lt;br /&gt;Seus lábios negro asfalto,&lt;br /&gt;Seus dentes de paralelepípedos,&lt;br /&gt;E sua pele friorenta.&lt;br /&gt;Essa é minha Maria,&lt;br /&gt;Essa é Maria Sargeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nascido das trevas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundana, insana,&lt;br /&gt;Sem pano algum no corpo,&lt;br /&gt;Seguindo, chorando,&lt;br /&gt;Sem pudor algum no rosto,&lt;br /&gt;gozando, sangrando,&lt;br /&gt;Ela geme em alvoroço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um dia tão inocente,&lt;br /&gt;Menina, criança, gente.&lt;br /&gt;Hoje, amante gentil,&lt;br /&gt;Vampira, leoa, serpente.&lt;br /&gt;Veio revirar meu mundo,&lt;br /&gt;Obliquo, a nada inerente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrei a ela o caminho,&lt;br /&gt;A trilha pagã da salvação.&lt;br /&gt;Tomei dela a pureza,&lt;br /&gt;Sorrindo e gemendo uma cação.&lt;br /&gt;Que os demônios de nosso belo cosmo,&lt;br /&gt;Abençoem essa prevaricação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ventre dela preenchido,&lt;br /&gt;Completa a nossa crucificação.&lt;br /&gt;Nasceria daí um rebento,&lt;br /&gt;Ânsia da vida e da incompreensão.&lt;br /&gt;Ela foi virgem, pura menina,&lt;br /&gt;E ressuscitada como Dragão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Apocalipse&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carpinteiro trabalhava&lt;br /&gt;Curvas indeterminadas.&lt;br /&gt;Uma amante de madeira&lt;br /&gt;Com seios e alma talhada.&lt;br /&gt;Mas a plasmação da noiva,&lt;br /&gt;O univerço tolia.&lt;br /&gt;Eram formas idealizadas,&lt;br /&gt;Por uma vida atormentada.&lt;br /&gt;Então em acesso de fúria,&lt;br /&gt;Ele cedeu marteladas truncadas,&lt;br /&gt;A a estátua futura,&lt;br /&gt;Chorou pela face lascada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebrou-se deixando a sombra,&lt;br /&gt;De uma beleza esmerada.&lt;br /&gt;E fez para todos a falta,&lt;br /&gt;de uma existencia encerrada,&lt;br /&gt;Cuja presença não esteve,&lt;br /&gt;em nós jamais aclarada.&lt;br /&gt;Cerragens de realidade,&lt;br /&gt;Em uma iluzão revelada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Capelo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vôo com minhas asas,&lt;br /&gt;Asas que Deus me deu.&lt;br /&gt;Vôo com minhas asas,&lt;br /&gt;No infinito céu.&lt;br /&gt;Inclino, levanto, rodopio,&lt;br /&gt;Com o sol e o seu calor.&lt;br /&gt;Vôo com as asas da alvorada,&lt;br /&gt;Os caminhos de meu mentor.&lt;br /&gt;Vertiginosamente vôo,&lt;br /&gt;Vôo para o amanhã.&lt;br /&gt;Alçando vôo, os sonhos,&lt;br /&gt;Gaivota de esplendor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-3085754762504301790?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/3085754762504301790/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/03/velharias.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3085754762504301790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3085754762504301790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/03/velharias.html' title='Velharias'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-4137221231728655762</id><published>2010-02-18T22:24:00.005+01:00</published><updated>2010-02-19T00:15:21.589+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Destino Certo</title><content type='html'>(Luiz Calcagno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol encontra a noite,&lt;br /&gt;No último segundo,&lt;br /&gt;Ele quer beijar a Lua,&lt;br /&gt;Em extase profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em plena agonia,&lt;br /&gt;A Lua que se põe,&lt;br /&gt;Vê nascer heróico Sol,&lt;br /&gt;Remoto leste que se opõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto ele se parte,&lt;br /&gt;E se vai contra a vontade,&lt;br /&gt;Ela sente pleno em peito,&lt;br /&gt;Dor de fogo que lhe invade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pinta o horizonte,&lt;br /&gt;o crepúsculo da amada,&lt;br /&gt;E deixa a linha que divide,&lt;br /&gt;A distância encantada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sempre se transmuta,&lt;br /&gt;Nessa dança do destino,&lt;br /&gt;Cheia, curva, alva, negra,&lt;br /&gt;Ela some em desatino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai do Sol viver a Lua,&lt;br /&gt;Pobre Lua que quer Sol,&lt;br /&gt;Dois amantes, um umbral,&lt;br /&gt;Se fitando em caracol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corpo e alma, eternamente,&lt;br /&gt;Esse duplo é admirável,&lt;br /&gt;Se fizessem minha'vontade:&lt;br /&gt;Beijo pleno e incansável,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasceria então o filho,&lt;br /&gt;Que o destino desejou.&lt;br /&gt;O seu leito seria a nuvem,&lt;br /&gt;Fecunda estrela do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Dente de Leão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;(Ao meu amigo Denny)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é dente de leão.&lt;br /&gt;Que parte carne,&lt;br /&gt;Que rói músculo,&lt;br /&gt;Que corta a respiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Osso canino atroz,&lt;br /&gt;Faca sagaz afiada,&lt;br /&gt;Conjunto de presas mortais,&lt;br /&gt;Que ceifa a vida veloz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é dente de leão.&lt;br /&gt;Suave, brando, delicado.&lt;br /&gt;Eu toco, eu ergo, eu sopro,&lt;br /&gt;Ele se desfaz em imensidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é dente de leão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-4137221231728655762?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/4137221231728655762/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/02/destino-certo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4137221231728655762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4137221231728655762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/02/destino-certo.html' title='Destino Certo'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-1725001383068172371</id><published>2010-01-30T01:33:00.006+01:00</published><updated>2010-01-30T02:31:14.987+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Quase uma erupção vulcânica</title><content type='html'>Ela tinha cólicas. Ele passou o olho pelo site, clicou em cidades, correu brevemente pelas notícias subindo e descendo a tela. Ela colocou o absorvente na calcinha e se vestiu. Ele minimizou a janela e entrou novamente no bloco de notas. Um helicóptero passou do lado de fora. Parecia próximo. Uma sirene na rua. Ele colocou os dedos sobre o teclado e olhou para a tela como quem olha para um papel em branco. Iniciou mais uma história. Apagou tudo. Ela saiu do banheiro e acendeu a luz do quarto. O sutiã estava sobre a cama. Ela o vestiu e colocou uma blusa. o quarto era iluminado pelo banheiro. Ela apagou a luz e ficou no escuro. O apartamento parecia completamente vazio. O prédio parecia completamente vazio. As ruas pareciam completamente vazias. A cidade parecia completamente vazia. O estado parecia completamente vazio. O país parecia completamente vazio. A Terra parecia completamente vazia. A mente de Buda. Marte! Uma supernova nos confins do universo. Ele começou a escrever uma poesia. Olhou pela janela. As luzes apagadas. Somente o computador iluminava o escritório. Os braços magros contorciam complexos nervos que em um sistema quase perfeito forjado pelo próprio acaso fazia com que os dedos transmitissem ao computador a mensagem que o cérebro enviava. "Se eu fosse Peter Pan". "Cinquenta cents e uma pá". "A impiedade da rocha". "A fragilidade do coração". Deleteeeeeeeee... Tudo de novo. Passos na escada. Uma fresta de luz por baixo da porta. Uma fechadura. Escuridão. Batida. Ela saiu. Ele ficou escrevendo. Começou novamente. O elevador soou. Lá fora tudo era claro. O próprio destino era claro. Era luta. Era vontade. Ele levantou-se. Seu lóbulo direito doía. Períodos curtos, era o que o editor havia falado. Tudo tão simples quanto um grunhido. E quando tivesse tudo ao alcance, não teria nada. Ele endireitou-se na cadeira. Pensou em beber. Pior que beber e dirigir é beber e escrever. Homens das cavernas. Lembrou-se. Neandertais. Seu coração batia forte, acelerado. Um trem de carga. Um vagabundo iluminado. Um trem de feno. Cowboys atiram para o alto. Correm em seus cavalos. Uma aventura galáctica no velho-oeste. Tudo é galáctico para quem vive aqui. Moramos na Via Láctea. Na via do leite da vaca cósmica, que escorre. Uma viagem de bilhões de anos na velocidade da Luz. O plano de Deus, a evolução, e só. Sem pernas decepadas, tetraplergia e mães e irmãos assassinados. Tudo isso é culpa deles. Dos homens. Deus só tem um plano: e-v-o-l-u-ç-ã-o. Darwin é meu pastor... As letras vão surgindo novamente. Será que a alma que comanda océrebro, que comanda o braço, que comanda as teclas, que comanda a CPU, que comanda os elétrons do monitor, será que a mente que comanda os elétrons acertou dessa vez? Não. Uma página inteira deletada. O tempo é relativo. Ele riu. Piadas de redação. Escândalos políticos. Estava cada vez mais medíocre. Escrevia cada vez pior. Cada vez menos. Mas acreditava em si. Em nome do parlamento. Que caia uma bomba atômica sobre a Câmara Legislattiva se o narrador estiver mentindo. Era uma erupção vulcânica. Sem precisão. Ele começou novamente. O celular tocou. Ela estava no banco de trás do taxi. Liguei para me despedir. Não quis atrapalhar. Ele digitou aquelas palavras em silêncio. The Song Remains The Same - 5:30. Como está o trabalho? Médio. Estou no prazo. Que horas você volta? Não sei. "TIGER, tiger, burning bright In the forests of the night, What immortal hand or eye Could frame thy fearful symmetry? In what distant deeps or skies Burnt the fire of thine eyes? On what wings dare he aspire? What the hand dare seize the fire?"(Blake). Você está sempre no prazo. Eles riram. O coração estava cheio. Um beijo longo em algum dia de um passado recente. A terra tremeu e engoliu as vidas. Um coração partido. Mil corações partidos. Cem mil corações partidos. Dedos, brita e concreto. Concreto demais. O que está acontecendo com o mundo, que nada acontece? Você pensa demais. preciso continuar isso aqui. Está no meio do texto? Nem no começo. Mas tive uma idéia. Aproveite. Aproveite. Amo você. Idem. Beijo. Beijo. Tudo estava quente e bom. O mundo é muito grande. Ele começou novamente. Over The Hills And Far Away - 4:50. Os dedos vacilaram novamente. Será que deveria voltar a algo antigo? ainda não. Venceria? Sim. Ainda não. Um suspiro antes da queda. Um mergulho. Suicídio. assassinato. Palavras, palavras, apenas palavras. Palavras o suficiente para encher um grosso periódico diário. Meio de comunicação. M-e-i-o-d-e-c-o-m-u-n-i-c-a-ç-ã-o. Um meio para se comunicar. O ar. Muitas vezes, o ruído é a própria alma. Como dizer tudo? Não havia verdade nas notícias. Eram muitas mortes, muita tragédia, muita gente, fezes demais. Morte, Peste, Guerra, Fome. Foco, concentração. Poesia. Beirut, Irã, Luanda, Angola, Haiti. Eles compravam navios negreiros e então libertavam os negros. A primeira nação livre da América. Será que uma poesia...? Não. Nada de poesias. Apenas silêncio. Os dedos corriam alucinados como cavalos de corrida. As letras surgiam istantâneas na tela. Frururururururu. Frurururuurur. Frururururururuur... A testa franzia. Expressões subconscientes. Um milênio de silêncio. Adeus. Ele desligou o monitor. Ela desceu do carro. Ele acendeu a luz da sala. Voltou ao escritório, aumentou o som e pegou o texto na impressora. Pronto. Uma merda. mas dava para enganar. Ao menos até a próxima semana. Serviria, gostariam, estava melhor do que imaginava. Pensando bem, não era tão mal assim. Uma garrafa de suco de laranja. Gomos corriam pela garganta. Frescor e cheiro do vitamina C. Um barulho de fechadura. Você voltou, tão cedo?! The Ocean - 4:31. Ela sorriu, deixou a bolsa no sofá. Ela o abraçou. Eles se beijaram. Aquele alento. Me faça parar de tremer... Não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-1725001383068172371?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/1725001383068172371/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/01/quase-uma-erupcao-vulcanica.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1725001383068172371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1725001383068172371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2010/01/quase-uma-erupcao-vulcanica.html' title='Quase uma erupção vulcânica'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-4866195784103102172</id><published>2009-12-25T05:09:00.002+01:00</published><updated>2009-12-25T05:51:02.642+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><title type='text'>Com a mão nos olhos</title><content type='html'>O moço mudou de posição. Cansado da leitura sem óculos, e havia perdido seus óculos, levantou-se. Sua pele branca ficou marcada de vermelho pelas dobras dos músculos, da gordura e do lençol. Jogou o livro em cima do jornal, no chão. Olhou novamente para o caos do pequeno quarto alugado em busca das lentes, que não estavam de fato lá. Olhou para o porta-retrato com entes amados. A palavra “ente” é apropriada no caso. Não interessa aos leitores, por não ser mesmo do bico deles, saber quem sorria na imagem. O moço passou a mão nos olhos. Levantou a persiana. Queria iluminar a pequena toca enquanto ainda durasse o sol, e sentir a escuridão e o frio da noite, e só depois utilizar-se dos benefícios da vida moderna. Mas não resistiu, ligou o som. A imagem do menino morto no caixão o assombrava. O menino cinza-pálido no caixão, ceifado por um caminhoneiro alcoólatra que invadiu a faixa contrária. O caixão branco, as vestes brancas, as flores brancas, cercadas do negro-luto de nossa cultura. Ele afastava a imagem, que voltava. E por vezes a face do jovenzinho, que se tornara como um boneco feio em seu rigor-mortis, era substituída pela do filho de sua namorada, criança que ele tanto amava. E aquilo o estremecia. Era suficiente para encher seus olhos de lágrimas e seu coração de horror, e comungar com a dor daquela família que aquele agente da polícia civil acompanhou tão breve e marcantemente. Morreram a mãe, o pequenino, o primo do pequenino, e tia do pequenino. Sobreviveram o pai e a avó, sogra do homem, se é que pode-se dizer, em um caso duro como esse, que de fato sobreviveram. Eles mesmos diziam que não, que não haviam sobrevivido. E o pai, como qualquer cidadão mediano pode constatar, não sobrevivera, embora guardasse vida e consciência em seu corpo cada vez mais curvado e magro. As coisas sempre voltam em uma bagunça. Se perde uma caneta especial, e se ela está lá, logo se a encontra. O mesmo com uma jóia de família. O mesmo até com os sentimentos. Bem sabemos. Na confusão da alma, aquela velha paixão, aquele rancor, aquela alegria cândida e breve, sempre emergem e imergem. Se não aparecem, se não há um remorso ou um orgulho, é porque nunca estiveram lá, como os óculos perdidos. Mas você não perde uma mesa ou uma geladeira. Alguns traumas são como verdadeiras máquinas de lavar nas almas. O moço tomou um banho, trocou de roupa, arrumou um pouco a bagunça. Preparou-se para sair a noite. Também lhe vinha a mente a boca escancarada daquele outro homem que morreu com um tiro no peito e ficou com a cabeça pendendo para trás na cadeira. A bocarra escancarada com todos os dentes à mostra, e a roupa bonita de executivo, e as inúmeras moscas que entravam e saiam da goela seca, a face dura do pequeno em seu caixão, o tórax imóvel do atropelado, que imóvel fica estranho, como se estivesse torto mesmo sem estar, aqueles fantasmas que assombravam aquele homem sozinho em casa, ficavam o tempo todo fazendo-o pensar no medo dos medos que mais o assombrava por ele perceber que existia, o medo da farsa, da grande farsa conspiratória que ele mesmo era. Braços e pernas partidos, corações parados, cérebros como apenas medidas de quilo. Esse medo não é exclusivo. Todos têm, mas nem todos o percebem ou o reconhecem. Ele olhava para a arma no coldre, no cabide com o casaco, ao lado da porta do quarto, e sabia que tudo era uma grande farsa, e ele de alguma forma amava profundamente a farsa, mas por ser farsa, a odiava com a mesma loucura dos amantes traídos, que morrem de ciúmes e imaginam dores e assassinatos. As vezes até o executam. Um carro, um computador, uma banda larga, o direito de votar, o direito de falar e o de ficar calado, a presidência da república, o senhor ministro do comércio exterior, o doutor delegado que de doutor tinha tanto quanto um médico, isto é, nada, a morte a caminho de casa, os encontros e partidas, os portos, as constituições, os sistemas políticos, o parlamento e todos os sujos, e não há exceções, parlamentares demagogos, os capitalistas, os comunistas, os religiosos e suas religiões mortas-vivas, mais mortas que aquele ex-pai que nunca deixará, para sua infelicidade, de ser pai de um menino morto enquanto ele mesmo guiava o carro, o vômito na sarjeta, a sarjeta, a energia elétrica e as cirurgias bem sucedidas, toda aquela merda imunda, aquela grande bosta de mundo, que é este mesmo em que nos sentamos para navegar em um espaço informativo que também não existe, tudo isto que rodeava o agente, tudo uma farsa mentirosa, uma grande farsa, farsa, farsa, farsa. Mais vivos estão os que morreram e, como diz o sábio ditado, sabe-se lá proferido pela primeira vez por que ditador, o pior cego é aquele que não quer ver. Tudo uma grande farsa, com marketing, publicidade, mídia espontânea e muito neon. Nada que uma bala bem enfiada na cabeça não aclare as coisas. Nada que uma batida a caminho do trabalho ou de um encontro, ou na volta para casa, que um atropelamento, que um câncer maligno ou infarto fulminante não resolva. O agente olhou ao seu redor, tão vazio quanto cheio, com a alma em bagunça como qualquer um, tomou seus medicamentos, pegou a chave do carro e partiu. Sabia bem do que precisava. Tudo que precisava era de uns anos na cadeia com a bandidagem que ele ajudou a prender, aprendendo, um processo que resultasse numa demissão e num arraso financeiro tão grande, que, menos que a morte, só o restasse recomeçar, para que começasse verdade. Mas era um momento ínfimo aquele. Ele pegou os documentos e a chave do carro e foi comemorar o natal. Para adiantar a história e não nutrir expectativa quanto ao fim, adiantamos que ele foi, voltou, dormiu, trabalhou na delegacia e tudo o que manda o figurino roto e mal bolado da vida moderna. Menos casar-se. Isso não dava. Preferia amar em silêncio sua namorada e o menino, filho dela. Mas foi com insegurança. Sentia que poderia vacilar e bater o carro, e matar alguém, ou morrer, e que não tinha garantia de nada. Sentia que alguém poderia fazer o mesmo e matá-lo. Sentia que poderia ele mesmo dar cabo de sua existência com um tiro fácil, com uma overdose de alguma coisa, ou matar alguém. Matar quem mais amasse, para eternizá-lo, fosse seu irmão, sua mãe, sua mulher ou o menino que era seu protegido. Sentia tudo. Era transparente, por isso não era tão mal refletir a mentira, já que ele mesmo não era a mentira. E graças ao surdo Deus, se é que esse velho sacana anda mesmo por aí, ninguém de fato é a mentira. Uma pena que generalizações limitam e tornam-se elas mesmas mentiras em um mundo tão amplo. Mas ele sentia, nisso, um alento. Sensível a tudo, como o verdadeiro guerreiro, por mais que lhe doesse tanto ser quem fosse e uma farsa como qualquer outro ser humano o é, ao menos sentia a vacilante certeza de tentar ser puro, fosse como fosse. É claro que um raio ou um avião, um carro bomba, um atentado, uma queda burra na calçada poderiam matá-lo, mas foda-se. Ia viver. Viver e pronto. Custasse o que custasse. Sempre perguntaria à morte: “se fosse morrer agora, é aqui que eu queria estar?”, e ela sorriria, e ele saberia que se a resposta fosse “sim”, ele estaria bem, e se fosse “não”, ao menos saberia que precisava mudar de lugar ou de vontade. E ele mesmo acendeu o pavio da vela do bolo da irmã adotiva de sua prima, que fazia anos no dia 25, e era a mulher que ele verdadeiramente amava, e não a sua namorada. Era natal e não importava. Que coisa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-4866195784103102172?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/4866195784103102172/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/12/com-mao-nos-olhos.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4866195784103102172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4866195784103102172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/12/com-mao-nos-olhos.html' title='Com a mão nos olhos'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-2080918744925888089</id><published>2009-09-16T17:26:00.005+02:00</published><updated>2009-09-16T17:55:47.198+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><title type='text'>Ciclo de leituras</title><content type='html'>Então Tudor, paramentado com sua armadura, suas armas de guerreiro, sua capa e sua touca de cabeça de urso mágica, exausto após ter tomado a água do Rio do Esquecimento, adormeceu profundamente, sem perceber que ao seu redor todas as árvores e flores e frutos da floresta mudavam de lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso a floresta era chamada de Trilha da Perdição. Para sair de lá eram precisos vários dias, e era preciso dormir para descansar. Ficaria o jovem perdido eternamente entre as belas e mortais folhagens tropicais? Haveria uma saída? Ele voltaria a ver sua querida Bô-Bô e seu amado irmão Ishtar? Isso é o que veremos no próximo capítulo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Eu quero ouvir mais! Eu sei que você quer ouvir mais, mas agora é hora de dormir. Mas eu não estou com sono. Você precisa dormir para ficar forte de novo. Não quero! Dorme, filinho. Papai está cansado também. Mamãe já está dormindo. Amanhã o médico vem aqui e vai dizer se você já pode levantar e voltar a brincar na rua como os outros meninos, e mais tarde a tia Eulália, amiga do papai e da mamãe vem aqui com a Fauna e vamos jantar pato. Dorme que o tempo passa mais rápido. Vai ser um longo dia... Ta bom então (bocejo). Boa noite, papai... Amanhã me conta mais da história? Prometo. Vamos descobrir como Tudor conseguiu escapar da floresta terrível! Agora durma (beijinho). Prometo que quando estiver bom vamos acampar e jogar bete até o dia raiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o pequeno Zéfiro, sentindo o pulmão pesado como sempre e o coração leve como nunca, adormeceu com sua pedra verde da sorte entre os dedos. Mas sem que ele percebesse, todas as árvores ao seu redor também mudaram de lugar, e o mundo se transformou. Quando ele abriu os olhos, estava em uma terra distante e feliz, cheia de aventura, com outros meninos como ele, e até a pequena Bô-bô estava ao seu lado. Lá eles brincavam, se aventuravam e corriam por fontes e abismos. Todos os dias eram felizes como aniversários e ele nunca mais crescera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-2080918744925888089?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/2080918744925888089/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/09/entao-tudor-paramentado-com-sua.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2080918744925888089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2080918744925888089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/09/entao-tudor-paramentado-com-sua.html' title='Ciclo de leituras'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-7386163182432569803</id><published>2009-07-29T16:51:00.002+02:00</published><updated>2009-07-29T16:58:40.884+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><title type='text'>Querida Louanne,</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;Quero, ao cair da tarde,&lt;br /&gt;Entoar minhas tristíssimas cantigas!&lt;br /&gt;Por que me prendes? Solta-me covarde!&lt;br /&gt;Deus me deu por gaiola a imensidade:&lt;br /&gt;Não me roubes a minha liberdade...&lt;br /&gt;Quero voar! voar!...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;(Pássaro Cativo - Olavo Bilac)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Escrevo-lhe esta carta porque esta manhã me olhei no espelho do banheiro e vi, no reflexo, no criado mudo de minha mãe, um livro cuja personagem principal leva seu nome. É um livro de magia e realidade destes que nos inspiram a agir mais impulsivamente, sem levar em conta paradigmas sociais que tanto nos emperram. Um livro que te segura pelos braços, olha bem dentro de seus olhos e diz: “um copo é só um copo”. Essa é uma carta de amor e amizade. Quando vi o livro, ele me remeteu à história, quando me lembrei da história, já nebulosa em minha mente febril, me lembrei da encantadora protagonista, e quando pensei nela, associei os nomes, e pensei em suas mentiras Louanne, em suas agraciadas mentiras que me fazem sonhar até hoje. Diante do espelho meu rosto se partiu. Não porque o vidro estivesse quebrado ou trincasse em resposta as meus sentimentos. Meu rosto se partiu. Meus olhos choraram e meus lábios sorriram. Foi isso que aconteceu. Ajustei a gravata. Me disfarço bem de “cidadão”. Seu nome e sorriso palpitaram em meu peito. Continuei simulando uma vida como faço todos os dias. Você não está em Brasília, está longe, casada, talvez feliz. Não sei se você simula uma vida também, mas não duvidaria disso. No entanto sou obrigado a dizer que nossas velhas mentiras eram bem mais reais que a vida que levo hoje. Isso não é exatamente triste. Apesar das falsidades temos momentos de felicidade por aqui. De todos que conheci levei algum sonho comigo. Ir à Lua, ir à Roma, fazer a cama na varanda, voltar para a França, pilotar um avião, pilotar um carro de Fórmula 1, fazer cinema, virar ator, aprender violino, satisfazer uma paixão arrebatadora, voar de asa-delta, pular de pára-quedas, dar a volta ao mundo, ter um amor impossível, passear de submarino e até fazer amor em Chernobyl... Milhares de coisas que vivem como ecos em meu ser, e que, como um mosaico, me ajudam a compor meus próprios sonhos. Afinal, sonhos são feitos de sonhos e só assim eles podem se tornar reais um dia. Só você é que nunca me contou o que sonhava, e me obrigou a sonhar que sonhava seu sonho para compor o meu. Cativo estive todos esses anos desse misterioso sonho que sonho que sonhas quando sonho, como o pássaro de Olavo Bilac. Quero voar. Quando partiu você me disse que eu estava atrasado em concretizar meus sonhos. Estava certa, Louanne. Desde então, cada verdade, cada mentira, cada manhã, cada gota de suor, por mais avessa que possa parecer às idéias com que sonho, são todos voltados unicamente para essas idéias. Se fosse morrer agora você gostaria de estar aonde? Me lembro que me perguntou isso. Devolvo a questão. Hoje sei que a resposta deveria ser sempre “aqui”. Qualquer resposta contrária nos permite levar a crer que o inquirido é categoricamente infeliz.  Quero ao cair da tarde cantar tristíssimas cantigas. Te entreguei meus sonhos. Você, ao menos você, levou meus sonhos. Minha Louanne sei que estamos distantes em espaço e sentimentos hoje, mas te convoco em meu coração. Vamos viver o mito. Mais que morrer, viver por uma idéia, por um sonho, seja o sonho que for. Tens coragem? Será que hoje sou eu quem dança e sorri, e que você deixou-se esfriar pelas convenções? O mundo esta mudando. Está na economia, na política, na ética, na ciência, na religião, na filosofia... Não quero ter meus pés presos no concreto. A maré está subindo. Está subindo e busco avidamente por um conhecimento, um segredo Louanne. Um segredo que é o ato de ter teus lábios sussurrando em meus ouvidos, ou de alcançar o topo de uma montanha no fim da tarde. Um vídeo rápido sobre coisas ternas, simples e desconexas, uma música desafinada tocada por uma harpa, uma verdade que não está na razão e não está na irracionalidade, as batidas do coração, um sapo, um girino, uma árvore, uma estação do ano. Não sei teu endereço. Quando me abandonaste pela primeira vez escrevi um texto que nunca te mostrei, “À Louanne”. Nele eu saia pelo mundo buscando por você, e deixava um recado para que me esperasse se você voltasse antes de mim. Agora saio em busca novamente. Não há linha reta, não há alguém, apenas um sonho indizível perdido em um mundo exponencial. Louanne, você está dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com amor,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Do sempre, sempre seu, Edgar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-7386163182432569803?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/7386163182432569803/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/07/querida-louanne.html#comment-form' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/7386163182432569803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/7386163182432569803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/07/querida-louanne.html' title='Querida Louanne,'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-2109578928531070887</id><published>2009-07-23T22:24:00.006+02:00</published><updated>2009-07-24T16:27:36.120+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Perfis Indispensáveis (Garota Índie)</title><content type='html'>“It must be the colors” Ola! Meu nome é Selene, igual ao da deusa grega, meus avós paternos eram japoneses, meu pai é arquiteto, minha mãe é filha de brasileiros mesmo, tenho 17 anos, peso 50 kg e sou Áries com ascendente Virgem e Lua em Aquário. “And the kids” Me ligo nessas coisas de horóscopo, astrologia e tal, gosto de astronomia também, adoro tocar violão, ir ao cinema ver filmes de romance e comer doce. Tenho 1,5 metros, sou espevitada, brincalhona, gosto de dançar, não tenho medo de cair no chão, minha voz e minha risada são engraçadas e me divirto pra caramba todos os dias! “That keep me alive” Bebo um pouco de vez em quando, mas só com amigos, não fumo, não curto drogas, não gosto de boates, não gosto de som muito alto, a não ser que seja Cat Power, não gosto de tirar notas baixas, gosto de explicar física e matemática e detesto ser taxada de CdF. “'Cause the music is boring me to death” Detesto celular, detesto quando o celular toca, detesto, detesto e detesto. “It must just be the colors” Minha mãe é taguatinguense, artista plástica, filha de pioneiros que vieram para o Planalto Central construir Brasília. “And the kids that keep me alive” Me amarro muito na história da minha família porque pra todo lado tem um rabo, uma ponta de fio de novelo que posso ir desenrolando. “'Cause I wanna go ride away” Só vi meu avô paterno uma vez e minha avó já tinha morrido nessa época. “To a January night” Eu era muito nova. Não me lembro. “Built a shack with an old friend” Me lembro que ele se chamava Takeshi e era agricultor e cultivava morangos na área rural de Brazlândia (lembro dele quando ouço aquela dos Beatles – a maior banda de todos os tempos). “He was someone I could learn from” Lá tem muitos japoneses. “Someone I could become” Meu pai não manteve o contato com eles. “Will you meet me down” Na verdade somos muito ocidentalizados, mas ele conhece a história da família todinha e tem gente que foi até samurai (iá!). Meus avós maternos vieram do ceará. Também não conheci minha avó, mas meu avó era um homem forte, trabalhador, paciente e com um sorriso sereno no rosto. “On a sandy beach” Morreu quando eu tinha 11 e demorei muito para entender. Foi o primeiro ente querido que perdi (digamos assim, conscientemente). “We can roll up our jeans” Tem fotos com Juscelino, sete filhos, tios legais, todos homens exceto minha mommy, primos gatos, foi neles que aprendi a beijar (Yes!), sou bochechuda, tenho olhos puxados (como era de se esperar), cabelo preto com mechas vermelhas na frente (não, não me arrependo de ser poser), e aprendi a viajar pra longe, curtir a cachoeira e transar tudo de uma só vez com meu urso amarelo que é meu primeiro namorado mesmo. “So the tide won't get us below the knees” Já beijei outros caras do ensino médio e espatifei meu coração mole no primeiro ano.  “Yellow hair” O nojento é que coisas moles não quebram, então ficam cheias de sangue e amassadas, igual a um gatinho atropelado por um caminhão. “You are a funny bear” Se fosse duro, eu varria e jogava fora. Me amarro em Simpsons. “Yellow hair” Tem uma cena que a garota arranca o coração do Bart e joga na lixeira e diz: “você não precisa mais disso”. Ri horrores. “You are such a funny bear” Tenho um gato chamado Marco Antônio, me visto de um jeito que eu goste, e não me preocupo muito em ser brega ou cafona, mas não uso camisetas com mensagens rock’n roll (de poser já basta as mechas). “Slender fingers" Quem não gosta de Raul? Eu gosto (e de Velhas Virgens também). “Would hold me slender limbs would hold me” Adoro roxo, adoro preto, adoro vermelho, adoro pedrinhas coloridas e artesanatos bacanas e quero fazer sociologia, ou antropologia, ou música, ou artes plásticas, ou letras, acho. “And you could say my name” Meu urso amarelo é grande, joga basquete, tem olhar engraçado, fala desajeitado e me carrega no colo toda vez que me encontra. “Like you knew my name” Não tenho medo. Na minha primeira vez estávamos acampados em um lugar chamado Macaquinho, na Chapada dos Veadeiros. Era noite, bebemos vinho, eu estava no início da menstruação, ficamos loucos ele subiu em cima de mim, me apertou no colchonete, me deixei levar, senti um pouco de dor e depois delirei e fui até as estrelas, onde haviam vários anjinhos sorridentes debruçados em nuvens que eram como janelas do paraíso (igual ao Homer quando dorme no volante – isso foi uma analogia ruim).  “I could stay here” Sei que somos todos burros, não sabemos de nada e ainda vamos sofrer um bocado. “Become someone different” Eu vou, tu vais, ele vai, nós vamos, etc e etc... Não posso fazer muito a respeito. No geral me resigno e sou feliz. “I could stay here” Mas ler jornal as vezes me chateia muito (na internet, no papel ou na TV, tanto faz).  “Become someone better” Fui presidente do comitê infantil taguatinguense de ajuda às vítimas do tsunami (chique!) e participei de três ONG’s com minha mãe, duas ambientais e uma contra a pobreza no Brasil e no mundo (naverdade não fiz muita coisa, só participei mesmo).  “It's so hard to go in the city” Não tenho peitões americanos, bundinha de verão, pernas de Claudia Raia. “'Cause you wanna say hello to everybody” Não se iluda com as letras gentis e generosas. “It's so hard to go into the city” Sou pequenininha, feia, mas adoro depilar meus cambitos. Dei aula de geografia para crianças carentes e aprendi artes circenses com a molecada (foi meio que uma troca). “'Cause you wanna say hey I love you to everybody” Sei que toda a vida legal de classe média que levo é um frágil paradigma (adoro essa palavra), estou terminando de escrever uma poesia e vou me encontrar com o Ted-Bear daqui a pouco. “When we were teenagers we wanted to be the sky” Já mencionei que nos conhecemos de verdade no inglês? “Now all we wanna do is go to red places” Éramos da mesma turma na educação física e no inglês, mas eu sou uma negação em esportes e ele uma negação em inglês, e aí nos ajudamos mutuamente, descobrimos músicas e um monte de coisas em comum e incomuns, e pimba(!), era uma vez na América. “And try to stay outta hell” Vamos tocar violão, caminhar na Esplanada e dar uns amassos na Ermida Dom Bosco.  “It must be the colors” Se você não é do DF, não faz idéia do que está perdendo. “And the kids” O fds promete e por hoje é só, pessoal! “That keep me alive” Beijos... “'Cause the music is boring me to death”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Não esquecer de levar o gravador e o violão!  “it must just be the colors”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(…) “And it must just be the kids”&lt;br /&gt;“That keep me alive on this January night.”&lt;br /&gt;“Yellow hair”&lt;br /&gt;“You are a funny bear”&lt;br /&gt;“Yellow hair”&lt;br /&gt;“You are such a funny bear” (!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Selene Arruda Myura =P&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Colors And The Kids (Cat Power)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-2109578928531070887?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/2109578928531070887/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/07/perfis-indispensaveis-garota-indie.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2109578928531070887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2109578928531070887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/07/perfis-indispensaveis-garota-indie.html' title='Perfis Indispensáveis (Garota Índie)'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-3335672507937176364</id><published>2009-06-16T17:50:00.003+02:00</published><updated>2009-06-16T18:03:47.124+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Sobre Brasília: Haikai</title><content type='html'>Ela me pediu para não ser mais um, para fugir do comum. Falei sobre a cidade, depois de abriu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º&lt;br /&gt;Ipê de Brasília&lt;br /&gt;Vem com as chuvas turvas&lt;br /&gt;Alimentando minha fantasia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2º&lt;br /&gt;Minhas linhas tortas&lt;br /&gt;Visão em decomposição&lt;br /&gt;Brasília, ilha das marmotas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3º&lt;br /&gt;Não faço por querer&lt;br /&gt;Torto, nasci obtuso, morto&lt;br /&gt;Sou a catedral do desentender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4º&lt;br /&gt;Janela aberta&lt;br /&gt;Luz do dia, água na bacia&lt;br /&gt;Juriti incerta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5º&lt;br /&gt;Sonha feiticeira louca&lt;br /&gt;Céu, Sol, Lua, dormi na rua&lt;br /&gt;Voei no céu da sua boca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6º&lt;br /&gt;Paris, cidade a iluminar&lt;br /&gt;Rio Senna, fazendo cena&lt;br /&gt;Brasília, lago Paranoá&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-3335672507937176364?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/3335672507937176364/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/06/sobre-brasilia-haikai.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3335672507937176364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3335672507937176364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/06/sobre-brasilia-haikai.html' title='Sobre Brasília: Haikai'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-8474678122272294562</id><published>2009-06-05T22:51:00.000+02:00</published><updated>2009-06-05T22:52:14.428+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Brasília é um labirinto</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;div&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: Arial;"&gt;No sé dónde está. Obrigada.Oi! Hernandes! ... passou por aqui? Como? O Lucas? No. Brigada... Oi, viu o Ramon Lucas? Ramon? É! No. Valeu! Oi! Viu o Ramon por aí? Não. Marcela! Oi? Tô vazando. O que? Tô indo, o Ramon... Vai lá gata! Acha teu homem. O que deu nele? Sei lá. Tô aflita... Você sabe que ele é de lua... Tava estranho hoje... Vai lá gata, qualquer coisa liga. Beijos. Beijo! Caralho! Ramon Lucas de Santa Maria, cadê você? Oi!&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Até logo... Oi Rafa! Oi querida, já tá indo? Já. Só vim por causa do Ramon. Ele tá aí? Não. Tô procurando ele, ficando maluca. Liga não, daqui a pouco ele aparece. Homem é foda! Obrigado pela parte que me toca. Você não... Você é um doce. Obrigado, amiga... Não quer entrar? Espera ele lá comigo. Não, está muito barulho. Tá me escondendo alguma coisa... Você não é preocupada assim... Depois a gente conversa, gato. Cuidado, linda... Brasília está uma loucura. Ó o celular! Deve ser ele... Não, é a irmã dele... Beijo! Alô! ¿Hola, Maria? Oi Jô! María, ¿has visto a Ramón? Não. Tô atrás dele. Ele ligou? No. Ramón no responde el telefono! Eu sei. Também estou preocupada. Si encuentra Ramón, llámame, por favor! Claro, fica tranqüila... Não deve ser nada. Espero que no. Te ligo. Gracias, Maria. Besos. Beijo, meu amor... Puta que me pariu... Onde você foi se meter? Tá bem cuidado, tia! Vou ficar devendo, querido. Caracas... Merda de carro! Liga, porra. Cadê...? Agenda... Letra “L”... Aqui... Atende, por favor... Alô, Livinha? Oi Má? Oi meu amor, tô atrapalhando? Claro que não. O que foi? Poxa, moça, tô atrás do meu homem. Gata, não vou saber, tô em casa... Ai, amiga, ele sumiu, tava estranho. Tô louca atrás dele. Você está preocupada pelo que eu acho que está? É... Ele viu o seu exame? É, acho... Olha só... Fica calma, acho que posso ajudar. Liga no celular do jornal. Ouvi a Clêide reclamar que o lambe-lambe levou o “telefono” de novo... Ai, Lívia, você é a luz. Te devo uma... Boa sorte, amiga. Vou precisar. Beijo. Beijo! Celular do jornal... Aqui... Ramon? Hola...&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Ramon! Cadê você, porra? Tô louca atrás de você. Rodei a cidade inteira. Maria... Falei com mil pessoas. Maria, yo queria...&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Sua irmã está preocupada em casa. Ela está no 8º mês de gravidez, caso não tenha percebido... Maria, escúcha-me... Não! Não escuto! EU NÃO POSSO MOVER MEUS PASSOS POR ESSE ATROZ LABIRINTO!!! Acalme-se Maria! Escúcha-me, por favor! Escúcha-me. Fotografei um niño muerto por balas esta mañana... Ele tinha dez años! Dez años! O que está acontecendo, meu amor? No llores! O que deu em você? Vi um niño muerto, já non te disse!? Onde você está? Na Ermida. Maria... Que? Yo vi su exame sobre la mesa... Preciso hablar con usted... Não, Maria, por favor, no llores. Te encuentro em casa, si? Você vai me abandonar! No, Maria, Te amo. Seremos três, amor, yo, tú e nosso hijo. Só estoy assustado. Solomente... Tô indo pra casa. Beijo. Maria, sua burra, porque não falou com ele antes?! Como sou burra. Merda! Ai... Alô, Jô? Maria? Oi Jô! Falei com o Ramon... Maria, ¿porque lloras, Maria?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-8474678122272294562?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/8474678122272294562/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/06/brasilia-e-um-labirinto.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8474678122272294562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8474678122272294562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/06/brasilia-e-um-labirinto.html' title='Brasília é um labirinto'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-752291763902574402</id><published>2009-05-29T20:06:00.001+02:00</published><updated>2009-05-29T20:35:05.363+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><title type='text'>O Golem</title><content type='html'>&lt;em&gt;(Luiz Calcagno)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criatura de músculos e vísceras,&lt;br /&gt;Obra bruta dos quatro elementos,&lt;br /&gt;Encantadora mestra de feras,&lt;br /&gt;Chama das idéias e nascimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engenharia alquímica minha,&lt;br /&gt;Produto do debate divino,&lt;br /&gt;Ladrão de minha paixão e sina&lt;br /&gt;Burro dominador de meu tino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leva minh'alma em tuas garras torpes.&lt;br /&gt;Toma pra ti meu corpo alvo e puro.&lt;br /&gt;Soldado faminto e algoz da forca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo-te e odeio no presente e no futuro&lt;br /&gt;Mas quando me vejo sinto tua força&lt;br /&gt;Mudo e sou tu - eu vertido em ouro puro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-752291763902574402?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/752291763902574402/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/05/o-golem.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/752291763902574402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/752291763902574402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/05/o-golem.html' title='O Golem'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-161726132349274104</id><published>2009-04-29T15:13:00.003+02:00</published><updated>2009-04-29T15:38:55.427+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blogosfera no Poder - Selo'/><title type='text'>Boemia, justiça e Blogosfera no Poder</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Se um dia Françoise segurou seu filho nos braços com amor de mãe triplicado, se é que Françoise era seu nome, humilhada, cuspida e com a cabeça raspada, ante a derrotada comunidade parisiense libertada pelas tropas aliadas, torturada e excluída por se deitar com nazistas, se um dia morreram por amar, por escrever, foram torturados por cantar transgressões em voz alta, por falar e agir em conformidade com o que pensam, não os artistas no sentido “ente” da palavra, mas os seres humanos que atuaram em conformidade com o que estava além do seu tempo, que guiados pelas nove musas filhas de Zeus e da Memória, que cruzam o tempo mudando de corte e de roupa, e seguem soprando abuso nos ouvidos dos poetas de todas as formas de expressão, se um dia aqueles que pintam letras, notas e músicas foram ou se um dia virão a ser , mais uma vez, culpados por dizer a verdade escabrosa, disfarçada apenas com arames farpados, então que quando este dia chegar, tenhamos coragem, seja em que vida for, seja com outro nome, outro corpo, outro sexo, que tenhamos a coragem de nos impor, e sofrer de todos esses infortúnios, na paga do belo contra o injurioso. Que sejamos artistas, tenhamos coragem...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se já não existirem mais blogues, não haverá mais BLOGOSFERA NO PODER, mas a energia que nos une pode continuar lá, se acreditarmos.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este blogue criado em março de 2003, já teve outro endereço, outro templete, outros textos que foram sumariamente retirados por ânsias e animosidades, já teve, inclusive, outras três redes de amigos blogueiros antes dessa (mas nunca tão bem consolidada e séria para mim), completou seis anos este ano. Nunca teve textos como os que escrevo agora. É um laboratório literário pessoal, e as experiências avançaram com minhas infinitas leituras e filmes que nunca chegarão ao fim. Na cabe colocar uma lista referências. Seria pedante demais. Mas cabe dizer que fui afrontado por “adultos” por diversas vezes, por que deveria ter lido isto ou aquilo antes de me dar ao trabalho de escrever tais e tais coisas, e que me arrisco demais por terrenos pantanosos que desconheço. Querem saber, eu rio da cara do perigo. Além do mais, posso não ter lido toda a obra de &lt;em&gt;Machado&lt;/em&gt;, nem &lt;em&gt;O Capital&lt;/em&gt;, nem outras tantas obras importantes que quiçá, virei a ler, mas retorno a pergunta aos sábios. Me digam vocês, se já leram as poucas e belas poesias de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://blocodasnuvens.blogspot.com/"&gt;&lt;em&gt;Yokohare&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;, ou ficaram a admirar suas fotografias? Já leram as fascinantes histórias de Blindado, que ganhou vida pelo imaginário de botas pretas de &lt;strong&gt;&lt;a href="http://afoborio.blogspot.com/"&gt;&lt;em&gt;Afobório&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;? Já se deram ao trabalho de refletir sobre os manifestos quase diários de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://janalauxen.blogspot.com/"&gt;Jana Lauxen&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, ou deram atenção aos textos líricos de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://sabe-de-uma-coisa.blogspot.com/"&gt;Flávia Brito&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;? Como assim, nunca ouviram falar no &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://fabricioromano.blogspot.com/"&gt;Coleira do Cão&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de Fabrício Romano, em &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://arlequim-incognita.blogspot.com/"&gt;Arlquim&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, ou nas críticas do &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://cinemaebobagens.blogspot.com/"&gt;Cinema e Bobagens&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, de Beto Canales, ou nas procelas e digressões de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://digressoeseprocelas.blogspot.com/"&gt;Luiz Gonzaga B. Jr&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.? As poesias e prosas de Anna Karla, do do &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://labirintosdaanna.blogspot.com/"&gt;Pequena Cidade: Âmbar&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, já leram? Não? Que absurdo! Sabem o que é isso? BLOGOSFERA NO PODER, meus senhores e minhas senhoras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Este ano lanço meu primeiro conto, publicado em uma antologia conhecida como Assassinos S/A, da editora Multifoco. Progredi muito. É um resultado concreto. O primeiro de tantos outros, espero. Devo isso à minha querida Yoko (mais uma vez), que acreditou mais no que eu escrevo do que eu mesmo nos últimos dois anos, ao meu caro Denny, que foi o primeiro a se dar ao trabalho de ler textos meus e me enviar as correções de bom grado, à Jana, primeira blogueira que conheci capaz de transformar pensamentos em realidade e levar à sério o que faz como escritora, uma inspiração, ao Cavanhas, que desde a primeira vez que comentei no seu blog me respondeu com carinho, e me recebeu, e trocamos experiências mútuas e extremamente construtivas, e a todos aqueles que estando ou não na minha lista de amigos (são muitos, me desculpem por não nomear um a um de vocês como merecem), se linkaram mutuamente para formar uma corrente de escritores que varre o país. Me envolvi com projetos muito legais, como o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://e-blogue.com/blogs"&gt;E-blog&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; e o &lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://vanguardas.wordpress.com/"&gt;Avant Garde&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. O que fazemos é importante. Talvez mais que possamos imaginar. Sempre digo, e não canso de me repetir, continuemos caminhando, passo a passo, consolidando cada conquista, em nome do nosso constante criar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por todos os poetas que vieram e que virão,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;BLOGOSFERA NO PODER.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-161726132349274104?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/161726132349274104/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/04/boemia-justica-e-blogosfera-no-poder.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/161726132349274104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/161726132349274104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/04/boemia-justica-e-blogosfera-no-poder.html' title='Boemia, justiça e Blogosfera no Poder'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-4578065574511911301</id><published>2009-04-08T16:01:00.003+02:00</published><updated>2009-04-08T16:30:07.887+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><title type='text'>Ricos de tudo...</title><content type='html'>Um Buda magro e contente sentou-se junto aos neandertais em volta da fogueira. Eram homenzinhos baixos e loiros, com olhos claros como lagos. Alguns eram até broncos e altos, mas não passavam de 1,80 m. As mulheres eram belas e tinham cabelos desgrenhados e cabeças redondas. Cozinhavam, celebravam as estações, faziam adornos para a casa e para os Elementos da Fertilidade e tinham filhos. Faziam sexo e necessidades quando sentiam vontade, onde estivessem, pura e simplesmente, e viviam no verdadeiro Éden e na Arcádia, uma espécie de Devachan na Terra, correndo pelos descampados, sem pudores, caçando e vagando por entre pradarias, vestidos com peles de animais, flores e cipós. Como era bom fazer parte da estirpe dos Homo neanderthalensis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Buda esguio e risonho, um Ser de luz que estava e não estava ali ao mesmo tempo, aproximou-se atraído pelo olor do assado, sentou-se bem recebido como um Espírito da Floresta, e deliciou-se do gordo javali que os caçadores devoravam famintos. A mais nova do grupo, Bikha, estava grávida. Devia ter uns 16 anos. Mudou de lugar atraída e sentou-se feliz ao lado do Tathagata, para vê-lo saborear um belo pedaço de pernil de fera. O pai de Bikha já queria fazer um colar-ritual para seu genro, com os dentes densos e resistentes do gordo animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Buda que Nada Dizia, da época em que os homens eram sábios e tolos, gostava de se divertir com as crianças bípedes em volta das fogueiras nas noites de lua nova, quando não havia também estrelas no céu, e os pinheiros e a chama que espanta os mosquitos iriam compor a casa-mundo das pequenas tribos. Eram oito ali, como o Nobre Caminho Óctuplo, mas faziam parte de uma tribo maior, e haviam se perdido a alguns dias e estavam bem felizes também. Todas as fêmeas estavam grávidas. Eram três mulheres e cinco homens. Deles nasceriam quatro monstrinhos brincalhões, meninos-lobo em número igual ao das Quatro Nobres Verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda havia muitos pelo mundo, mas já eram os últimos da espécie. Bikha teria gêmeos. Seria um parto bom e tranqüilo para os dois pequenos guerreiros-urso. Consegue imaginar como eles passeavam pelos terrenos outrora férteis onde hoje construímos shoppings e banheiros? Caçando como fantasmas sombrios pelos largos estacionamentos iluminados pela luz dos postes, ou fazendo fogueiras finas em vastas madeireiras e caminhando em free-shops com suas botas de couro de búfalo e cabelos longos e sujos? Como se nós é que fôssemos os fantasmas? O Buda ficava triste e feliz com a idéia de que todo aquele povo alegre ia dar lugar a outros homens na terra, e ninguém jamais saberia o que aconteceu de verdade. Como seria bom encontrá-los caçando nas florestas americanas nos dias de hoje, com suas religiões, lendas e mitos, e assando felizes suas caças tal qual este grupo, na entrada da bota itálica, às margens do São Francisco ou nas praias da Normandia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teggo, marido de Bikha, sentia-se feliz também. Olhava a amada com fascínio e encarava os olhos do monge que saboreava a carne assada. Ele correu, correu, correu e parou em silêncio. Nakhi-Rein estava em sua frente, e ao ver o genro se deter, jogou-se no chão de súbito e cobriu a cabeça e fechou os olhos com o nariz na terra, rezando à Grande Mãe. Ao ver aquilo, as famílias dispersas, como se fossem parte de um corpo só, e o eram, se detiveram sem respirar, olhando pelos olhos do mais forte. O javali ergueu a cabeça com as presas grandes e viris, alertado pelo repentino silêncio, e antes que pudesse mover os fortes músculos da pata em direção a um esconderijo seguro, antes sequer de poder cogitar essa possibilidade, foi alvejado por uma longa e fina flecha, e por outra logo em seguida, e agonizou com os olhos arregalados e a respiração ofegante, e foi cortado, rasgado, escalpelado, empalado e assado na própria gordura, salgado com cinzas, dividido com a pele crocante e a carne branca, e serviu de alimento suculento para aquele que ouvia e compreendia a Voz do Silêncio, e havia entendido a real natureza, ameaçadora e escorregadia, do Dharana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avatar tocou a mão gordinha e de dedos pequeninos e calejados de Bikha, e olhou feliz para Teggo e Nakhi-Rein, e todos se calaram. Então o Buda pegou um punhado de terra com a outra mão cuspiu nele e amacetou entre os dedos, e colocou sobre a palma alva da jovem sorridente, que tinha dentes brancos e fortes. Todos se calaram regozijando-se. Poucos entenderam realmente aquele gesto do Espírito da Floresta. O admirável Nakhi-Rein, conhecedor das plantas e dos murmúrios da montanha, amante das pedras e do rio, viúvo feliz que viu sua mulher queimar em uma pira sagrada repleta de cabeças de cervo que foram devorados em uma grande festa, pintor sacerdote de paredes de caverna, senhor da caça, sussurrou um pequeno verso que não estava diretamente ligado ao gesto sábio do Bikku no ouvido de Teggo, cujo olhar direcionado à noiva a fez também compreender: lama vale mais que palavras. E o Bodhisatwa foi embora contente e aceso no meio da noite, enquanto o grupo se amontoava em sonhos como um bando de leões, reunidos ao redor do fogo sagrado, onirizando que dançavam com o Cervo Rei, e pescavam com o Grande Urso Comedor de Salmões, e viviam em abundância com o Provedor de Girinos, e eram felizes com toda a panacéia de Deuses que existiam naquele obscuro período da história do Mundo, ao redor da Mãe, e que sagrados eram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-4578065574511911301?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/4578065574511911301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/04/ricos-de-tudo.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4578065574511911301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4578065574511911301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/04/ricos-de-tudo.html' title='Ricos de tudo...'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-9023435654621763713</id><published>2009-03-31T20:06:00.003+02:00</published><updated>2009-03-31T20:34:31.422+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Betty punk e o atirador de elite!</title><content type='html'>Nada mais normal. Sexta-feira, abre os olhos, 6h30, água gelada no rosto, pasta de dente, escova de dente, banho gelado, lava o cabelo azul, sai pelada do chuveiro, enrola a toalha na cabeça, enxuga o corpo, olha a barriga e os peitos no espelho, veste calça colan preta, veste a meia preta, veste um jeans curtíssimo, bota o coturno, veste o sutiã da Betty Boop, bota top preto, veste casaco de capuz, pega CD-player, coloca U2 para tocar, pega pilha extra, enfia na mochila, coloca fone de ouvido, pega caderno, guarda-chuva, deixa a mochila no sofá, tranca a porta, ascende a luz do corredor, abre a porta, põe ração para o gato, toma um copo de leite, sai, tranca a porta, abre novamente, pega a mochila, tranca novamente, chama o elevador, acende a luz do corredor, volta e confere se a porta está trancada, pega o elevador, desce com o vizinho desagradável que fica olhando sua bunda, sai do elevador, sai pela portaria, caminha pela rua, pelos prédios, para na parada, no meio do temporal, absolutamente sozinha, cheia de expectativas e pesares...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus atrasa, o ônibus chega, passa da solidão para o excesso de companhias, o veículo está lotado, paga passagem, responde com mal criação a piada do cobrador, se espreme no meio das pessoas, vai para a parte da frente do carro, alguém passa a mão na sua bunda, tenta achar quem é, não vale a pena, continua se espremendo, ouve uma cantada suja, segue em frente, para na escada, tira um livro do bolso, se escora na barra, começa a ler, dá passagem para quem vai sair, volta a ler, vira a página, dá passagem para quem vai sair, volta a ler, segura forte porque o motorista corre e freia, volta a ler, vira a página, o olho dói, põe os óculos, volta a ler, lê por mais tempo, vira a página, o motorista chacoalha o carro, fica nervosa, volta a ler, o ônibus para, dá passagem para outros passageiros, volta a ler, dá sinal e desce do ônibus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corre até a marquise, procura a chave na bolsa, carro joga água e molha tudo, procura a chave na bolsa, acha o molho de chaves, passa uma moto, molha mais um pouco, acha a chave, a chuva aumenta, abre a porta da loja, levanta a porta da loja, trava a porta da loja, acende a luz da loja, tira o casaco, bota The Doors para tocar, acende as luzes do mostruário de vinis, olha no relógio, assina a folha de ponto, pega o caderno, estuda o material da faculdade, atende um cliente que não quer nada, volta a estudar, atende outro cliente que não quer nada, volta a estudar, não atende o próximo cliente, ele quer comprar um disco, vende o disco, ele quer um CD, vende o CD, ele quer um filme, vende o filme, ele fica com má impressão porque não foi atendido logo, para de chover, faz sol, ela volta a estudar, não aparece mais ninguém por muito tempo, aparece alguém, são 14h, ela assina a folha de ponto, seu amigo chega, ela se despede, vai para a parada, está cheia, o ônibus está vazio, segue para a universidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rádio manda desarmar o posto de observação. 15h. Ele desmunicia a arma, retira a luneta, dobra o que é de dobrar, desarma o que é de desarmar, guarda na maleta, desmonta o tripé, guarda na maleta, pensa na manhã, guarda o binóculo, planeja a noite, enfia todo o material em uma sacola preta maior, lembra que matou um homem na última semana, não sente remorso, ajeita a boina, pensa na família do homem que morreu, sente pena deles, desce da torre da igreja, entra no furgão, balança dentro do carro, xinga o companheiro, ouve xingamentos, ri, provoca o motorista, ri mais, lembra do caso do traficante, ri mais, olha no relógio, fala sobre o livro que está lendo, fala sobre Esparta, fala sobre treinamentos militares, vai para a academia, fala de filmes, fala de mulheres, fala de dinheiro, fala de aluguel, fala de motos, vai para o banho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falta alguma coisa, sente um vazio, se enxuga, outros caras no vestuário fazem brincadeiras com a toalha, guarda tudo no armário, vê que esqueceu calça e tênis, veste a calça da polícia, tira a mochila do armário, enfia tudo na mochila, lembra que vai folgar quatro dias, sente alívio, pensa em viagem, pensa em fazer alguma coisa, pensa no governo, pensa nas pessoas, vai para a parada, o ônibus não demora, pega o ônibus, está cheio, mas tem lugar, vai sentado lendo, para na universidade,o ônibus quebra no caminho, pega outro ônibus, vai o resto do caminho em pé, um bebê chora no colo da mãe, fica olhando os olhos do bebê, lembra do filho mais novo de seu pai, dá sinal para o ônibus, o motorista não para, espera pacientemente, dá sinal novamente na parada seguinte, o motorista para, desce, vai caminhando até a universidade, 19h30...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensa que o dia acabou, pensa que a vida parece pobre, pensa que o sistema sacaneia todo mundo, pensa nos livros que leu, pensa no capitão fazendo piadas, acha graça, lembra da avó, pensa na tatuagem que quer fazer, pensa no computador que encomendou, pensa no torneio de arco e flecha, atende o celular, fala com o amigo, um carro passa, não ouve nada, a ligação cai, o amigo liga de volta, volta a falar com o amigo, descobre que o amigo vai ser pai, fala sobre a polícia, fala sobre o Bope, fala sobre planos para o fim de semana, fala sobre a garota punk, fala sobre a falta de sentido na vida, fala sobre a busca de um sentido, o amigo lembra que estão no celular, desliga o celular, um estranho se aproxima, encara o estranho, o estranho se afasta, pega um atalho, chega na universidade, senta no CA de veterinária, olha no relógio, abre o livro, começa a ler, alunos passam, os espartanos recebem Alcebíades, a guerra muda de lado, ele olha no relógio, não consegue se concentrar, volta a se concentrar ela para diante dele...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda, terça, quarta, quinta, sexta, 20h12, eles se beijam longamente, ela fica mole e feliz, ele fica duro e contente, dão as mãos, alunos passam por eles, caminham, contam o tempo que ficaram sem se ver, ele conta o que fez durante a semana, pessoas passam por eles, fala de armas, de como Alcebíades é importante na história da Grécia, ela fala sobre Tróia, conta dos animais que dissecou, dos filmes e discos que vendeu, professor, professora, aluno, aluno, servente, planejam o final de semana, ela não conseguiu folga segunda e terça, param, se beijam, ele a espreme contra a parede, ela fica feliz, voltam a caminhar, vão para a parada, o ônibus demora, ele fala de como ficou na torre da igreja, ela está hipnotizada, ele fica hipnotizado pela hipnotização dela, se beijam, o ônibus chega, está vazio, resolvem parar no bar, ele liga novamente para o amigo, ele vai para lá de carro com a noiva, começam a comer e a beber, falam sobre bebês e noite a dentro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Homens brigam no bar, 22h45, ele pede a conta, o amigo sai com a noiva, ela se levanta, ele se levanta, um homem voa em cima dela, ele empurra o homem em cima do outro que estava brigando, os amigos do que voou partem para cima do atirador, ele bate em um, bate em dois, bate em três, apanha de quatro, o amigo entra, ela puxa ele para fora, fogem para o carro do amigo, a noiva fica nervosa e passa mal, vão para o hospital, ele ganha pontos na sobrancelha, o amigo imobiliza o dedo, a noiva faz ecografia, ela fica na sala de espera, está chateada, ele volta primeiro, eles discutem em voz baixa, tem uma mulher que apanhou do marido, um velho com dor nos rins, paramédicos passam com um homem gordo na maca, correm muito, eles conversam mais, ele pede desculpas, ela vira o rosto, ele beija a orelha dela, passa um homem sangrando, passa uma garota segurando o braço, uma mãe com um menino no colo, ela o perdoa, o amigo e a noiva saem do consultório, ele dá um dinheiro para a gasolina, eles seguem para a casa dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles param no semáforo, travestis acenam, eles seguem em frente, um carro de vidro fumê os persegue por um tempo e depois vai embora, uma viatura da polícia para o amigo, eles mostram que são da polícia, o policial faz vistoria no veículo, as meninas ficam nervosas, eles passam em uma lanchonete, fazem um lanche, uma criança pede dinheiro, a noiva paga um sanduíche, um bêbado pede dinheiro, ele pede para que ele saia, um mendigo pede comida, o amigo se irrita com o jeito do homem, eles se desentendem, ele olha para ela e eles olham para a noiva, ele se levanta e apazigua, pede para o mendigo ir embora, o garçom manda o mendigo embora, 0h57, eles pagam a conta, entram no carro, o amigo dirige a toda velocidade, ouvem Bom Jovi e cantam em voz alta, os namorados se beijam no banco de trás, os noivos se divertem e a grávida passa a mão no pênis do noivo enquanto ele dirige, param em frente ao prédio dela, eles descem, o amigo e a noiva se despedem e vão embora, eles acham que a noite foi boa, entram na portaria, entram no elevador...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alcebíades e os espartanos e o CD-player com o U2 ficaram no sofá da sala-cozinha, o atirador e a menina punk foram para o quarto, estavam cansados, mas acordados, se beijaram, ele tirou a blusa, ela tirou o casaco, ele soltou o cinto, ela tirou o top, se abraçaram e se beijaram, ele tirou o sutiã dela, ela tirou o jeans e a calça colan, rolaram pelo chão, subiram na cama, rolaram na cama, se beijara, se preencheram, gemeram, sussurraram, trocaram de posição, suaram, beijaram, beijaram, lamberam, beijaram, falaram alto, sentiram prazer, rolaram, caíram da cama, rolaram. Continuaram, ele dominou, ela dominou, ele sorriu, ela foi às nuvens, se amaram, ad infinitum, a noite inteira, amém...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-9023435654621763713?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/9023435654621763713/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/03/betty-punk-e-o-atirador-de-elite-nada.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/9023435654621763713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/9023435654621763713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/03/betty-punk-e-o-atirador-de-elite-nada.html' title='Betty punk e o atirador de elite!'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-4696064615264636725</id><published>2009-03-24T13:34:00.002+01:00</published><updated>2009-03-31T20:17:17.653+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>O Caminho das Folhas - Fotografias (Cap. 4)</title><content type='html'>O cheiro de químicos inebriava o laboratório. O local era dotado de uma atmosfera escura e misteriosa. Havia um “q” de tranqüilidade em tudo. Na escuridão, passos ligeiros e ágeis e mãos de dedos finos tateavam e dependuravam fotos em um varal. Nem uma réstia da usual luz vermelha iluminava a sala. Tudo era perfeitamente organizado, meio a moda antiga. Além do silêncio, apenas o murmurar doce de uma canção. Uma mulher trabalhava. Jaleco branco sobre a roupa. Ilka revelava os últimos trabalhos de Tom, sempre encantada, com a ansiedade aflita de querer ver primeiro as fotografias daquele artista. Era um grande capricho. Ele não a conhecia. Não sabia que era ela quem cuidava de suas revelações. Mas a jovem, dona do Photo, sabia muito bem quem eram seus clientes, e como tratar as fotos de cada um segundo seu tom de voz e o tempo de exposição do material, em uma relação engraçada e difícil de compreender. Repentinamente as luzes vermelhas da salinha se acenderam.&lt;br /&gt;- Laila?&lt;br /&gt;- Como você sempre acerta? Eu mudei o perfume, vim de tênis para não fazer barulho e tudo.&lt;br /&gt;- Eu reparei também. O que foi?&lt;br /&gt;- Seu cabelo está lindo. Não sei como faz essas coisas tão simples e tão bonitas. O Takeshi concluiu as fotos coloridas...&lt;br /&gt;- Veja Laila, olhe como estão ficando... Não são lindas?&lt;br /&gt;- Nossa! São lindas mesmo. Ele surpreende a cada trabalho. Como consegue ver o mundo desse jeito? São detalhes que nunca percebemos. Uma ferrugem no portão, o olho do sapo, cada coisa... Sei lá.&lt;br /&gt;- Que inveja, amiga. Se eu pudesse ao menos vê-las. Mas sei que são boas. Posso sentir. Elas estão repletas de arte, e até as moléculas do papel e do químico sentem isso. É como se o conjunto soubesse o que está compondo, e eu como regente, pudesse escutar a música que a foto exala. É tudo uma questão direta de conversão de energia. Já li muito sobre ele, sabia?&lt;br /&gt;- Do jeito que você fala, às vezes parece que você vê essas imagens, sabe? Pouca gente percebe essas relações que você faz com o mundo...&lt;br /&gt;- Um trabalho de arte de verdade está sempre carregado de uma energia de beleza. Dá pra sentir, ouvir, cheirar, enfim... É quase como se eu pudesse escutar o que as imagens dizem, nesse caso. Eu senti isso quando vi a Venus de Botticelli. Tinha uns 10 anos. Foi quando eu entendi. Meu velho me colocou parada diante do quadro, e depois de outro quadro, e senti a diferença. Foi incrível. É como se saísse um vento diferente de cada obra, como se ela respirasse. Desde então passei a amar arte. Meu pai sempre achou estranho, mas me apoiou. Não é engraçado?&lt;br /&gt;- Eu sei... Você já contou essa história mil e uma vezes. Eu adoro ouvir, mas não dá tempo agora. Então, as fotos coloridas também estão prontas? Posso ligar pra ele? Precisamos ver os outros clientes...&lt;br /&gt;- Não. Vamos esperar essas ficarem prontas. Amanhã, quando abrir eu ligo, às 9h em ponto. Amanhã é dia treze, não é? Aí falo com ele. Aí você para de me encher com essa história de fale com ele, se aproxime, chegue junto, etc, etc..&lt;br /&gt;- É, é treze. Paro de te encher o dia que você fizer ele te convidar pra sair com ele, e me contar como foi tudo depois.&lt;br /&gt;- Ai, não vai ser nada. Você vai ver. Vai ser uma conversa morna, de trabalho. Até parece que ele vai me conhecer e me chamar pra sair, ou que eu vou chamá-lo para sair assim. Vamos nos falar por telefone e marcar um encontro no balcão, só se for. Ele deve ser super profissional. Você vai ver. Alô, alô, as fotos estão prontas, vou buscar, muito obrigado, obrigado o senhor, bla, bla, bla.&lt;br /&gt;- Você passou o trabalho dele na frente de todos os outros mais uma vez. Vamos atrasar outros clientes por isso, sabia? A conversa vai ser morna, mas você vai receber ele depois, e eu vou mexer os meus pauzinhos. Já te falei que minha irmã é colega de uma amiga dele, uma publicitária. Alguém sempre conhece quem você procura em Brasília. Não deve ser difícil alcançá-lo.&lt;br /&gt;- Ai, ele deve ser lindo como as fotografias dele. Fico imaginando como são os traços, como se fossem entalhados na madeira, só que suaves.&lt;br /&gt;- Você e esse seu amor platônico.&lt;br /&gt;- Não ria! Descreva-o mais uma vez. Eu sou sócia majoritária. Mando aqui.&lt;br /&gt;- Por favor, tenho mais o que fazer.&lt;br /&gt;- Não seja cruel.&lt;br /&gt;- Tá bom. Ele tem cara de pastel molhado. É bochechudo, com barba, olhos castanho-claros, é muito objetivo no que fala e se veste igual a um cantor de folk.&lt;br /&gt;- Mesmo com seu sarcasmo ele ainda parece maravilhoso. Como um cantor de folk se veste? Laila se retirou. A luz vermelha se apagou e toda a sala mergulhou em uma imensidão negra. A porta se fechou. Ilka mergulhou na introspecção do lugar e trabalhou sem se distrair. As imagens vivas de Thomas pareciam enxergar no escuro, como elementais da natureza, enquanto a jovem dançava na escuridão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-4696064615264636725?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/4696064615264636725/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/03/o-caminho-das-folhas-fotografias-cap-4.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4696064615264636725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4696064615264636725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/03/o-caminho-das-folhas-fotografias-cap-4.html' title='O Caminho das Folhas - Fotografias (Cap. 4)'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-322228850893196010</id><published>2009-02-16T14:51:00.000+01:00</published><updated>2009-04-08T16:07:04.642+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Neandertais'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escaladores'/><title type='text'>Dear Prudence</title><content type='html'>Com muito bom humor Prudência colocou o material da faculdade na mochila. Fazia muito calor na Europa naquele ano. Ela usava shorts jeans curtos, uma blusinha preta que mostrava o tribal no seu braço, um colar de penas que seu pai trouxera da Amazônia, e tênis grandes. Ela tinha olhos bem verdes, um cabelo loiro que vivia bagunçado, nariz pequeno, lábios rosados e angelicais, levemente tortos para a esquerda, não tinha muito queixo, tinha um rosto arredondado e a parte de cima da cabeça bem redonda, com orelhas grandes, mas proporcionais ao conjunto, era baixinha, tinha cerca de 1,5 metros, cuidadosa, sempre se depilava, coisa não muito comum entre as francesas, tinha a pele cor de pudim de pão, adorava a natureza, era meio bronca, mas muito feminina, mesmo na espalhafatosidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan, o garoto espanhol que fazia artes plásticas fotografou a menina de costas. O “clic” da máquina chamou a atenção de Prudência, que, conhecendo o afair, não se surpreendeu com a imagem colorida e estourada da Polaroid que surgiu diante de seus olhos antes mesmo de ver os buracos negros daquele homem a encará-la. Ele sorriu sem dizer nada. Ela também não disse nada, mas não sorriu. Ainda estavam repletos da noite anterior. Repletos deles mesmos, das estrelas, do telhado, da observação astronômica, das discussões astrológicas, dos embates filosóficos, dos esforços pelo livre pensamento, do sexo de quatro e de pé e com ele deitado sobre ela, e com ela sentada nele, dos orgasmos cansados e do êxtase que os levou a sonhos distantes um do outro, e das parcad duas horas de sono. As mãos dela suavam só de vê-lo, e ele não pensava mais em nada a não ser desenhá-la, descrevê-la, fotografá-la, como objeto de estudo de uma beleza rara e estranhamente mágica e distante que a menina com nome de música Beatle realmente tinha, e que, em geral mais a afastava das pessoas que as aproximava dela. Era mágica, coelho da cartola...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan tinha cabelos e olhos negros, era levemente estrábico, tinha um rosto afinalado, cerca de 1,75, de movimentos delicado, queixo comprido, orelhas pequenas, com barba por fazer, era magro mas forte, tinha um olhar fascinante, brilhoso, sempre perdido em pensamentos, com uma pele cor de neve e lábios finos e sorridentes, com dentes alinhados e fortes como os de um escravo. Com muito carinho ele abaixou a máquina para contemplar os lagos verdes que o encaravam. Vestia uma bermuda preta, sandália, tinha o pé todo tatuado de formas indígenas sioux norte-americanas, dedos longos, movimentos ágeis, pautados pelo Tai-chi-chuan, refinado, amante das coisas novas e do desconhecido. Gostava de tocar violão e ouvir sua “rareza” (como ele se referia a Prudência quando estavam sozinhos) tocar flauta, de viajar. Ela lhe roubou um beijo estalado e, ainda sem dizer nada, saiu andando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda tinha o gosto dela nos lábios. Os risos desmesurados e os gestos estabanados de menina-mulher que gemia na cobertura da pensão universitária. Ela ainda guardava no quadril aquela força que ele imprimira uma vez após a outra, até o esgotamento. Aquelas palavras doces e os passeios de dedos saborosos. Era apenas furor de paixão. Coisa que ia e vinha e que só, não tinha muito valor. Ainda cultivariam um amor, algo sólido e permanente, que seria aceso como uma pira olímpica, com a flecha efêmera que acabara de flamejar. Era só o nascimento, por isso era tão vanglorioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem da jovem caminhando remeteu o rapaz à galáxia de Andrômeda. Ele quis ser Perseu, para ser herói, e astronauta, para viajar àquele corpo celeste, e viu os passos curtos da jovem, sem acompanhá-la, meio sem sentido, refletindo com uma estrutura de pensamento zen-budista, se deixando levar por afluentes naturais da reflexão, viu-a feita de barro, pensou que ela não era realmente Andrômeda, mas que a nível atômico era um ninho inteiro de galáxias, tão minúsculas que seus olhos jamais poderiam perceber, mas grandiosas, com explosões, supernovas e caminhos que, em macroproporções, foram alento para seu falo e sua língua de prazer na noite anterior, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ouviu os passos do rapaz indo em sua direção. Queria ser devorada ali mesmo, mas mantinha a compostura. Era distinta. Sua língua molhava involuntáriamente seu lábio. Era um cacoete que tinha quando sentia tesão. Apressou o passo. Ele a alcançou. Caminhou ao seu lado. As costas das mãos um do outro se tocaram como que em segredo. Ela morreria antes dele. Eles não teriam filhos. Suas vidas simples fariam parte de um todo que contribui para que a humanidade passe um pouco melhor os longos séculos de Idade Média que chegaram. Um avião cruzou o céu. Lama vale mais que palavras. Buda é esterco seco. Ninguém pode dar valor à cabeça de um gato morto. Deus está mais próximo de nós que nossa jugular. Ele é o caminho, a verdade e a vida. Juan morreria sem saber que se casou com a última neandertal que pisou o planeta Terra...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-322228850893196010?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/322228850893196010/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/02/dear-prudence.html#comment-form' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/322228850893196010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/322228850893196010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/02/dear-prudence.html' title='Dear Prudence'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-4277622144856271999</id><published>2009-01-03T02:17:00.001+01:00</published><updated>2009-03-31T20:18:06.760+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>O Caminho das folhas - Despedida (Cap. 3)</title><content type='html'>Quanta gente. Não chora. Me abraça. Ninguém esperava por isso. Pobrezinha. Dizem que o lado direito ficou irreconhecível. A Rafa era demais. Não vai ser a mesma coisa sem ela. Como arranjava tanto tempo? Ela fazia tudo. Ainda dava pra matar aula e jogar Totó. Eram só os dois. Os pais já tinham morrido em um acidente de avião. Que tragédia. Ele ficou só. Aquele sorriso engraçado, grande. Por isso ele não quer ficar. Só vai fazer o discurso. É? É. Chegar, fazer o discurso e partir. Olha só quanta gente. Era uma menina feliz. São amigos da faculdade. Fica aqui. Vamos lá pra fora. Você vai se sentir melhor. Ela me disse que estava preparando. Lembra que ela fez o dinossauro de papel com cola e arame? Ficou igualzinho. Não sei como serão os dias sem ela. Quando o Claudio me ligou, não acreditei. Não fica assim. O Paulo saiu do coma, mas o Henrique ainda não. Não é hora de falar sobre isso. Meu deus, como dói. Vem cá, me abraça, isso. Ela é que estava dirigindo. O pneu traseiro caiu na vala e saiu, daí ela perdeu o controle. O Marcos que recebeu a notícia primeiro. Parece que a mãe dele é orientadora do João, e eles são muito amigos. Ele me ligou e saímos ligando pra todo mundo. Muito foda dar uma notícia dessas. Senta aqui. Toma um lenço. Lembra daquela dancinha? Ela e as meninas da monitoria que fizeram. Foi muito engraçado. Estranho, né, amanhã ela não vai estar mais lá. Voou em cima da manilha. Rafa, volta... Por quê? A mídia não dá um tempo. No enterro. Calma, João. Como está o Tom. Arrasado. Dê licença, amigo. É melhor que você vá embora. Já dissemos tudo que tínhamos que dizer. O irmão dela fará um discurso e deve acompanhar o cortejo. Se conheceram na escolinha de futebol, no final dos anos 80. É por isso que o caixão ficou fechado. Façam fotos de longe, se quiserem, mas, por favor, nada de entrevistas. Não, senhorita, ele não vai falar com ninguém. Alguém segura o João, ele está muito bravo. Vamos pra dentro. Me desculpe. É um momento difícil. Meus pêsames. Ela era minha melhor amiga... Entendo seu lado. Era tão feliz. Conhecia aquele caminho como ninguém. Por causa de um cinto de segurança. Mas ela não era de andar sem cinto. Será que ainda demora? O professor chegou. A coordenadora do curso também veio. A gente precisa ficar unidos. A Thalia está passando mal. Alguém tira ela daqui. As crianças do orfanato também vieram. Deve ser o velório mais cheio dos últimos meses. Senta aí. Toma um gole d’água. Ela não consegue nem falar. Era uma menina feliz. Dá o maior desespero. Merecia uma despedida feliz. Não ia querer ver todo mundo assim, tão baixo-astral. Mas é tão difícil. Tão difícil... Ela era a líder da trupe. O irmão não chegou até agora. Espero que não venha. Pobre Thomas. Tom é forte. Ele vai agüentar. Não sei não. Ela era tudo para ele. Sumaya, não fica assim. Senta aqui. Vamos sair e caminhar um pouco. Talvez fiquemos melhor. Ela ia gostar. Tudo lembra a Rafa. Que merda. Calma, Túlio. Vem comigo. Não fica aqui. Rafa, volta... Por quê? Mas é tão difícil. Tão difícil... A Cálida que falou. Namorada do João. Matheus! Vem pra cá. Fica com o pessoal da faculdade. Fizemos uma faixa. Pobrezinha. Dizem que o lado direito ficou irreconhecível. Meus pêsames. Vamos cantar aquela música, aquela que ela gostava. Quase morri, há menos de trinta e duas horas... Tão triste e tão lindo, todo mundo unido. O João saiu. Foi lá pra fora. Não está agüentando muito também. Eles eram muito amigos. Ele é ex-namorado dela. O Tom ficou puto na época, lembra? Mas eles eram muito amigos. Ele mesmo reconheceu que era só ciúmes. Pena não ter dado certo. Abaixa aqui. Senta, vai, você não está bem. O pneu traseiro caiu na vala e saiu, daí ela perdeu o controle. Os meninos ainda estão em coma. Não. Um saiu hoje de manhã. Que bom. Foi terrível. Não fica lembrando. A Cris não conseguiu falar uma palavra desde que chegou. Está ali, com o Chico. O pessoal cantando. Que bonito. São as pequenas coisas, que valem mais... Não cabe todo mundo na capela. Ela vai ficar no túmulo ao lado dos pais. Em um acidente de avião. Fala baixo. O Lucas. Era o ficante dela. Ele vinha em outro carro. Tinha se atrasado. Estava com mais um pessoal. Quando chegou no local do acidente a polícia já tinha chegado. Não dá pra acreditar. Queria arrancar isso de mim. Por que ela fez isso comigo. Eu sei. Eu sei. Oi João. Ola. Essa é minha namorada, Cálida. O Tom ainda não veio. A Márcia foi buscá-lo. Não. Arrasado. São os tios do Tom. Vieram de Rio Grande. Está bem cheio. Essa é Cálida. Muita tristeza... Dá pra sentir. Assinem o livro. Com licença, aqui que é a capela da Rafaela. Somos do Espaço Cultural, da 508. A turma de teatro. Alguém me ajuda aqui! A Thalia desmaiou. Lucas, vamos levar ela pra fora. É bom que você sai um pouco também. É um momento difícil. Meus pêsames. O João saiu. Foi lá pra fora. Mas é tão difícil. Tão difícil... Rafaela era uma bagunceira. Menina feliz. Professor, me dá um motivo. Me abraça, Glenda, me abraça. Também não sei. Tão lindo o pessoal cantando. Acho que ela deve estar sorrindo, olhando pra cá, dizendo que somos uns bobos. Para, vai. Que saudades. Só por hoje, eu não quero mais chorar... Ela ia me buscar em casa, mas eu tava com dor de cabeça. Que merda, cara. Não entendo por que. São as crianças do orfanato. O pessoal da faculdade. Uma galera da 508 Sul. Amigos de bloco. Muita gente veio e já até foi. Os jornalistas não dão uma folga. São uns urubus. Não dá pra aceitar, não dá. É tanta coisa. Aceitar, o que passou, o que virá... Porque que deus faz isso? Tenta ser forte pelas meninas. Aquele é o Jonas, o mais velho deles. Ela dava aula de matemática pra ele. Arruma o microfone. Já testou o som? Já está tudo testado. Ele vai falar e depois vamos para o cortejo. Vou ficar aqui fora mesmo. Não quero ver não. Era tão bonita. Que trágico. Tom é forte. Ele vai agüentar. Aquele sorriso dela vai ficar marcado em nossas almas. Ela era a líder da trupe. O irmão não chegou até agora. Espero que não venha. Vai ser muito sofrimento. Ele não precisa. Já perdeu a irmã, arrumou tudo isso. Não sei se seria melhor. Não sei. Está melhor. Ainda bem que o Wagner te segurou. Vou ficar sentada aqui. Fica também, Lucas. Ele está chegando. Vi o carro da Márcia. A Graziela está com eles. É o pessoal da agência de fotografia. Colegas de trabalho. Não quero enterrar ela. Não quero. Para. Por favor. Me abraça. Ainda dá pra ouvir o sorriso. Era uma risada tão gostosa. Fã de Legião, Paralamas, Cássia Eller... Por isso eles estão cantando. Fica aqui também, Túlio. Acho que só agora eu começo a perceber... João? Ele está chegando. Quer ajuda? Não. Vamos só acompanhar. Caramba, ele emagreceu! Se arriscando, a me perder assim, ao me explicar o que eu não quero ouvir... Nem parece que foi ontem. Meus pêsames, cara. Obrigado. Obrigado João. Relaxa cara. Que é isso? O pessoal da faculdade! Oi gente. Nossa, está cheio mesmo. Olha lá, é o Tom. O pessoal do orfanato. Obrigado por terem vindo. Estuda, viu garotão? Obrigado. Vai fazer falta, né? Se precisar, estamos aí. Obrigado. Tio! Calma, rapaz, calma... Tia... Vai, meu filho, estamos com você. Vou tentar. Não precisa, se não quiser. Com licença. Silêncio. Presta atenção, ele vai falar. Está ligado? Está. Bom dia. Obrigado por terem vindo. Meus tios cruzaram o País. Cada um venceu uma limitação para se despedir... De uma pessoa... Se despedir de uma pessoa tão especial. Estava pensando em uma música dos Beatles... Eu sei que é da época dos nossos pais, mas ela gostava muito. Sempre fomos ligados a eles. Essa música... Ela... Baby... Vou sentir tanta saudade de você... A casa está tão vazia. Dói muito. A Rafaela... A Rafa foi como um cometa... Um cometa... Um cometa... Ela... Me desculpem... A Rafa, ela sorria tanto. Era um anjo. Um anjo lindo. Quando fiquei sabendo... Acho que... Acho que... me desculpem. Não sei se consigo fazer isso... Vem comigo, cara. Não precisa. Me abraça. Vamos sair logo com o cortejo. É melhor. Obrigado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-4277622144856271999?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/4277622144856271999/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/01/o-caminho-das-folhas-despedida-cap-3.html#comment-form' title='23 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4277622144856271999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4277622144856271999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2009/01/o-caminho-das-folhas-despedida-cap-3.html' title='O Caminho das folhas - Despedida (Cap. 3)'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>23</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-8412295638891146451</id><published>2008-12-23T12:58:00.006+01:00</published><updated>2008-12-23T14:07:00.697+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Especial de Natal Casa das Mentiras</title><content type='html'>O homem de terno marrom avançou em meio às pessoas da feira, com passadas fortes e firmes. Passou pelos melões, pelos pimentões, pelas cenouras, por uma velha com a sacola enorme, pela mãe com o filho, pelo namorado com a namorada, pelo tomate, pelas mangas, pelo casal de velhinhos, pela figura de burka, pelo rabino, pelo judeu, pelo homem negro de roupas colorida e pelos americanos. Ele movia todo o seu corpo para frente com o olhar fixo e uma determinação elevada, para que seu espírito não o traísse pelo medo. Puxou o homem de terno cinza, que sorriu por uns instantes ao vê-lo, e socou-lhe a face.&lt;br /&gt;Antes que a vítima pudesse se dar conta do que estava acontecendo, o agressor marrom socou-lhe novamente a face e o derrubou no chão. As pessoas se amontoaram. Uma mulher gritou. Homens se aproximaram para apartar, mas não conseguiram deter aqueles braços contrariados e fortes, que pareciam, incrivelmente, agir por dever. E, tomado por uma ira, o homem de terno marrom sentou sobre o homem de terno cinza e deu-lhe mais três tapas, até que o outro finalmente desse conta do que estava acontecendo e elegantemente afastasse o brutamontes para longe de si sem muita dificuldade.&lt;br /&gt;O homem de terno marrom estava aos prantos, enquanto o agredido recompunha-se sem uma gota de raiva no olho, embora tremesse um pouco e tivesse sangue nos lábios e os olhos bem abertos. Depois que estavam de pé, frente a frente, o homem de terno cinza finalmente respirou e começou a falar enérgico. As pessoas que se detiveram por alguns momentos enquanto brigavam, voltaram a caminhar comentando o ocorrido sem entender e fazendo especulações diversas. Curiosos, atentos e pessoas bem e mal intencionadas seguiram seus caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que me bates? Não tínhamos conversado? Não estávamos resolvidos? Achei que não te devesse mais nada! Mas agora, aqui, em praça pública, me humilhando na frente de todos esses desconhecidos, você me soca a face!? O que queres que eu pense? Já fiz tudo que podia ser feito! Já te pedi desculpas!&lt;br /&gt;- Não se trata mais de você. Não te bato por ódio, e nem por rancor!&lt;br /&gt;- Recomponha-se! Pare de chorar. Não há necessidade disso. Se me feres, quem deveria se verter em lágrimas sou eu, e não tu. No entanto não choro, então também não tens motivo.&lt;br /&gt;- Choro porque sofro em te infringir dor. Por que ao te ferir me machuco ainda mais.&lt;br /&gt;- Não entendo então. Já te pedi perdão de joelhos! Se sofres tanto em me agredir, se isso não te trás nenhum alívio, porque me esbofeteaste?&lt;br /&gt;- Você sempre foi mais forte! Mesmo eu sendo maior, você sempre foi melhor de briga que eu! E mais ainda, sua força moral sempre esteve acima da minha, muito mais elevada. Mesmo que você tenha me ferido de um jeito que nenhuma dor física consiga me atingir, meu amigo, meu irmão, continuo sentindo essa força espiritual inspiradora emanar de você e me guiar pelos caminhos do mundo como um mestre... Você sempre esteve acima para mim...&lt;br /&gt;- Não compreendo. Aonde queres chegar? Queres novamente que eu te peça perdão por tudo que fiz? Se quiseres, eu peço, aqui, de joelhos, em frente a todas essas pessoas. Não me custa. Não é demais para mim. Somos irmãos. Teu perdão vale mais que meu orgulho. Não temos o mesmo pai ou a mesma mãe, sou rico e tu és pobre, mas eu te amo e nem Allah pode mudar isso. Eu te peço: perdão, meu irmão. Pequei contra ti e contra meu espírito. Te peço perdão.&lt;br /&gt;- Não é isso. Não quero que me peças perdão novamente. Não te humilhes. Levante-se, por favor...&lt;br /&gt;- O que queres então? Porque me esbofeteaste?&lt;br /&gt;- Precisava... Precisava ter certeza...&lt;br /&gt;- Certeza de que?&lt;br /&gt;- Certeza de que realmente lhe perdoava, com o meu coração, com o meu espírito, e que não fazia isso por covardia ou impelido por tua grandeza, por interesse pessoal.&lt;br /&gt;- Irmão!&lt;br /&gt;- Por que me olhas assim? Estás a chorar tu agora?&lt;br /&gt;- É que agora me sinto realmente perdoado. Compreendo a essência e o valor dessa palavra como nunca. Não há mais arrependimento, porque vós me perdoastes. Muito obrigado, irmão! Muito obrigado. Allah foi muito generoso de pô-lo em meu caminho. Tu és um homem superior. Toda a dor que me causaste agora a pouco tornou-se em redenção!&lt;br /&gt;- Pare de chorar tu agora, que estás a me envergonhar. Dá cá um abraço, meu irmão querido! Não vamos brigar mais.&lt;br /&gt;- A partir de hoje este dia será considerado feriado em minha família, e trocaremos presentes em tua homenagem! Sumaya vai preparar um belo jantar hoje. Poderias passar lá em casa para nos saudar com tua presença, para comemorarmos esta data especial.&lt;br /&gt;- Claro...&lt;br /&gt;- Acreditas que...&lt;br /&gt;- Sim, com certeza...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Apresentamos o &lt;strong&gt;Especial de Natal Casa das Mentiras!&lt;/strong&gt;. Em breve voltaremos com mais sobre a saga &lt;strong&gt;O Caminho das Folhas&lt;/strong&gt;, e a história de Thomas, Ilka e Rafaela. &lt;strong&gt;Feliz Natal a todos!!!&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-8412295638891146451?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/8412295638891146451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/12/especial-de-natal-casa-das-mentiras.html#comment-form' title='24 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8412295638891146451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8412295638891146451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/12/especial-de-natal-casa-das-mentiras.html' title='Especial de Natal Casa das Mentiras'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>24</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-3950750209852348839</id><published>2008-12-17T02:19:00.000+01:00</published><updated>2009-03-31T20:18:06.760+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>O caminho das folhas - A festa (Cap. 2)</title><content type='html'>Cheiro de expectativa no ar. 16 de abril. Tudo decorado. Balões vermelhos, verdes e brancos. As mesmas cores no xadrez das roupas dos garçons. O estúdio de paredes roxo-cinzento estava todo decorado, igual a um salão de festas. As cortinas estavam fechadas e o som desligado. Os convidados eram servidos em suas mesas. João afinava uma guitarra no volume mais baixo. Tom ia chegar a qualquer momento. Era uma surpresa. Uma grande surpresa. Ele tinha 27, mas não era seu aniversário. Rafaela corria para lá e para cá. O interfone tocou. O porteiro avisou que o dono da casa estava subindo. Todos apagaram as luzes. A menina preparou o próprio triunfo, que era comemorar o triunfo do irmão. Silêncio.&lt;br /&gt;Rafaela estava com a razão. Ele fora aprovado com mérito. Foram quatro anos de estudo. As coisas deram certo rápido demais para ele. Era agora mestre em fotografia e comunicação visual pela Universidade de Brasília. Ele parou o carro, caminhou contente pelo piloti, ansiando chegar em casa e contar tudo para a irmã. Esperava um cafezinho, e depois trabalhar nas fotos que o GDF encomendara para a festa de gala de aniversário de Brasília. Um silêncio cairia muito bem. O porteiro estava estranho aquele dia. O fotógrafo entrou na portaria, entrou no elevador e parou no corredor do primeiro andar. A luz se acendeu. As paredes branco-gelo e a samambaia de mentira em um grande vaso o cumprimentaram.&lt;br /&gt;Estouros, cornetas, confetes e serpentinas no ar. Thomas abrira a porta. Um imenso grito de surpresa o deixou paralisado. Os Paralamas começaram a tocar Vital e Sua Moto. Rafaela pulou de chapéu, língua de sogra, colar de flores havaiano e nariz de palhaço em sua frente. Estava com aquele sorriso que era um sorriso sempre ideal, com convinhas, maroto, engraçadinho. Ele fora pego. Não tinha escapatória, mas estava feliz. Aquela diabinha. A levantou no colo e girou. Ela gritou. Ele a soltou. Muitos vieram lhe dar os parabéns. Abraçou João, seu eterno irmão de aventuras, cumprimentou os colegas de faculdade da irmã, inclusive o tal Lucas. Sorriu para todos e atendeu o telefonema dos tios do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;Muita lasanha, vinho tinto, macarronada e profiterolis para a sobremesa. Belle and Sebastian, Franz Ferdinand, Gal Costa, Caetano Veloso, Legião Urbana, Pink Floyd e Beatles. O volume foi abaixando. O número de pessoas foi diminuindo. Os carros na rua foram desaparecendo. A euforia foi chegando ao fim. Thomas beijava Graziela. Se atracavam. Os garçons estavam exaustos quando finalmente se foram. Os visinhos já haviam reclamado. A casa pareceu mais deserta que o habitual. Havia muito lixo. A garota beijoqueira da agência de publicidade ficou por último com João e Cálida para ajudar os irmãos. Depois ficaram sentados na cozinha, tomaram café e falaram sobre a vida. Tom contou como foi sua banca. Como desbancou.&lt;br /&gt;Passava das 3h. Rafa abraçou o irmão com força. Ele sorriu. Estava com olheiras, esgotado. Ela também. Os planos de trabalhar naquela noite foram por água abaixo. O som alto ainda reverberava em ecos, latejando na cabeça dos cinco. Grazi, então, foi embora. João abraçou o amigo novamente. Cálida se despediu. Eles insistiram para o casal ficar. A caçula sorridente trancou a porta quando enfim estavam sós. Tudo voltara ao normal. Mais ou menos. Era uma nova fase para o mais velho. Mas ainda eram os mesmos. Ele levou o porta-retratos do quarto para a cozinha, e trocou a foto da geladeira, com Rafaela de palhaça, pela foto dos irmãos abraçados na creperia. Nela estava escrito: “Garotos perdidos! Eternamente unidos”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-3950750209852348839?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/3950750209852348839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/12/o-caminho-das-folhas-festa-cap-2.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3950750209852348839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3950750209852348839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/12/o-caminho-das-folhas-festa-cap-2.html' title='O caminho das folhas - A festa (Cap. 2)'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-5258183947764169563</id><published>2008-12-04T02:57:00.002+01:00</published><updated>2009-03-31T20:18:06.760+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>O caminho das folhas - Queda livre (Cap. 1)</title><content type='html'>Era 13 de setembro. Tom abriu os olhos de manhã. Estava com o rosto inchado. Sentia ressaca. Sua barba castanha estava desgrenhada na face. Sentiu um mormaço na boca. Procurou por Rafaela, mas ela não estava em casa. As janelas estavam todas abertas. Uma luz clara, de dia ensolarado, entrava por todos os lados. Ele levantou-se e caminhou de cueca e camisa sem manga branca pela casa. Coçou a bunda e fungou com o nariz. Tossiu e pigarreou. Na cozinha, um recado em cima da mesa. Ele levantou e aproximou o papel dos olhos. Estava sem lentes. “Fui ao Poço Azul com uns amigos, não me espere para o almoço. PS: A Ilka, do photo, te ligou. Disse que você pode ir buscar os quadros. Peguei o Ka. Beijos, mano”. Ele olhou o relógio de pingüim sobre a geladeira. Eram 9h20 e pouco. Pigarreou novamente e foi vestir-se. Era uma bela sexta-feira.&lt;br /&gt;A agenda de Tom estava vazia. Ele gostava de reservar uma sexta por mês, pelo menos, para ficar com amigos, beber e olhar a cidade. Alguém tocou a campainha. Ele gritou que esperassem. Cuspiu a pasta na pia, bochechou, limpou a barba e os olhos e enxugou o rosto rapidamente, vestiu as calças desajeitadamente, e ainda descalço e com a blusa cavada branca, correu para abrir a porta sem pentear os cabelos. Quem seria? Quarto, corretor, cozinha, estúdio fotográfico, porta da rua. Era um policial militar. Ele abriu a porta e sorriu. O homem tinha um olhar estranho. Tom ficou sério. Por um momento, não era um policial, mas um homem fardado, e carregava consigo um fardo sobre a farda e o olhar de quem ia passá-lo adiante. O medo perpassou a garganta do jovem fotógrafo. Ele tossiu breve e contido. Tudo parecia eternamente lento, embora segundos se passassem. Eles se encaravam. Ele convidou o homem para entrar, mas a princípio ele não aceitou. O homem tinha um papel em mãos, e leu alguma coisa antes de falar...&lt;br /&gt;- Senhor, o senhor é Thomas Braga?&lt;br /&gt;- Algum problema?&lt;br /&gt;- O senhor é irmão de Rafaela Stacciarine Braga?&lt;br /&gt;- Rafaela? Sim. Por quê? Alguma coisa errada com ela? Ela está bem?&lt;br /&gt;Tom sentiu o coração disparar. O que um policial estaria fazendo em sua casa pouco antes das 10h da manhã para falar sobre Rafaela? Ele não queria escutar o homem de cinza, queria apenas vê-la. Tentou não pensar no pior. O sangue subiu para sua cabeça. Seus olhos ficaram fixos no homem da lei. Ele esperou que ao pessoa diante dele dissesse mais alguma coisa.&lt;br /&gt;- Senhor, sinto dizer, mas ela sofreu um grave acidente de carro, na estrada que dá acesso a Brazlândia. Não senhor. Sinto muito. Morreu antes mesmo do socorro chegar ao local. Acalme-se. Senhor Thomas, por favor apóie-se no meu braço. Isso. Vamos entrar. Venha comigo. Me guie pela casa. Procure respirar. Onde é a cozinha? Isso. Isso mesmo. Sente-se nessa cadeira. Vou pegar uma água para o senhor. Mantenha a cabeça abaixada, assim, sua pressão baixou muito. Quer que eu ligue para alguém? Não pode dirigir assim. O senhor tem alguém para te acompanhar no IML? O senhor terá de ir ao IML. Não é bom que o senhor dirija nesse estado. Quer que o leve?&lt;br /&gt;- Não. Liga pra alguém. É melhor. Liga... Liga nesse número – aí na geladeira.&lt;br /&gt;- Um momento senhor. Onde está o telefone?&lt;br /&gt;- No estúdio, perto da porta.&lt;br /&gt;- Só um instante. Já volto. Tome essa água. Quer que chame um médico?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Um momento. Alô! Senhor João? Aqui é o cabo Fontoura da Polícia Militar. Sim. Isso mesmo. Ricardo Fontoura. Estou na casa do senhor Thomas. Não, ele não está bem. Não. Ele perdeu um parente. Disse que eu poderia te ligar. Para o senhor vir vê-lo. Já está a caminho? Vou avisar. Sim. Por nada. Ok. Pode deixar. Senhor Thomas? O senhor está melhor? Tem certeza de que não quer que eu chame um médico? O João já está a caminho. Esse é meu número. Se precisar, pode ligar. Posso esperar por ele, se preferir...&lt;br /&gt;- Não. Não quero. Vá embora, por favor. Muito obrigado. Preciso entender o que está acontecendo. Vá embora, por favor. Eu quero ficar só. Eu sei. Não, não vou fazer nada. Me dê licença. Saia da minha casa. Eu vou ao IML. Vou esperar o João. Já tenho seu celular. Muito obrigado. Agora, vá embora, por favor. Por favor.O cabo não foi realmente embora. Ficou na porta da casa de Thomas, com ouvidos acurados, escutando barulhos, com medo de que ele fizesse alguma besteira. Tom, por sua vez, não se importou de que o homem ficasse em sua porta. Nem o viu, para falar a verdade. Nem se lembrou dele depois de encostar a porta, que era de ferro, pesada, de um azul bem escuro, com um olho mágico no meio, e sobre o olho, do lado de fora, o número do apartamento: 111. Não sentia vontade de chorar. É como se não entendesse o que estava acontecendo. Não tinha alma, não tinha sentimentos. Estava pálido, vazio, sentia-se tonto e desorientado, e uma dor sem tamanho fazia com que suas energias se esvaíssem por todos os poros de seu corpo como uma torneira aberta que desperdiça água. Suava frio. Ele voltou para a cozinha e sentou-se novamente. O copo de água, ainda pela metade, estava inerte sobre a toalha de plástico amarelo que Rafaela tinha comprado. As canecas engraçadas da menina estavam dependuradas na parede, como olhos que o encaravam. O copo ainda sujo de leite estava sobre a pia, como um sorriso amarelo e sem jeito, pois ela nunca lavava louça pela manhã. A casa era intocada. Tudo transpirava a alegria jovial de Rafaela. Eles só tinham um ao outro. Ele foi entendendo aquilo. A notícia foi se misturando à realidade. Se misturando. Sua cabeça girava mais e mais. Rafaela estava no silêncio, na solidão, na ausência, em um recado que acidentalmente fora parar no chão, na foto dos garotos perdidos, no nariz de palhaço, no ladrilho laranja, nas roupas espalhadas no quarto de empregada, no porta-retratos, mas subitamente não estava mais ali. Ele deu um grito de agonia, liberando todo seu inconformismo, cerrando os punhos, se contorcendo. Bateu, em um espasmo violento, no copo, que se quebrou, cortando-lhe as costas da mão. O vidro e a água se espalharam pela mesa e pelo chão. Um pouco de sangue gotejou. Ele apoiou a cabeça nas mãos e os braços nas pernas e chorou como uma criança, e caiu no chão, em decúbito dorsal esquerdo, e encolheu-se em posição fetal, socando o piso, com o estômago pegando fogo, com as veias na fronte a ponto de explodirem, hora sussurrando, hora gritando, com lágrimas intermináveis e muco sujando seu rosto, sua barba, seus cabelos, na esperança que Deus ouvisse suas súplicas, seus palavrões, sua revolta, que Rafaela entrasse pela porta sorridente e prática, que fosse mentira, que fosse um trote ou um pesadelo, até a última réstia de força, afogado em agonia, e apenas sussurrava sonolento quando João, com seu casaco de flanela, também em prantos, o ergueu e o levou para o quarto sem dizer uma palavra. Num ato sereno em meio à tragédia, os amigos se arrumaram em um silêncio agônico, e dirigiram pelas vielas de Brasília rumo ao Instituto de Medicina Legal. Na Rádio Notícias, uma repórter falava do acidente que deixou dois jovens em coma, em estado grave, e fez uma vítima fatal, a estudante de arquitetura do Centro Universitário de Brasília, Rafaela Stacciarine Braga, de 19 anos. John desligou o aparelho antes que a matéria terminasse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-5258183947764169563?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/5258183947764169563/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/12/o-caminho-das-folhas-queda-livre-cap-1.html#comment-form' title='19 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5258183947764169563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5258183947764169563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/12/o-caminho-das-folhas-queda-livre-cap-1.html' title='O caminho das folhas - Queda livre (Cap. 1)'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>19</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-2195849032163188314</id><published>2008-11-28T14:50:00.003+01:00</published><updated>2008-11-28T14:55:26.110+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Linha Tênue</title><content type='html'>A vida é um punhal&lt;br /&gt;Um punhal, qual faca de dor&lt;br /&gt;Faca da vida, curta e alheia,&lt;br /&gt;Longa e distinta,&lt;br /&gt;Um punhal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é faca, é lâmina,&lt;br /&gt;Metal frio e fino,&lt;br /&gt;Fio de navalha que separa a carne,&lt;br /&gt;Que fere a pele&lt;br /&gt;E abre sulcos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é um corte profundo,&lt;br /&gt;Que se esvai,&lt;br /&gt;Que toma em goles a si mesma,&lt;br /&gt;Que se derrama no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver é morrer,&lt;br /&gt;Morrer é lutar,&lt;br /&gt;A vida é lança carrasca,&lt;br /&gt;Corrente que arrasta,&lt;br /&gt;Punhal a cortar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é fera ferida,&lt;br /&gt;É gato manco que corre na relva,&lt;br /&gt;É Cristo na cruz,&lt;br /&gt;É sangue que derrama,&lt;br /&gt;É réstia de luz.&lt;br /&gt;Vida é vida... é morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que fatal, fatalmente,&lt;br /&gt;será ferido a faca?&lt;br /&gt;Faca da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-2195849032163188314?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/2195849032163188314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/11/linha-tnue.html#comment-form' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2195849032163188314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2195849032163188314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/11/linha-tnue.html' title='Linha Tênue'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-3990922657540083768</id><published>2008-11-19T21:13:00.007+01:00</published><updated>2008-11-19T21:30:28.230+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escaladores'/><title type='text'>Nas pequenas coisas</title><content type='html'>Antenor, em suas andanças, acabou por se deparar com uma garota diaba que não tinha quase nada de brasileira. Só o idioma e a nacionalidade. Era Vanessa, a menina rica. Era quase exótica, filha de gente estrangeira, sem modelos, sem limites, sem desejos, sem saber o que fazer com a dádiva que o universo nos deu de viver (e que erroneamente atribuímos a nossos pais, sem saber que não precisamos tanto deles assim), totalmente libidinosa e serviçal, ao mesmo tempo que era mandatária. Na verdade era por isso que ele a via como uma diaba. Não ter o que fazer da vida é ser meio diabo, já que essa criatura-deidade-cristã (terceiro Deus dessa religião falso-monoteísta), foi banida para o inferno com suas hostes e séqüitos verminosos de amaldiçoados, para não ter função na criação. E foi nessas circunstâncias, imerso no tédio de sua condenação, que o satanás resolveu importunar os homens, filhos de Deus e primos em primeiro grau dos anjos.&lt;br /&gt;Na verdade, nem eu, nem Antenor e nem Vanessa somos crentes desse tipo de história. Mas aqui ela é uma metáfora que nos cabe muito bem para dizer que a princesa do Nada era insaciável e sem desejos, que queria tudo e nada, e com sua poderosa noção de livre arbítrio virava do avesso a alma, a mente e o poder sexual de nosso herói. Aliás, segundo o próprio e muito sábio Antenor, não se deve dar muito ouvido a histórias e inclinações religiosas de nenhum tipo e de nenhuma cultura, a não ser para metaforizar a vida, afim de entendê-la melhor. Mas ele a encontrou em um barzinho subterrâneo (aí está mais uma proximidade com os infernos), em uma quebrada da Asa Norte, e é isso que importa agora.&lt;br /&gt;Nesse ponto da curta história de Antenor e Vanessa entram as estrelas e os planetas, pois aquele casal viril, dado ao sexo e às coisas da carne de modo um pouco aterrador e espiritualizante, não tinha nada para se encontrar, mas se encontrou. A história mesmo não é curta, mas aqui ela vai ser, embora para os moldes da rede mundial de computadores ela seja até um pouco longa. Mas a astrologia entra nessa hora porque a conjunção dos planetas e a vida na terra fez com que duas pessoas, pouco parecidas mas com muitas coisas em comum, que levavam vidas distintas e distantes embora morassem na mesma cidade, se encontrassem assim do nada, como que por fruto do acaso, em um bar onde a música era ruim e que ambos haviam entrado de cara torcida e com vontade de ir embora, em um acontecimento constrangedor.&lt;br /&gt;A vida é mesmo um jogo de sinuca, ou mesmo o universo o é, pois foi jogando sinuca, em uma tacada já perfeitamente calculada que no entanto saiu pela culatra (note que “culatra” é uma palavra que lembra “cu”), que Antenor derrubou a cerveja de Vanessa e pode então participar daquele mundo insosso e se deliciar daqueles lábios finos de princesa presa na torre e deitar-se, depois, sobre aquele corpo febril e deflorar a jovem com força, firmeza e ternura, e beber aquele caldo indigesto que lhe tomava o juízo. Mas chega de sexo por agora.&lt;br /&gt;Ele puxou o taco para trás. A ironia aqui está nas probabilidades: primeiro, a tacada de Antenor ia decidir o jogo, e ele e Leon iam ganhar de Akira e Caetaninho, pois as bolas iam se configurar na mesa depois do acerto de uma maneira tal qual interplanetária que ia favorecer os dois mais jovens e mestrandos em comunicação, e derrubar Takeshi e Sólon, os professores de física do Colégio Objetivo (As Melhores Cabeças!) e camaradas de preserpagem dos dois primeiros durante o segundo grau; segundo, se ele não acertasse, o que era muito difícil de acontecer perante as possibilidades existentes, a jogada de Sólon ia configurar aquele universo relativo de planetas numerados de forma tal que o neutralizaria, o que era impossível que eles soubessem, mas lógico perante as leis da física e a habilidade e escolhas do grupo, e por uma seqüência de venturas, aos poucos, na seqüência de acontecimentos sinucosos, os meteoros e seres celestes do retângulo verde seguiriam para uma posição favorável não ao herói, mas os amigos dele, já que nenhum dos camaradas ali presentes eram de fato vilões; e terceiro, porque dizem que quem tem sorte no jogo tem azar no amor, e vice-versa. É difícil de entender, mas é irônico mesmo assim.&lt;br /&gt;Na hora em que ele puxou o taco para trás na ânsia de caçador, na hora de atingir a presa desavisada, de destruir a civilização pecadora, de encaçapar e remodelar a mesa em nome da vitória dele próprio e de seu camarada Leon, Antenor bateu no copo de cerveja de Vanessa, que, desavisada, caminhava bem atrás do rapaz. O choque fez com que a cerveja da menina se derramasse na blusa branca, que ficou um pouco transparente, revelando um sutiã de inúmeras Betty Boop pequenininhas, e a tacada do rapaz se alterou no sobressalto de tal maneira que ele bateu na bola de um jeito estranho, ridículo e desengonçado, fazendo-a pular, rolar bem devagarzinho e não acertar nada, favorecendo totalmente a dupla de professores do ensino médio.&lt;br /&gt;Ele olhou para a menina irritado. Ela também não estava feliz de ter molhado a roupa. Os dois começaram a rir. Como em um filme água-com-açúcar, ele pegou guardanapos para secar a blusa dela, passou a mão naqueles seios pequenos e tornou tudo um pouco mais constrangedor, mas só a ponto de estreitar mais rapidamente a relação que começavam a ter. Rude assumiu o taco de Antenor tornando o jogo ainda mais desfavorável para Leon, e para a felicidade de Sólon e Takeshi, o quinto amigo e mais habilidoso de todos abandonou a partida, entusiasmado que estava em conversar com a garota solitária, e aproveitando a oportunidade de abandonar o bar, que apesar de momentaneamente divertido, continuava incômodo.&lt;br /&gt;Engraçado o fato de a mudança no jogo de sinuca se alterar por fatores abrasivos, porém distintos, tal qual o destino da humanidade sendo decidido por deuses gregos, que personalisticamente são tão caprichosos, mas simbolicamente são tão profundos e dados à alquimia e outras coisas espirituais que não estão, no entanto, ligadas ao religiosismo fanático e enganador da atualidade, pregado pelas instituições mentirosas que se dizem portadoras da palavra divina e que são, na verdade, ímpias, e não puras. As ações divinas dos Deuses das antigas religiões, de modo calculado, expressam desde a origem cientifica do universo até os destinos das civilizações, passando pela fábula e pelos dilemas morais de cada um de nós, de modo a transpassar toda a jornada intergaláctica de vida que vai parar no homem e continuar nos animais, vegetais e minerais. Tudo isso podia ser visto por olhos atentos naquele encontro casual.&lt;br /&gt;E foi assim, como uma cosmogonia sexual, que Antenor e Vanessa tiveram seu primeiro encontro. Ele tinha 29 e ela 18. Se beijaram, se amaram, se apaixonaram e juntos, similares a duas forças da natureza que se completam, in e yang, positivo e negativo, claro e escuro, essas coisas, o casal liberou suas energias, criou, escutou música, produziu, trabalhou junto, fez projetos, atuou no plano real e trouxe pensamentos para o mundo das sensações. Erraram muitos caminhos, acertaram outros tantos. Ele enviava seus cometas para dentro dela. Ela os bebia em cima e embaixo. Sempre transavam. Ele adorava aquele corpo frágil e magro. Ela adorava aquela forma barriguda e esbelta. Viviam de tezão.&lt;br /&gt;Como uma mitologia que começa nos acasos cósmicos e termina na vida humana, na epopéia para alcançar a condição heróica e depois novamente a existência divina, encerrando os ciclos e dando origem a novas dinastias olimpianas, Antenor e Vanessa tentaram reunir os pedaços de Osíris, e procuraram, tal qual Horus, guardadas as devidas proporções, a felicidade – assim – nas coisas pequenas da vida. Nos passeios, nas viagens, nos ruídos e coincidências e principalmente escalando montanhas, buscaram um sentido para tudo, já que tudo era dotado de um sentido sem sentido e precisava ser desvelado. Qual era o sentido por trás do sentido?&lt;br /&gt;Antes, a vida dos jovens era mais ou menos como estar atônito diante da web, diante das tantas possibilidades de sítios e assuntos, diante de tanta oferta, que simplesmente não sabemos o que fazer no cyberespaço. Tudo era possível. Todas as saídas. As boas e as ruins. Juntos ganharam direção, e só não viveram felizes para sempre porque isso é impossível, e porque ninguém é inocente. Deram origem à segunda dinastia de buscadores da verdade: tiveram dois pequenos seres-humanos cabeçudos e barrigudos, dois meninos lindos de se ver, Juan, parecido com o pai, e Marcos, parecido com a mãe, que um dia iam contemplar o mundo ainda pior e que, aristotélicamente, também iriam buscar a felicidade em nome deles mesmos, de suas famílias e de toda a humanidade. Vanessa se dedicou à pintura e teve razoável estabilidade graças às suas inclinações comerciais. Nunca mais falou com os pais. Antenor nunca abandonara o casaco xadrez, a guitarra e a mulher, que morreu aos 38 anos, de acidente de carro, em um dia chuvoso, enquanto voltava para casa depois de um leilão de quadros. Hoje ele é músico e professor e os meninos estão na universidade.&lt;br /&gt;Tudo isso, graças a um jogo de sinuca... O ano é 2015. Como eu sei? Eu estive lá. Estive lá e vi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-3990922657540083768?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/3990922657540083768/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/11/nas-pequenas-coisas.html#comment-form' title='22 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3990922657540083768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3990922657540083768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/11/nas-pequenas-coisas.html' title='Nas pequenas coisas'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>22</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-8433905371616424698</id><published>2008-11-13T20:02:00.013+01:00</published><updated>2008-11-26T20:56:27.743+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Blogosfera no Poder - Selo'/><title type='text'>Blogosfera no poder - Selo</title><content type='html'>Soldados do contemporâneo, criadores. Em forma humanóide, com mãos e pés grudados, como um imenso ser uno bizarro e semi-rastejante, criador e destruidor, desforme e terrorífico, amável, seguimos oníricos. Partilhamos e compartilhamos, partimos e repartimos e re-partimos o lógos de um semi-manifesto! Viva a W3! Viva 23 de dezembro de 2012! Que venha o apocalipse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poder&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blogosfera,&lt;br /&gt;Blog esfera,&lt;br /&gt;esfera,&lt;br /&gt;Armilar,&lt;br /&gt;Arma e lar,&lt;br /&gt;Esfera armilar,&lt;br /&gt;Blogosfera Armilar&lt;br /&gt;Blog, esfera, arma e lar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mais selos - &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;E para celebrar a blogosfera nesse post atípico (na verdade todos os posts são atipicos), vão os selos que ganhei. Ganheio e roubei. Roubei de &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/SRx8N9_smrI/AAAAAAAAACk/8JICFRX92UE/s1600-h/dardo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268222243538508466" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 159px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/SRx8N9_smrI/AAAAAAAAACk/8JICFRX92UE/s320/dardo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;quem roubou de quem roubou, de quem ganhou, de quem ganhou, de quem ganhou...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;a href="http://sabe-de-uma-coisa.blogspot.com/"&gt;Sabe de uma coisa&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. &lt;a href="http://afoborio.blogspot.com/"&gt;Afobório&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. &lt;a href="http://janalauxen.blogspot.com/"&gt;Blog da Jana&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. &lt;a href="http://blocodasnuvens.blogspot.com/"&gt;Bloco das Nuvens&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/SRx8N4UIZ3I/AAAAAAAAACs/UJlEjyb-scM/s1600-h/dardo2.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;5. &lt;a href="http://subwaysandtrains.blogspot.com/"&gt;El Club Silencio&lt;/a&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/SRx8N4UIZ3I/AAAAAAAAACs/UJlEjyb-scM/s1600-h/dardo2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5268222242013603698" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/SRx8N4UIZ3I/AAAAAAAAACs/UJlEjyb-scM/s320/dardo2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. &lt;a href="http://digressoeseprocelas.blogspot.com/"&gt;Digressões e Procelas&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. &lt;a href="http://labirintosdaanna.blogspot.com/"&gt;Pequena Cidade Âmbar&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. &lt;a href="http://arlequim-incognita.blogspot.com/"&gt;Arlequim&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. &lt;a href="http://www.sacropantas.blogger.com.br/"&gt;Cartolina&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. &lt;a href="http://www.olavodecarvalho.org/blog/"&gt;Olavo de Carvalho&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-8433905371616424698?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/8433905371616424698/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/11/blogosfera-no-poder.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8433905371616424698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8433905371616424698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/11/blogosfera-no-poder.html' title='Blogosfera no poder - Selo'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/SRx8N9_smrI/AAAAAAAAACk/8JICFRX92UE/s72-c/dardo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-2899554233077462532</id><published>2008-10-30T17:42:00.004+01:00</published><updated>2008-10-30T17:53:25.167+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Outubro Laranja</title><content type='html'>As cigarras cantavam há muito tempo, mas não chovia em Brasília. Podia-se caminhar a pé pelo Eixinho, pelo Eixão, pelas W3, pelo parque, e algumas vezes se ouvia a música dos insetos bem de longe, mas se ouvia. Nada de chuva. Era o outubro mais quente dos últimos 10 anos, o que significava que se houvesse uma forma de destacar os outubros dos outros meses e colocá-los lado a lado, como uma coleção de inseto, esse talvez fosse o maior, mais forte e mais vermelho. Até o vento frio da madrugada era quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhando pela Água Mineral podia-se ver em todas as árvores as cascas queratinadas de insetos que cresceram e abandonaram sua velha carcaça. Aqueles eram exoesqueletos de cigarras (olha elas ali de novo), que quando criança Artur gostava de usar como broche. “Olha, mãe, uma casca de bicho. Vou grudar um monte na camisa”, dizia. “Não seja nojento menino!”, respondia dona Vera sem prestar muita atenção. Era uma sujeira toda vez que a mãe o buscava na escolinha da Vivendo, na L2, no final do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As águas nas encanações estavam quentes. A água do filtro estava quente. O Poço Azul era um verdadeiro oasis, bem como a piscina velha do Parque Nacional. Os animais se deitavam à sombra, enfastiados, olhando o mundo, esperando a vida passar. O asfalto gerava miragens, flamejava. Muito sorvete e água gelada. Todo o Distrito Federal queria chover, queria água, queria assentar a terra vermelha. Se sentiam em um filme daqueles de nordeste, de chão rachado, bem picaresco, que é para dar ênfase ao calor do lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando caíram os primeiros pingos que Artur beijou Maria. Foi feliz. Caminhavam pelo estacionamento do Setor Comercial Sul, e os vidros fumês dos carros refletiam tudo como espelhos, cheios de gotículas agradavelmente molhadas, bonitas de se fotografar, que umedeciam a atmosfera abafada de um dos lugares mais movimentados de Brasília. Lá não se ouviam as cigarras, apenas os ambulantes, os motores, as buzinas (em Brasília não se usa buzinar). Estavam bem na frente, perto do Conic. A água estragou o sorvete da garota, mas ela estava focada em outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você me beijou, gato!&lt;br /&gt;- Eu sei.&lt;br /&gt;- Agora não somos mais amigos.&lt;br /&gt;- Somos, mas não somos apenas amigos.&lt;br /&gt;- Hum... Você parece que sabe de tudo.&lt;br /&gt;- É. Eu sei de tudo.&lt;br /&gt;- Convencido...&lt;br /&gt;- Você também sabia...&lt;br /&gt;- É, mas não posso dizer. Sou menina.&lt;br /&gt;- É menina. Minha menina agora.&lt;br /&gt;- Você tem um beijo muito gostoso.&lt;br /&gt;- Que nada, são seus lábios.&lt;br /&gt;- Brega...&lt;br /&gt;- Brega é você me chamar de "gato". A maior gíria dos anos noventa, gata.&lt;br /&gt;- Ei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquilo já era passado. Aquela garota molhada, a virgindade do rapaz, os seios pequenos, a cama e tudo mais. Até as noites de teatro e os círculos de discussão de Ariano Suassuna eram passado. Era o outubro mais quente do ano e ainda não havia chovido. O jovem biólogo caminhava pelo Pistão Norte, em Taguatinga, empurrando sua bicicleta com o pneu furado, e pensou que devia se livrar daquela casca velha, afinal, era hora de crescer, dar um passo adiante. Sentia que seria outro, e sua memória seria uma brincadeira de broche para algum deus criança que vagueia pelo Universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas uma chuvinha iria bem para acompanhar. Esse clima maluco de Brasília. Não era agosto ou setembro, mas dava para a cabeça doer de tanto sol. De repente alguém o abordou. Era uma voz angelical e sorridente. Voz de atriz. “Ei, bobão, eu cheguei ontem, sabia?”, ela disse. Ele olhou para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Maria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava lá, com a mesma cara de palhaça, boa, infantil e mulher tudo ao mesmo tempo. Seis meses na França não mudam muito as pessoas, mas havia algo de diferente nela. Ela se aproximou e o abraçou. Ele largou a bicicleta e retribuiu. As formigas se agitaram com o guidom que derrubou a entrada do formigueiro. Uma brisa fresca varreu o lugar inteiro. O vento ficou mais forte. Nuvens tomaram o céu enquanto os carros passavam sem respeitar os pardais de trânsito. Um chuvisco fino começou a cair. Tudo era igual, só que era diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Podemos conversar, gato?&lt;br /&gt;- Claro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-2899554233077462532?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/2899554233077462532/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/10/outubro-laranja.html#comment-form' title='18 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2899554233077462532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2899554233077462532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/10/outubro-laranja.html' title='Outubro Laranja'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>18</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-5647315888490303722</id><published>2008-10-24T04:20:00.002+02:00</published><updated>2008-10-24T04:23:44.173+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Bom dia, boa tarde, boa noite e boa sorte</title><content type='html'>Seria engraçado se eu te mandasse um e-mail cheio de desaforos absurdos e ofensivos. Se isso acontecesse, ele atingiria a pessoa, no caso você, daria aquele prazer mórbido de ofender os outros, que eu não gosto de sentir, convenhamos, e ao mesmo tempo seria como se eu não tivesse mandado, já que você simplesmente evaporou como um perfume. Bonito isso, né? Não tão bonito quanto sua atitude. Sabia que as pessoas perguntam por você? Sentem sua falta? Quantos anos vc tem? Parece que uns três, no máximo. Você simplesmente desapareceu como se tivesse esse direito. E aquela história do Pequeno Príncipe, de ser sempre jovem, responsável pelo que cativa, etc e tal? Muita coisa mudou por aqui. Sei que você não vai responder isso como eu gostaria, simplesmente por falta de coragem, porque você é uma medrosinha, que se esconde atrás de filmes e nomes de artistas para fazer de conta que está com as pessoas. Muta gente deve ter precisado de você nos últimos tempos. Não é o meu caso, mas resolvi falar por elas. Sou auto-suficiente, esqueceu? Valeu mesmo. Uma menina fraca e assustada, que aposta suas fichas em relacionamentos amorosos? Brincadeira. Desculpe o desabafo. Esperava mais de você. Sei até que você tem mais poder, mas desse jeitinho que você age, sumindo do mundo há anos, não posso esperar muito. Você ainda tem amigos? Tem alguém para sair, conversar, desabafar? Uma galera pra trocar idéias e rir até? Tem alguém que te dê apoio quando as coisas vão mal com o namorado? Porque nenhum namoro é perfeito, né? Na minha opinião, inclusive, isso não é requisito de felicidade, mas cada um com seu quadrado. Só acho que você não devia ter sumido. É uma atitude que causa preocupação, que dá saudade, que traz infortúnio e gera repúdio. Quem é você? Quem disse que podia se aproximar? Por que sumiu? Acho que vou ficar com as dúvidas, não é mesmo? Mas tudo ok. Se resolver engolir a pedra da covardia, desabafar, xingar ou qualquer outra coisa, saiba que ainda te escuto, embora, e com razão, muita gente não faça mais isso depois do seu "misterioso" sumisso. Bom dia, boa tarde, boa noite e boa sorte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-5647315888490303722?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/5647315888490303722/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/10/bom-dia-boa-tarde-boa-noite-e-boa-sorte.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5647315888490303722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5647315888490303722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/10/bom-dia-boa-tarde-boa-noite-e-boa-sorte.html' title='Bom dia, boa tarde, boa noite e boa sorte'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-1146305556833851854</id><published>2008-10-13T01:37:00.002+02:00</published><updated>2008-10-23T16:10:28.974+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><title type='text'>Me apaixonei por uma puta</title><content type='html'>Sou um baita de um escritor. Preguiçoso pra caralho, mas um baita de um escritor. E não fui eu que disse isso, não. Foi meu professor de mestrado. Do mestrado que eu não terminei. Meus olhos ardendo de tanto cigarro. Sentado na cama, no meu apartamento. Com um pigarro desagradável grudado na garganta e cheio de beijos espalhados pelo corpo. Ela está nua, exausta, adormecida, com os seios redondos à mostra, com as marquinhas do meu dente. É noite e estou nu. Nada melhor que a próxima tragada. Queria inventar um movimento literário que mudasse o mundo. No entanto estou aqui, sentado nessa noite solitária, perdido em BH, recém-chegado de Brasília. Não consigo nem fazer o que me proponho diariamente. Sou idealista, escritor e fumante.&lt;br /&gt;Se bem que tem um tempo que não escrevo nada. Pouco mais de dois meses. Nada para a internet ou para o jornal. Vivendo de bicos de fotografia, coisa que nem faço direito. Pensei que precisaria de uma paixão para escrever. Arrumei uma. Então vi que o melhor era uma desilusão. Arrumei uma. Então decidi que o melhor mesmo seria uma puta. Uma que viesse sempre, que fosse bonita e que eu pudesse pagar. Uma bem gostosa...&lt;br /&gt;Acabei desiludido e apaixonado por uma puta. Uma puta chamada Clara. Universitária, loira, carnuda, com um bundão lindo, que balança quando senta no meu pau, que grita e tem orgasmos de verdade comigo. Que me ama, mas que sou obrigado a dividir com os outros. Enfim, estou amando uma puta. E putas são difíceis. São muito sensíveis e delicadas. É complicado trepar de verdade depois do décimo cliente da semana. Ela te vê pouco. O dinheiro que dou a ela é o da nossa casa. Sexo eu não pago mais (ao menos isso). Pois é. O corno mora na casa da vaca, não é mesmo.&lt;br /&gt;Mas isso não é importante. Na verdade, me sinto meio niilista. Nada é importante agora. As luzes da cidade, o trânsito na capital dos botecos, as ruas confusas e cheias de nomes do País, a favela, o posto de gasolina com os punks e hardcores... Nada parece importante. Nada é tão convidativo quanto saltar de cabeça do décimo andar para sobreviver deformado como um desenho bizarro, encarando as pessoas nas ruas, como um lixo que repete para cada olhar: “Eu sou você”. Pus, carne em estado de putrefação, mau cheiro e mau hálito para todos! E não ligo se o certo for “mal”.&lt;br /&gt;Me apaixonar por uma puta, beber cerveja e fumar compulsivamente acabou não adiantando muito para mim, como vocês podem ver. Estou sentado na cama, fumando, com o pau mole, sujo do gozo dela, com aquele cheirinho característico. Agora estou desiludido, amando uma meretriz, quase como uma vítima ingênua do naturalismo literário, viciado, tossindo após cada corrida, e sem a maldita inspiração. Esqueci de dizer que também devo o aluguel. A inspiração também é uma mulher foda. Foda com ph, dois Ós, dáblio, dois dês e “A” craseado no final (Phoowddà), isto é, difícil mesmo. Preciso pagar um tributo para ela me deixar escrever, e ela ainda pensa três vezes. Olhando lá pra fora, com uma deusa usada e esgotada ao meu lado, imaginando quando esse inferno vai acabar, procuro as letras na minha mente.&lt;br /&gt;Qual é o meu problema? Acho que acabo fazendo muito parte de minhas histórias. Parte dos meus personagens. Fico repetindo medíocre o que todos querem escrever, que todos já escreveram, que todos já disseram. Eu não quero dizer nada, fico querendo dizer tudo, como um poodle que corre atrás do pompom do rabo cortado. Quero contar a verdade, que ninguém vai saber, nem vai ler, porque todo mundo sabe, ninguém quer saber.&lt;br /&gt;Para mim resta a morte, a obliteração. Escritor não lido parece que nem pessoa não existida. Não é perfeito, mas não tem defeito. Tem erro de português. Escreve errado. Escreve como se fala, como se pensa, como se vê, como se cega, como se segue. Se acha gênio, mas é macaco. Meu apartamentinho bacana, com um quarto, uma cozinha, uma TV, um computador, livros espalhados para fazer de conta que sei de tudo e uma gata deliciosa zanzando, é tudo o que tenho. E tudo se alinhava com o planeta, esse imenso ser humano azul que nada sozinho em alto mar.&lt;br /&gt;Seria bom mesmo se o mundo tivesse mais uns sete dias. Só sete. Depois tudo fosse para o espaço. Queria ver todo mundo se fudendo, se matando, morrendo, roubando, trepando sem camisinha, promovendo o pandemônio (adoro essa palavra – pandemônio), fazendo aquela faxina. Muita overdose, fezes e corpos espalhados pela rua. Se todo mundo ficasse sabendo que o mundo ia acabar e resolvesse fazer tudo o que sempre quis, que desse na telha. Se todo mundo apertasse o reset no último minuto para jogar com desespero os últimos quarenta segundos.&lt;br /&gt;Aí, com o mundo escroto mesmo, com morte, suicídio, assassinato, estupro, cachorro morto, e com a moral na lama, amoral, o oitavo dia podia nascer normalmente. Isso sim seria uma boa história. Quantos ainda seriam os mesmos de oito dias atrás? Seria bom fazer isso comigo mesmo para saber como eu seria.&lt;br /&gt;Mas no fim, não estou tão mal. Amanhã recomeço a escrever meu livro. Tenho meio artigo pronto para mandar pra revista, que deve render um extra, já que o freela virou fixo e o fixo virou freela, e sigo minha trilha torta de rounin. Fumando, trepando, escrevendo e apagando. E a Clara vai trabalhar. Vocês não sabem de nada. Que gatinha. Loira do olho azul, com peitinhos grandes, gostosos, que cabem na boca mas sobra bem pouquinho, com pernas grossas, branquinha, toda sedutora, felizinha como um texto pornô de revista masculina, e amorosa comigo. Com uma xota molhada que lava a mão da gente e que engole gostoso. Que foda. Que linda, dormindo aqui com meu esperma escorrendo na sua perna. E eu ainda tenho que dividir...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-1146305556833851854?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/1146305556833851854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/10/me-apaixonei-por-uma-puta.html#comment-form' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1146305556833851854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1146305556833851854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/10/me-apaixonei-por-uma-puta.html' title='Me apaixonei por uma puta'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-6344828500548076075</id><published>2008-09-24T23:51:00.003+02:00</published><updated>2008-09-25T17:42:36.957+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><title type='text'>A carta</title><content type='html'>Tenho um sonho que se repete. Nele os envelopes sempre chegam vazios. Por que? O que significa esse sonho? O que significam todos esses sonhos? Por que eles estão me influenciando? Nunca liguei pra essas coisas. Essa conversa de psicanalista, de significados. Nada disso. Não dou dinheiro pra essa corja. Um sexozinho e tudo está resolvido. Mas não tenho apetite mais. Logo eu, que sempre tive tudo que precisei. Meu pau é grande. Meus pais nunca se divorciaram. Meus avós morreram quando eu já estava grande. Sempre tirei boas notas. Passei no vestibular de primeira. Montei uma agência de publicidade com a migos que deu certo em apenas seis meses. Tenho troféu de futebol, de torneio de karatê, de maratona da matemática, boletim de faculdade recheado de “A”. Tenho dinheiro, casa, carro, computadores... Moro em São Paulo, em Higienópolis. Sabe o que significa morar na porra de Higienópolis? Não tenho mais o que querer. Fiz contrato milhonário, vamos ganhar um prêmio, namoro modelos gostosas de TV. Lanço modelos gostosas de TV. Elas querem me dar. Aquele quadrilzinho magro se debatendo em você... Aquele gemido agudo e superior. Agora não consigo nem trepar. Não consigo mais dormir. E quando durmo, o mesmo sonho. A mesma desgraça de sonho que está me deixando louco. Nuvenzinha, céu azul, brisa batendo na cara... É uma ilha não sei onde, com várias casinhas coloridas. Não quero. Não quero isso. Não consigo segurar minha mente. Que escroto. Uma das casas é minha. É uma vila de pescadores. O que diabos eu estou fazendo em uma vila de pescadores? Pescar o que? meu avô pescava. Eu não. O carteiro vem do horizonte, de barco, remando, sem suar, de roupinha amarela e chapéu azul, desce, caminha até minha caixa de correio, me olha sorrindo como se soubesse exatamente quem sou, não diz uma palavra, deposita a carta na caixa e vai embora como veio. Sinto medo dele. Só uso segurança porque a empresa hoje exige, mas tenho medo da merda de um carteiro magro de olhos claros da bosta do mundo dos sonhos. A carta é de alguém que espero muito. Nunca me apaixonei. Quer dizer, só uma vez, mas era um moleque. São notícias importantes. Tem muito amor em tudo. Meu coração salta. preciso daquilo, daquelas palavras que eu não sei quais são. preciso daquela solução. Não sei quem é essa pessoa no mundo real. Há muita ternura em tudo. Ternura, dá pra imaginar? Coisa de boiola, de viadinho, de fracassado. Vejo tudo da janela. Depois saio. Ele já foi embora. A visão ainda é a da janela, que no começo era em primeira pessoa. Pego a carta. Estou muito feliz. Ela estálacrada. Está escrita em rosa. Posso sentir o peso do papel. Parecem ser umas três páginas. Eu abro ali mesmo, ansioso, e está vazio. Desespero. Desespero. Está vazio. Não tem porra nenhuma lá dentro. Nada. Quem medo, meu deus, que medo. Um envelope vazio. Olho ao meu redor. Espalhados pelo chão, diversos envelopes vazios, rasgados, voam com o vento, boiam nas ondas ou são soterrados pela areia. Nunca consigo ler. Etou tão só. Os envelopes sempre estão vazios. Vazios. Do lado de dentro, somente as dobras brancas do papel. As casas estão destruídas, pela metade, podres, carcomidas pelo tempo. Eu estou sozinho em uma ilha deserta. Sabem que eu estou lá, sozinho. Porra! Sabem que eu estou lá sozinho. Eu recebo cartas. O carteiro não fala comigo, não me leva de volta, só fica trazendo essas cartas da pessoa amada que não conheço. De outro lugar do mundo. As correspondências vêm vazias. Onde diabos estão as cartas? Quero lê-las. È só o que peço. Uma vez alguém me disse que era impossível ler nos sonhos. Podíamos ate definir gurpos de letras de acordo com nosso subconsciente, mas não lemos. Minha cabeça não para, não se cala. Não quero acreditar. Ouço uma espécie de interferência de rádio, é um barulho vazio e silêncioso que não me deixa dormir. O que será que estaria escrito. Será que haveria como ler. Outro dia bati em um estágiário. Outro dia expulsei uma prostituta de luxo de uma festa aos berros e pontapés. Os acionistas me afastaram dos eventos. Bati meu carro. A porra de uma BMW. Bati em um viado de fusca. Vou ter que pagar o conserto de um fusca. De uma caralha de um fusquia fodido. Eu já fui o melhor. Não saio de casa há uma semana, não durmo há três dias, não tomo banho há quatro, fico só olhando pela janela. Não quero sair. O barulho do trânsito... O maldito barulho do trânsito. Não me traz respostas. Por que não me traz respostas? Por que? Por que? Por que? Não sei mais o que fazer. Só consigo pensar nos envelopes. Sonho com eles. Abro os olhos. É um pesadelo. É um pesadelo depois do outro. Mas não é um pesadelo, é um sonho. Não. É um pesadelo. Só pode ser. Estou ficando louco. Nunca liguei para sonhos. Quantas vezes vou ter que repetir isso para mim. Envelopes vazios. Envelopes vazios e um misterioso carteiro. Nada de buzina, de viagens, de cinema e restaurantes caros, nada de jogos internacionais, nada. Não quero mais nada. Não quero putas, não quero xoxotas, não quero nada. Queria apenas sonhar que o envelope estava cheio, e saber o que e quem me escreve. Queria poder dormir. Mas não posso. Os envelopes estão vazios. Se dormir, o carteiro vem entregá-los. Vazios estão os envelopes. Não durmo e não atendo a telefonemas. Não ouço música... Não ouço nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-6344828500548076075?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/6344828500548076075/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/09/carta.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6344828500548076075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6344828500548076075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/09/carta.html' title='A carta'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-712391778874494705</id><published>2008-09-01T22:35:00.000+02:00</published><updated>2008-09-01T22:45:32.404+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escaladores'/><title type='text'>El tango del jaguar</title><content type='html'>Caminho sobre os trilhos do trem. Como um mendigo. Como um indigente. Mas minhas vestes são razoavelmente novas. Não estou tão sujo. Mas essa é a atitude. Desci do vagão do trem, e agora, guiado pelo caminho de aço, caminho em meio a mata, sob a luz das estrelas. Algo que nunca fiz antes. Conto tudo em pensamento para meus parentes, que vão se horrorizar, que nunca entenderão. Sou novo no ramo de viagens improvisadas. Como um qualquer, um revolucionário, um louco andarilho, um poeta medieval, caminho sobre os trilhos do trem. Sou um felino de grande porte, um pássaro carniceiro, um caçador alado, um espírito livre. Eu mesmo sou a assombração. Sou a terra seca, vermelha, ou molhada, marrom, grudando na sola dos sapatos. Vivo nos anos 70, 80, 90, 00, e tenho apenas 20, apenas 30 anos. Não conheço a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento frio começa a fustigar a nossa pele. Meu amigo segue em silêncio um pouco mais atrás. Guarda seus pensamentos em direção silenciosa. Faço de conta que posso ouvi-lo, enquanto presto atenção no som dos seus passos. Ainda não sei quando vou parar, mas sei aonde vou parar. Posso ouvir a respiração dele. Estamos concentrados no ato de caminhar, como vagabundos iluminados. Meus pés doem. Minha garganta está seca, mas meu estômago está cheio. Eu poderia ser um fugitivo. Poderia ser encontrado por um ladrão, por alguém de má índole. Perdido na mata, podia ser vítima de animais e assombrações, de doenças e loucuras. Poderia assassinar meu companheiro de viagem, ou ser assassinado por ele. A única coisa que nos separa disso é o que nos faz acreditar que estamos separados disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vindos de Brasília, semi-burgueses, cansados, com dinheiro no banco e sem nada no bolso ou nas mãos, questionadores, levianos, puristas, turistas, solitários, seguimos. Caminho sobre os trilhos do trem e penso em meus familiares, em minha infância, em meu último emprego, no meu último chefe. Tenho vontade de matá-lo. Penso em minha namorada e nas brincadeiras de infância. Sempre fui muito imaginativo. Sou um soldado perdido. Eu e meu camarada nos perdemos de nosso batalhão em um ataque. Nossa missão é sobreviver. Estamos em um país inimigo, cansados, com medo, mas valentes e patriotas. As selvas vietnamitas de Minas Gerais cortadas pelo trilho do trem, são nosso único escudo, e ao mesmo tempo nos desnudam. Unidos, seguimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso mandar um e-mail quando chegar à próxima cidade. A bateria do meu celular acabou. Preciso de uma cerveja gelada, de um violão, de música, de mulheres. Preciso de um bloco de notas e uma caneta. Penso. Penso, logo caminho. Penso nela, nua, sobre mim, devagarzinho, ou dominada, vítima, com as pernas presas. Penso em outras, sorrio, não penso, sou levado a pensar. Um produto inócuo do meio. Nada mais. Vil, invejoso, consumista, egocêntrico, impulsivo e temerário. Nada mais. Valente, filósofo, escritor, determinado, esperançoso e idealista, nada mais. Espanhol, latino-americano, brasileiro, peruano, caucasiano, cristão, judeu, budista, muçulmano. Nada mais. Aqui, esquecido por Deus, sob os olhares atentos das constelações de novembro do hemisfério sul, não sou ninguém, tal qual Odisseu. E assim como o ardiloso grego navegava, guardadas as devidas proporções, sobre os trilhos do trem, caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto da palavra “inócuo”. Também gosto da palavra “determinação”. Gosto de várias letras também. Em especial o “M”, de “Maria”, o “J”, que tem pingo, mas não é “i”, e o “G”, que é a primeira letra do meu nome. Meu andar está trôpego. Meus pés se jogam para frente e meu corpo para as laterais, em zigue-zage. Meus olhos pesam. Meu amigo caminha como eu. Um pouco pior. Ainda falta muito. Podem ser dias. Espero que não. Ainda é o primeiro dia de caminhada. A mochila já está pesada. Devem ser 23h. Não. São 23h45. Ainda é cedo, mas estamos cansados. Já chega. Vou parar. Vamos armar o saco de dormir ali. Tem que ver se não tem cobra. Se um trem passar de madrugada, vai nos acordar. Que se dane. Aqui. Ainda tem aquele suco? Me dá um pouquinho. Tenho miojo e rizoto. Vamos de rizoto. É, isso é engraçado. Não, acho que não. O Cruzeiro não chega  lá. Perdemos. Espero que as frutas não apodreçam. Arruma o fogaréu. Vou preparar uma fogueirinha também. Também acho. Que a próxima cidade não esteja longe. Da próxima vez, só de carro. Nada de carona clandestina. Ainda é cedo pra falar. Muito bom. Você vai ligar para ela? Vou também. É uma situação delicada. É engraçado. Meu pai veio da Ucrânia, mas a mãe dele é brasileira. Jã morreu. Não Meu outro avô é que é da sérvia. Não sei. Sou um típico jovem de Brasilia. Foi aquele árabe lá. Comédia. Isso está gostoso. Vamos comprar mais. Quando chegar no Sul eu vejo. Não sei se quero ir à Argentina. Vamos ver até lá. É. Isso aí. É só se ajeitar. Afonso? Já está dormindo. É verdade. Boa noite...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-712391778874494705?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/712391778874494705/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/09/el-tango-del-jaguar.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/712391778874494705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/712391778874494705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/09/el-tango-del-jaguar.html' title='El tango del jaguar'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-3586593692973951138</id><published>2008-08-12T23:03:00.004+02:00</published><updated>2008-08-12T23:22:22.051+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Astrofísica</title><content type='html'>Um filósofo e uma artista plástica conversavam amigavelmente na Piazza Della Signoria, em Firenze, na Itália. Eram turistas e foram apresentados por amigos em comum em um coincidente encontro entre os grupos. Acabaram se vendo juntos, diante das estátuas greco-romanas da esplanada, enquanto falavam sobre a vida e sobre o que os motivava. Ele, de olhos verdes, jaqueta jeans, guia de visitas debaixo do braço, cabelos curtos, negros, com uma protuberante careca no cocuruto, brasileiro, estava mais empolgado. Ela, portuguesa, prima de um amigo do primo do cunhado do brasileiro, com cabelos loiros, olhos negros, mais baixa e mirrada, com casaco verde e blusa vermelha, de saia preta até o joelho e com frio nas pernas, ouvia mais, e se encantava com aquele terreno fértil que era a mente do homem que encontrara. Sentaram-se no café da praça para conversar, enquanto os grupos se dispersavam em direção à Ponte Vecchio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pres’tenção... A velocidade média do som é de 340 metros por segundo, isto é, 1.224 quilômetros por hora.&lt;br /&gt;- Sei...&lt;br /&gt;- A da terra é de 108.720 quilômetros por hora, mais ou menos. O que quer dizer cerca de 88 vezes a velocidade do som.&lt;br /&gt;- Ah! O Mach, não é isso? Caramba, seria Mach 88. Seria quebrar 88 vezes a barreira do som.&lt;br /&gt;- É! E tem um caça, o Mikoyan-Gurevich, é o MiG-25, que vai a uma velocidade um pouco acima do Mach 3. Não sei se ainda é, mas já foi um dos mais rápidos...&lt;br /&gt;- Deixa eu ver... Isso dá, eu acho, não sei se os cálculos estão certos, mas dá 3.672 quilômetros por hora, calculados em um guardanapo.&lt;br /&gt;- Você fala português quase igual aos brasileiros.&lt;br /&gt;- Eu morei lá um tempo. Em Brasília Dos cinco aos dez anos mais ou menos.&lt;br /&gt;- Eu sou de São Paulo, mas morei em Brasília, e só nos trombamos na Piazza Della Signoria... Engraçado. Mas então, o caça mais veloz não chega nem perto da velocidade do movimento de translação da terra em torno do sol. E uma bala de fuzil, sei lá de que tipo, uma vez me disseram, sai da arma a aproximadamente 900 metros por segundo, o que deve dar, em quilômetros por hora o equivalente a 3240.&lt;br /&gt;- Nossa! Quase a velocidade de um MiG...&lt;br /&gt;- Mas não vemos a bala, e vemos o Mig, por causa do tamanho dele, assim como achamos que o Sol se desloca devagarzinho no céu, enquanto, na verdade, giramos bem rápido em torno dele. Agora imagine você, um objeto com massa equivalente a 6 sextilhões de toneladas a 108.720 e poucos quilômetros por hora por aí, passeando. Acho que se ele tivesse o tamanho de uma cadeira, por exemplo, não sei se conseguiríamos vê-lo. Uma esfera que pese 3 quilos, na velocidade de translação da terra se chocaria contra um muro com uma força de 542160 Newton, eu acho. Essa é a Terra navegando ao redor do Sol. E olha, seis sextilhões é um número seis seguido de 21 zeros! E a velocidade da Terra em metros por segundo é de 30.200.194.&lt;br /&gt;- Cruzes! Quanto número... Mas pode continuar, estou acompanhando... Uma pêra com massa equivalente a 6 sextilhões de toneladas a 30.200.194 metros por segundo, uma velocidade que não conseguimos imaginar.&lt;br /&gt;- Ainda não sei direito aonde vou chegar. Até porque essa conversa está viajando a uma velocidade muito alta.&lt;br /&gt;- Concordo...&lt;br /&gt;- Vamos mais longe então... A velocidade de rotação da Terra, medida na linha do Equador, é de 465 metros por segundo. E para entrarmos em órbita, precisamos alcançar uma velocidade de 28.000 Km/h, no meu ônibus espacial.&lt;br /&gt;- No seu ônibus, sei...&lt;br /&gt;- Muito mais rápido que um MiG ou que a bala de um fuzil, convenhamos.&lt;br /&gt;- Certo.&lt;br /&gt;- E a Lua realiza seu movimento de translação em torno da Terra a uma velocidade de 3600 km/h, e demora pouco mais de 27 dias para completar sua órbita ao redor do nosso planeta, sendo que o nosso diâmetro é de 12.756,2 quilômetros. Se nós fossemos o Sol da Lua, o ano seria bem curto, mais rápido que um mês para os terráqueos.&lt;br /&gt;- Para os terráqueos...&lt;br /&gt;- Do que você está rindo?&lt;br /&gt;- Não estou caçoando, estou achando graça. É interessante isso tudo.&lt;br /&gt;- É que me empolguei. Agora veja isso: um ano em Marte equivale mais ou menos a um ano e onze meses na terra, e lá, teríamos quase a metade de nossa idade.&lt;br /&gt;- A metade da idade! Gostei!&lt;br /&gt;- Mulheres... Você teria quanto, 12?&lt;br /&gt;- É, mas seria do jeitinho que sou agora.&lt;br /&gt;- E mais uma coisa, a luz viaja a uma velocidade de 300.000 quilômetros por segundo. Não faço idéia de quanto seja isso em quilômetros por hora, mas dá para ir à Lua várias vezes em pouquíssimo tempo, já que ela está a 384.400 quilômetros de distância. Dizem que é o que dirigimos em toda uma vida.&lt;br /&gt;- Não brinca! Dá para viajar no tempo! Você olharia para trás e veria sua imagem olhando para trás. Seriamos energia pura. E a velocidade da luz em quilômetros por horas, vejamos... Pelos meus cálculos, seria 1.079.913.606,91 quilômetros por hora.&lt;br /&gt;- Isso é o que viajamos em um vinte e quatro avos do dia. Somos energia pura. Somos partes condensadas de uma infinitamente espessa nuvem de átomos galácticos. E sequer temos noção disso. Existem mais espaços vazios entre os nossos átomos que espaço preenchido por eles em nossa massa e na de qualquer objeto. Sendo assim, por que diabos não atravessamos paredes?&lt;br /&gt;- Ta legal, essa foi a cantada mais legal que já ouvi...&lt;br /&gt;- Isso porque eu ainda não comecei a comparar esses números com os mitos e com essas fantásticas estátuas.&lt;br /&gt;- Que lugar bonito, que cidade maravilhosa. Em pensar que isso tudo é um pozinho do universo.&lt;br /&gt;- É solitário.&lt;br /&gt;- É mas estamos juntos. Como dois corpos celestes de anos luz de diferença em suas origens, que se chocam energicamente.&lt;br /&gt;- Mas na hora do choque, parece que você sofre uma influência gravitacional de algum planeta da consciência, e desvia...&lt;br /&gt;- Mas ainda estamos sobre a influência de nossas órbitas. Talvez mais tarde...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-3586593692973951138?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/3586593692973951138/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/08/astrofsica.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3586593692973951138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3586593692973951138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/08/astrofsica.html' title='Astrofísica'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-3041584413598035532</id><published>2008-08-01T19:46:00.004+02:00</published><updated>2008-08-12T23:22:14.679+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>Um suspiro antes da queda</title><content type='html'>15 de agosto de 2014, 23h46, redação do Correio de Brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se for assessor empurrando pauta vou mandar para aquele lugar! Peraí que já atendi aqui... Fabrício Gonzaga.&lt;br /&gt;- Oi lindo!&lt;br /&gt;- Maren?!&lt;br /&gt;- Queria ouvir sua voz.&lt;br /&gt;- Já falei para não ligar na hora do fechamento! Ta corrido pacas aqui, e depois você fica achando que não te trato bem...&lt;br /&gt;- Desculpe... Eu só queria saber se você vem...&lt;br /&gt;- Não... Esquece. Desculpe... Acho que sim... Peraí. É que às vezes fica puxado aqui, e eu perco a cabeça. É bom ouvir sua voz. Pode falar...&lt;br /&gt;- Como ta aí?&lt;br /&gt;- Tá foda. Tô com aquela pauta do MP até hoje...&lt;br /&gt;- Caralho, Fabrício! Cadê a porra do info-gráfico?! Já mandou os textos pro pessoal? Não chegou ainda.&lt;br /&gt;- Tá com a arte! Já devia estar pronto. A matéria já foi pra gaveta, é só puxar aí! Então, o que você ia dizendo? Como foi o dia?&lt;br /&gt;- Foi tranqüilo. Ajeitei as coisas para a publicação, os fotógrafos mandaram os arquivos de imagem. Vai ficar bonito. Quero te mostrar a formatação hoje a noite. Se você puder passar aqui em casa... Eu aproveito e te mostro... outras coisas... Posso te esperar? O que acha?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Fabrício? Ta aí?&lt;br /&gt;- ...mostrar as fotos do livro... Tô ouvindo, linda. É que estou lendo um e-mail aqui. Ca-ra-lho! Vou ter que alterar a matéria pela quarta vez, amore. Você acredita? Os caras não se decidem... Odeio trabalhar com o Ministério Público. Uma semana com essas matérias de merda que mudam cinqüenta vezes por dia na hora do fechamento!&lt;br /&gt;- Mudei um pouco o lead do texto. Pode mandar pra paginação? Pode mandar pra paginação, Fabrício?! Fabrício?!&lt;br /&gt;- Não, chefe! A assessoria mandou um posicionamento novo. Vamos ter que mudar a retranca. E tem uns dados novos também. Eles conseguiram os valores dos prejuízos do governo com o patrimônio público destruído.&lt;br /&gt;- Como é que é? Porra! Que merda! Vou te mandar a matéria de volta então...&lt;br /&gt;- Tá. Mas e então, amore, você conseguiu as fotos e deve lançar o livro? Legal! Quando posso ir aí para ver? Aproveitava para te dar um beijinho.&lt;br /&gt;- Esse jornal não fechou até agora?! Cadê a arte pessoal?! Se vocês não fizerem alguma coisa a respeito vou derrubar a porra da matéria! Não quero saber!&lt;br /&gt;- Eles mudaram tudo. Já tava tudo pronto... Não é culpa nossa, chefe!&lt;br /&gt;- Pô, Fabrício, não ta me ouvindo, né? To te chamando pra vir aqui pra casa hoje e você não ta me ouvindo.&lt;br /&gt;- Desculpa, o editor chefe tava falando com a gente aqui. Não ta dando pra ouvir tudo, mas fala assim mesmo. Ta movimentada a redação, linda... Acho que vou pirar... Não vejo a hora de terminar a pós e dar aula. Largar de vez esse mundo de jornal diário. Chefe, o pessoal da arte mandou o infográfico para a gaveta! Devolve lá que eu vou alterar o último tópico e já mando o texto para eles!&lt;br /&gt;- Já devolvi!&lt;br /&gt;- Mas então, você vem hoje? Posso ficar te esperando...&lt;br /&gt;- Putz. Peraí chefe... Ta aqui. Mudei só uma parte do texto. Não precisou mudar tudo. Só troquei uns dados ali e inseri um parágrafo.&lt;br /&gt;- Fabrício?&lt;br /&gt;- Vou dar uma cortada então. Já mandou o texto para a arte?&lt;br /&gt;- Fabrício?&lt;br /&gt;- Já mandei. Peraí... Oi?&lt;br /&gt;- Tem certeza que eles não pegaram esses dados?&lt;br /&gt;- Lindo, ta me ouvindo?&lt;br /&gt;- Tenho. A assessora me garantiu que é exclusivo. Pode por na capa que vai ser furo.&lt;br /&gt;- Fabrício!?&lt;br /&gt;- Oi!&lt;br /&gt;- E aí, você não respondeu, vem ou não vem?&lt;br /&gt;- Vou, mas chego tarde. Aliás, melhor não. Amanhã o dia vai ser tranqüilo. Amanhã eu vou. Aqui, chefe, te encaminhei o e-mail.&lt;br /&gt;- Recebi aqui. Já estou lendo.&lt;br /&gt;- Linda? Alô? Porra, desligou.&lt;br /&gt;- Era a mulher?&lt;br /&gt;- Minha namorada... Cacete. Vou acabar levando um pé na bunda.&lt;br /&gt;- Amanhã você vem só na parte da manhã. Aproveita e junta a tarde com o final de semana. Olha só isso aqui! Brasília é um ovo de codorna mesmo... Essa assessora é filha da minha namorada de faculdade...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- E aí, ele vem?&lt;br /&gt;- Não, não vem.&lt;br /&gt;- Bom, sobra mais tempo pra nós.&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;- Não fica assim, depois você fala com ele...&lt;br /&gt;- Só acho que isso não é direito. Estou me sentindo uma escrota.&lt;br /&gt;- Ele não é pra você. Além do mais, está trabalhando contra nós. Senta aqui do meu lado... Quer falar sobre isso?&lt;br /&gt;- Não. Vamos mudar de assunto... Mmmmmm...&lt;br /&gt;- Vem cá, deixa eu tirar isso...&lt;br /&gt;- ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-3041584413598035532?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/3041584413598035532/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/08/um-suspiro-antes-da-queda.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3041584413598035532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3041584413598035532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/08/um-suspiro-antes-da-queda.html' title='Um suspiro antes da queda'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-728809514870995970</id><published>2008-07-25T19:42:00.002+02:00</published><updated>2008-08-12T23:22:14.679+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Diálogos'/><title type='text'>48 graus</title><content type='html'>&lt;em&gt;Rio de Janeiro, 15 de agosto de 1992.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;- Nome?&lt;br /&gt;- Maria.&lt;br /&gt;- Quantos anos você tem?&lt;br /&gt;- 19.&lt;br /&gt;- Quanto você pesa?&lt;br /&gt;- 56 kg.&lt;br /&gt;- Tipo sanguíneo?&lt;br /&gt;- “A” negativo.&lt;br /&gt;- Certo... Seu diagnóstico é febre. Se importa de tirar a roupa?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Tire a blusa e desabotoe a calça. Isso. Sente-se na maca, por favor. Qual é o seu problema, Maria?&lt;br /&gt;- É essa febre, doutor, que nunca passou.&lt;br /&gt;- Vamos ver isso.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;-...&lt;br /&gt;- 48 graus! Você parece tão bem. Vamos ver isso? Dói aqui?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- E aqui, sente alguma coisa?&lt;br /&gt;- Normal.&lt;br /&gt;- Vamos ver os seus olhos... Certo.&lt;br /&gt;- Me sinto bem, doutor.&lt;br /&gt;- Uma febre nessa altura pode causar sérios danos ao seu corpo, aos seus neurônios. Nunca ouvi falar de alguém que sobrevivesse até essa temperatura.&lt;br /&gt;- É minha temperatura normal. Nunca me atrapalhou. Mas, socialmente, incomoda bastante. Não sei o que fazer. Todo mundo pensa que eu estou doente, que eu sou doente. Já fui a vários médicos, que tentaram várias coisas...&lt;br /&gt;- Exame de sangue?&lt;br /&gt;- Esta aqui. Espere. Aqui. Pronto.&lt;br /&gt;- Umhum... E de urina?&lt;br /&gt;- Este.&lt;br /&gt;- Você fuma?&lt;br /&gt;- Fumo e bebo.&lt;br /&gt;- Com que freqüência mantém relações sexuais?&lt;br /&gt;- Não sei. Semanalmente, acho. As vezes mais, as vezes menos...&lt;br /&gt;- De fato, seus exames não indicam nada. Já os fez quantas vezes.&lt;br /&gt;- Várias. Nem sei.&lt;br /&gt;- E o que você sente?&lt;br /&gt;- Não sinto nada. Sinto que minha pele está quente. Mas não sinto calor. Nem sinto muito frio também. Para mim é normal, como eu te falei. Mas meu corpo é muito quente.&lt;br /&gt;- Em todo o corpo? Ou tem alguma parte que é mais fria?&lt;br /&gt;- Em todo o corpo.&lt;br /&gt;- Já teve alguma doença?&lt;br /&gt;- Só reação alérgica. Camarão. Não posso comer camarão.&lt;br /&gt;- Levante-se, venha para minha mesa. Não sei como te dizer isso, mas você é um caso a ser estudado. Ninguém vive muito com essa temperatura, mas você parece ótima. Seus exames não apresentam nada. Não há muito que fazer.&lt;br /&gt;- Obrigada doutor. Queria apenas me livrar disso. Ser normal.&lt;br /&gt;- Você é normal. É uma garota inteligente. O que faz da vida?&lt;br /&gt;- Sou atriz.&lt;br /&gt;- Minha mãe também era atriz.&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Acho que sei qual é o seu problema.&lt;br /&gt;- Sério? Qual?&lt;br /&gt;- Você sente isso desde que nasceu?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- É atriz há quanto tempo?&lt;br /&gt;- Isso importa?&lt;br /&gt;- Talvez.&lt;br /&gt;- Cinco anos.&lt;br /&gt;- Então é isso. Só pode ser isso.&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;- Você é uma estrela, mas não brilhou ainda. Dedique-se um pouco mais a sua profissão. Tenho certeza que isso vai mudar quando colocar essa energia para fora. Qual sua próxima peça?&lt;br /&gt;- O Pequeno Príncipe. Serei o aviador.&lt;br /&gt;- É um bom papel. Talvez te ajude. Aqui está a receita...&lt;br /&gt;- 15 horas de teatro por dia? Ser platéia uma vez por semana? E esse último, não entendo a letra.&lt;br /&gt;- Não tem problema. Quando você começar a brilhar e sua temperatura baixar, vai acontecer mesmo.&lt;br /&gt;- O que é?&lt;br /&gt;- Dê tempo ao tempo. Vá brilhar, estrela. Sorte sua eu ser filho de atriz, não?&lt;br /&gt;- Obrigada, doutor. Vou fazer como o senhor mandou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria saiu do consultório achando estranho, mas já havia feito tanta coisa, que não se importou em cumprir as tarefas. Além do mais, ela gostava tanto de teatro, que não faria a menor diferença. Ela se dedicou muito, com afinco. Esqueceu-se da temperatura de seu corpo, que nunca baixou, e foi feliz. Um certo dia, em Brasília, em visita ao Complexo Cultural da República, flanando, pensou: “O que faço é a lente que me faz ver o mundo. Sou o que faço, faço o que sou. Algumas lentes convergem o sol. Deve ser o caso da minha. E meu sol é o personagem por trás do personagem...”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-728809514870995970?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/728809514870995970/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/07/48-graus.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/728809514870995970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/728809514870995970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/07/48-graus.html' title='48 graus'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-9105213107827454218</id><published>2008-07-24T17:40:00.001+02:00</published><updated>2008-07-24T17:42:30.443+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Sonetos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Desistência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estou cansado dessa vida,&lt;br /&gt;Cheia de desgraças alheias,&lt;br /&gt;Dessa minh’alma puída,&lt;br /&gt;Cheia de feridas feias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou suado, estou sujo,&lt;br /&gt;Sinto a raiva no meu estômago,&lt;br /&gt;Meu coração caiu em desuso,&lt;br /&gt;Sem direção vou caminhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, assim, não vou desistir,&lt;br /&gt;Não é de minha índole patética,&lt;br /&gt;Minha ação será destruir,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que chamo de estética.&lt;br /&gt;E do meu governo destituir,&lt;br /&gt;Aquilo que penso ser ética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Metalingüística&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;As vezes não termino,&lt;br /&gt;Minhas próprias poesias,&lt;br /&gt;Ficam sozinhas sem um fim,&lt;br /&gt;Em eternas romarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase nunca consigo,&lt;br /&gt;Concluí-las com efeito,&lt;br /&gt;E fico lendo e relendo,&lt;br /&gt;Trocando os versos sem jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre consigo,&lt;br /&gt;Completar um soneto,&lt;br /&gt;As formas que instigo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras que prometo.&lt;br /&gt;Sou meu próprio inimigo,&lt;br /&gt;Na composição do texto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-9105213107827454218?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/9105213107827454218/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/07/sonetos.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/9105213107827454218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/9105213107827454218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/07/sonetos.html' title='Sonetos'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-8509138646548227239</id><published>2008-07-22T23:18:00.000+02:00</published><updated>2008-07-23T18:57:16.655+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Estranho</title><content type='html'>Não é o que parece,&lt;br /&gt;&lt;div class="para"&gt;Não foi o que seria,&lt;br /&gt;Não partiu na hora exata,&lt;br /&gt;Não chegou aonde ia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era bem assim,&lt;br /&gt;Não era bem assado,&lt;br /&gt;Não era como ela,&lt;br /&gt;Não era de outro estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pediu para vir,&lt;br /&gt;Não pediu para ficar,&lt;br /&gt;Não pediu para partir,&lt;br /&gt;Não queria mais estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto prosperou,&lt;br /&gt;Prevaleceu, no estopim,&lt;br /&gt;Na hora que todo mundo disse não,&lt;br /&gt;Só ela me disse que sim. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-8509138646548227239?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/8509138646548227239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/07/estranho.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8509138646548227239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8509138646548227239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/07/estranho.html' title='Estranho'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-3172024992340746965</id><published>2008-07-01T02:13:00.002+02:00</published><updated>2008-07-24T17:45:32.603+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escaladores'/><title type='text'>Sob velhas árvores, em um novo lugar</title><content type='html'>No Oriente Médio, a guerra era uma constante. A miséria e as ditaduras africanas pareciam vivas e alegres, a psicose brasileira dançava a musica que a psicose norte-americana cantava. Pais seqüestravam e matavam os próprios filhos, e nada mais era assustador. O mundo seguia e o país neutro ia junto, fazendo de conta que não estava ali, igual à juventude de Brasília, tudo meio que se arrastando, como o inofensivo princípio de uma avalanche mortal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade de Zurich unia o velho e o novo, e todo lugar era lugar de ler. A mentalidade era fantástica. Tudo era limpo e corretamente angulado, apesar de mecânico, até a gentileza em alemão e italiano das pessoas. Quase não se via algo escrito ou falado em inglês. Os jovens eram corados e bonitos, e até os loucos e os mendigos eram elegantes. Tudo como em um conto de fadas. Dava vontade de ficar por lá, Antônio pensava. Ficar com aquele trânsito, aqueles campos e aqueles olhos azuis que enchiam todas as avenidas. Assim era a bem iluminada cidade, ou cantão da Suíça. Como seria então a Noruega, ele se questionava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fone de ouvido, Bob Dylan repetia que a resposta tinha ido embora com a ventania, e as pessoas na calçada, ou às margens do lago, rolavam na grama e almoçavam salada, peixe ou salsichão alemão. Não havia muito o que dizer, e nem um conhecido com quem comentar aquela maravilha de lugar. Ele também não ficaria muito, pois ainda tinha de ir à Holanda e Alemanha. O clima era ameno na primavera. A busca, no entanto, não se detia pelo encanto personalístico com os lugares, afinal de contas, aldeias indígenas eram tão chamativas quanto a velha cidade, antigo recanto Celta. A busca do homem pelo sentido fundamental da vida, que não estava expresso em nada do que se via fora nesses tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antônio colocou sua imensa bagagem no gramado e sentou-se sobre a sombra de uma árvore para descansar. Começava a cochilar quando uma menina tipicamente suíça sentou-se sorrindo para ele. Finalmente encontrara, ou, na realidade, fora ele achado, por quem havia ido ter para continuar sua busca pela montanha mais alta. Maren tinha o símbolo dos escaladores tatuado no pulso, como lhe fora falado, e cabelos lisos de um preto azulado que ele não fora capaz de imaginar, e o jovem espanhol, de barba loira e olhos amarelos, robusto e de pernas grossas, parecia estar, de fato, diante de alguém diferente dele, e que tinha o mesmo objetivo. Ela se sentou, eles se deram bem a primeira vista, e ela tinha levado salada para ambos. Não se deram aos formalismos, eram escaladores, irmãos, discípulos, e já se conheciam, embora se vissem pela primeira vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-3172024992340746965?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/3172024992340746965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/06/sob-velhas-rvores-em-um-novo-lugar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3172024992340746965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/3172024992340746965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/06/sob-velhas-rvores-em-um-novo-lugar.html' title='Sob velhas árvores, em um novo lugar'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-8175664085802260363</id><published>2008-06-11T05:45:00.002+02:00</published><updated>2008-07-02T09:26:32.060+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>À mãe</title><content type='html'>(Luiz Calcagno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bebê que está aí,&lt;br /&gt;Que cresce dentro de você,&lt;br /&gt;O filho da vida, da ânsia do mundo,&lt;br /&gt;A vida miúda que se afigura,&lt;br /&gt;Essa santa criatura,&lt;br /&gt;Pude ver pelo aparelho, era tão miúda,&lt;br /&gt;Como pode tanta luta,&lt;br /&gt;Para vir a ser o que será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o sorriso do porvir, com suas próprias unhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe,&lt;br /&gt;Ela também sofreu.&lt;br /&gt;Carregou o rebento e todas as expectativas,&lt;br /&gt;E a menina criou raízes em seu ventre,&lt;br /&gt;E despontou novinha para um mundo atraente.&lt;br /&gt;As cores, os sons, as flores e os dons,&lt;br /&gt;Nasceu um novo universo e a natureza já não pode ser mais a mesma,&lt;br /&gt;As fadas cantaram no quintal e a criançada gritou pela sobremesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-8175664085802260363?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/8175664085802260363/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/06/me.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8175664085802260363'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8175664085802260363'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/06/me.html' title='À mãe'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-5985996544575918975</id><published>2008-06-04T06:52:00.003+02:00</published><updated>2008-07-02T09:38:15.447+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><title type='text'>A praia das ilusões...</title><content type='html'>Ventava e fazia frio. Hermes estava sentado sobre a canga de Maria, na areia da praia em volta da fogueira, com os pés descalços. Era uma noite sem estrelas no Havaí. Só se podia ver as espumas brancas do Oceano quebrando na costa. O resto se confundia com a escuridão do céu. O barulho, a canção tranqüilizadora e repetitiva da maré cheia era o pano de fundo para as conversas da trupe. Afonso e Ednarla estavam abraçados, conversando e brincando com as mãos, Tobias dedilhava a esmo o violão e Marisa dormia na mochila do músico. A chama crepitava e trepidava como uma salamandra raivosa, e refletia no olho do soldado e da médica, que se encaravam mutuamente, cada um de um lado do fogo. Ele contava sua história. Os outros ouviam. Principalmente ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu pai era espanhol e minha mãe americana. Nasci em Bolder, no Colorado, mas passei boa parte da minha infância no Brooklyn. Aos doze ganhei um torneio de karate local e um velhinho amigo de meu pai pediu que ele o deixasse me treinar nas artes marciais. Foi aí que começou minha carreira militar. Meu velho, que vê o mundo bem diferente das outras pessoas, a contragosto de minha mãe, deixou que ele me levasse para longe. Passei cinco anos fora de casa, e quando voltei, fui praticamente direto para o quartel. Passei oito meses na minha velha rua, apenas. Fiz algumas visitas aos coroas enquanto treinava, bem esporádicas, e, por mais que a situação me revoltasse a maior parte do tempo, até porque não entendia a proporção daquilo, eu sabia que me fazia mais bem do que mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como foi que ele te treinou?&lt;br /&gt;Perguntou Afonso desinteressadamente. Hermes olhou para as chamas por uns segundos, olhou novamente para Maria, de olhos grandes, pele negra e cabelo encaracolado, fitou o céu e então continuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para começar, não aprendi tecnicamente a dar um único golpe. A princípio, na verdade, me pareceu que não. Mas depois, no exército, me destaquei facilmente em tudo que fiz. Achei, sinceramente que estava sendo explorado, escravizado, no início, mas depois vi que era loucura minha. Acontece que passei dois anos e meio trabalhando de lenhador. Fazia só o bruto. Era pequeno, foi difícil no começo, mas fui pegando corpo, força, aprendendo os macetes, e logo o trabalho pegou ritmo. Eu me tornei rude, e as vezes ajudava os fazendeiros da regiam a segurarem vacas que pariam e outras coisas. Foram dois anos e meio. No final, era quase perfeito. Como comecei cedo, foi mais fácil evoluir no processo, julgo. A noite tinha aulas sobre temas do mundo de uma forma bem mais profunda que vemos nas escolas, e melhor, sem provas ou exercícios. Um dia cortei uma pilha de madeiras com tanta disciplina e perfeição que meu mestre me passou outro trabalho. Ele disse que eu havia cumprido a primeira parte do treinamento. Naquela época eu já estava confiante, embora não soubesse ao certo aonde aquilo ia me levar. Morávamos em uma choupana isolada. Era tudo muito simples. O velho era mexicano, e nunca me disse seu verdadeiro nome. Todos o chamavam de O Mais Velho, e o tratavam como um líder, um pai, um médico e um conselheiro, e tinha gente que dizia que ele tinha mais de duzentos anos. Tinha ou tem. Não sei ao certo. Depois que voltei não consegui mais entrar em contato com ele, mais por força das circunstâncias. Mas gostaria sinceramente de vê-lo e mostrar o homem que me tornei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual foi o outro trabalho?&lt;br /&gt;Maria perguntou. Hermes queria acabar com a conversa e beijá-la ali mesmo, mas adorava contar aquela história, e continuou. Todos sentiam o clima entre os dois, que eram os únicos descomprometidos na turma de viajantes que se reuniu por acaso em uma praia havaiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem... Tudo era muito humilde mesmo. Ele vivia com o mínimo do mínimo. Eu só tinha permissão para beber e comer se realmente estivesse com fome e sede. No início tinha que sofrer um pouco para ele acreditar. Depois eu me adaptei a disciplina e ele passou a confiar mais em mim também. O fato é que tudo era muito pobre e simples, exceto uma cristaleira antiga. Era uma peça delicadíssima, linda, toda feita em vidro e cristal, com pequenas partes de pedras coloridas encrustradas, também muito sensíveis, e que mudavam de cor de acordo com o clima. Era tudo frágil, mas equilibrado, e era cheia de louças, porcelanas, taças em estantes de espessura muito fina. As portas eram de vidro com dobraduras de madeira delicadamente abraçadas ao material e o fundo era de espelhos que confundiam os olhos dos admiradores. As peças eram dispostas com pequenos bonecos mitológicos astecas pesados, de ferro, entre elas. Cada um tinha seu lugar exato para manter o equilíbrio do todo, e apesar de ser tudo tão exuberante e belo, e delicado, que eu sequer ousara me aproximar desde que cheguei à casa, era muito sujo e empoeirado. Meu próximo trabalho, depois de ser o melhor lenhador da região, e o mais novo também, era limpara diariamente toda a cristaleira, e dispor novamente cada peça em seu equilibrado e devido lugar com a mesma maestria com que foram colocadas antes. E, obviamente, sem quebrar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que loucura!&lt;br /&gt;Ednarla comentou. Hermes sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi difícil, claro. Mas consegui não quebrar nada. Por mais limpo que ficasse, no entanto, no dia seguinte estava suja como em um conto de fadas, como se eu nunca houvesse limpado. E eu tinha que começar o delicado serviço novamente, do zero, o que, quando peguei o jeito, durava cerca de doze horas para se concluir. Em geral, de seis da manhã ás seis da tarde, quando tinha aulas de geografia, história, filosofia e religião, dependendo do dia. Depois de dois anos e meio fazendo isso, um dia, pela manhã, não encontrei as prateleiras ou as peças sujas. Apenas o senhor, sorrindo, dizendo que eu tinha uma prova. Ele me levou para um desfiladeiro que tinha uma corda que ia da beirada até uma arvore alta. A prova era ir até a metade do caminho e voltar se equilibrando. Cair, obviamente, significava morrer nas pedras ou no rio lá embaixo. Ele fez uma vez o trajeto, bem rápido, para me mostrar como devia ser. E eu fui tremendo em seguida. Até a metade, eu me equilibrei, mas se devia ser como ele fez, foi um fiasco, mas quando me virei, pareceu que condensei e compreendi tudo que o velho me ensinara. Foram cinco anos em cinco segundos, e voltei como se andasse normalmente aqui na praia. Tudo valeu a pena por aquele breve momento, e aquele breve momento fez com que tudo valesse. O resultado disso, não vou me alongar, é que fui o melhor fuzileiro do exército americano em Serra Leoa, sem a menor dificuldade, sinceramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E como podemos saber se é verdade? Como podemos saber se você não está só inventando tudo isso?&lt;br /&gt;Maria perguntou com um ar de desconfiança. Nisso, Hermes debruçou-se para frente, com uma mão na areia gelada e outra no fogo, na brasa, e beijou a jovem. Quando a menina percebeu a posição do rapaz, apesar de retribuir o beijo, sobressaltou-se como se estivesse diante de uma aberração. Ele sorriu quando seus lábios se separaram. Ela ofegava olhando a mão do rapaz. Todos estavam chocados, menos Tobias e Marisa, que tinha acordado no fim da história, e que já conheciam o rapaz. Ele voltou para o seu lugar sobre a canga da jovem médica. Seu braço não tinha sinais de queimaduras sequer nos pelos. Por outro lado, a areia onde ele apoiara a outra mão fumegava. Maria se lembrou então do curandeiro que tirava balas de corpos com os dedos, sem agravar a situação dos pacientes, que se curavam mais rápido que se tratados em meios tradicionais, no Peru, no começo de sua carreira, e foi atrás de Hermes, que havia se levantado para por os pés na água.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-5985996544575918975?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/5985996544575918975/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/06/praia-das-iluzes.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5985996544575918975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5985996544575918975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/06/praia-das-iluzes.html' title='A praia das ilusões...'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-6817161420030035910</id><published>2008-05-16T10:20:00.001+02:00</published><updated>2008-07-02T09:27:08.936+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Terra mãe</title><content type='html'>(Luiz Calcagno)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Portugal,&lt;br /&gt;Portugal dos Açores,&lt;br /&gt;Portugal dos meus amores,&lt;br /&gt;Dos meus risos, de minhas dores,&lt;br /&gt;Ah Portugal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terra Lusitânia,&lt;br /&gt;Em tua gente não há infâmia,&lt;br /&gt;E a mim todo, tu me ganhas,&lt;br /&gt;E me perco em tuas vielas tamanhas,&lt;br /&gt;Ah, minha eterna Lusitânia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poeira que te cobres,&lt;br /&gt;O pó que te revestes,&lt;br /&gt;As pedras que te tomam,&lt;br /&gt;As histórias que te vestem,&lt;br /&gt;Os pés que em ti caminham,&lt;br /&gt;As jovens que se despem,&lt;br /&gt;A gente que em ti se abriga,&lt;br /&gt;As idéias que te enaltecem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Portugal de todos os tratados,&lt;br /&gt;De navegações e entardeceres dourados,&lt;br /&gt;Ah, Portugal dos que não foram amados,&lt;br /&gt;Das virgens cálidas e dos filhos Bastardos.&lt;br /&gt;Em ti, encontro minha história,&lt;br /&gt;Aqui contemplo meu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Portugal,&lt;br /&gt;Portugal dos Açores,&lt;br /&gt;Portugal dos meus amores,&lt;br /&gt;Dos meus risos, de minhas dores,&lt;br /&gt;Ah Portugal!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-6817161420030035910?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/6817161420030035910/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/05/terra-me.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6817161420030035910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/6817161420030035910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/05/terra-me.html' title='Terra mãe'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-8879779949449442581</id><published>2008-05-14T17:50:00.000+02:00</published><updated>2008-07-02T09:46:14.141+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><title type='text'>Sobre trilhos e trens...</title><content type='html'>No trem, bem como no carro, a paisagem italiana se perfilava diante de meus olhos. Mas agora eu já tinha um conhecimento maior do local, ou, melhor dizendo, eu já interagia com ele, ou me sentia, de alguma forma, parte daquele universo, mesmo que apenas como viajante. Castelos sobre cidades, o novo que parecia velho e a poeira histórica corriam em meio a campos abertos enquanto pessoas de todas as nacionalidades, com o correr das horas, ocupavam os bancos do vagão, e não era mais tão confortável me espalhar no lugar. Meu tênis sujo de terra de sítios arqueológicos descansava ao lado de meus pés de meias brancas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As árvores eram belas, bem como o mato verde na manhã pálida em que ocupei tão confortavelmente o vagão de segunda categoria daquele velho trem. Fomos os primeiros a entrar, depois do maquinista e do fiscal dos tíquetes, claro. Ainda nem havia amanhecido quando arrastamos e carregamos nossos pertences pelas confusas ruas de Roma. O silêncio era a testemunha do caminho até a estação. Foi também naquele dia que senti a delícia que é viajar interminavelmente, embora já viesse fazendo isso há muito. O mundo é mesmo imenso a cada centímetro, bem como o tempo é longo segundo a segundo, bem como uma caminhada começa com o primeiro passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tempos em tempos passávamos por túneis bizarros, e cruzávamos uma montanha por dentro, e sentíamos a pressão em nossos ouvidos. Era quase como ir às profundezas do Hades, mas não éramos sábios o suficiente para perceber. A escuridão era meada por corrimões laterais irregulares que serpenteavam a toda velocidade como imensas serpentes enquanto a máquina que nos levava parecia parada, e feixes de luz corriam pela janela no sentido contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado no banco azul, munido de um computador de colo e um livro emprestado sobre um velho poeta, com as bagagens sobre a cabeça e a barba por fazer, fui tornando tudo ao meu redor, e tudo que eu havia visto antes, ruínas e fontes, castelos e igrejas, túmulos e jardins, parte de meu ser, ou de minha personalidade, não importa muito. De qualquer forma era inspirador e maravilhoso. Era como sentir o mundo inteiro dentro do peito, e aquele comum vazio, aquele balão que apertava o coração parecia não estar mais lá. Era uma alegria ver passar trailers, tratores, ferros-velhos em meio ao nada e estradas solitárias que eu ousava sonhar um dia passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos poucos o sol subia no céu, a Terra girava, e a vegetação viva e dourada me lembrava de meu país, e eu sabia com certeza que amaria muito mais, mais como mátria ou frátria que como pátria, as terras Tupiniquins depois de ver as sombras e ouvir os sussurros do meu passado remoto. No entanto eu não ansiava voltar. Ainda não era hora e, na verdade, eu gostaria de ter ainda mais tempo que realmente tínhamos. Seria bom poder ficar uns seis meses rodando o mundo, e talvez mais. Mas a mim sobrava a esperança de ter novas oportunidades no futuro. Sabia, ao menos, que queria ver muito mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente que voltaria a sentir a angústia da existência sem respostas em breve, mas não seria mais como antes, pois, naquele momento, no vagão, eu me transformava, e não me sentia aparte no universo, e era tão bom... Além disso a convivência com os camaradas de viagem nos tornava uma espécie de irmãos-primos, e era cômodo se alojar ao lado de um deles. Líamos, ouvíamos música, escrevíamos e conversávamos, isto no trem, enquanto a bruma da manhã, aos poucos, sumia como sonhos em um dia solitário de outono. Tínhamos pouco tempo, o que era muito, e muito a ver, o que era pouco, e o acima estava abaixo e o abaixo estava acima, embora isso, não fossemos capazes de ver, esmo diante de nossos narizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos quartos, cruzávamos nossas pernas, alongávamos nossos músculos e ríamos e descansávamos. Assuávamos os narizes, escarrávamos na pia e tirávamos nossos tênis. Nem sempre estávamos realmente juntos, nem sempre estávamos bem uns com os outros, nem sempre estávamos e felizes e dificilmente entendíamos tudo o que estava acontecendo ao mesmo tempo. Isso, no entanto era comum nas horas de impacto, quando nos colocávamos diante de uma coluna romana, de uma estátua grega, de uma pintura renascentista, de um palácio templário ou de um sarcófago egípcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cidades iam ficando na lembrança, os países iam entrando no sangue e na alma, novas palavras em outros idiomas ameaçavam entrar no vocabulário, e até um português com sotaque diferente era motivo para levantar as orelhas como um cão atento. E o passaporte, a cada aeroporto e fronteira rodoviária, ia ganhando novos carimbos e ficando velho e usado. Era uma identidade diferente para mim. Ele me permitia ir a outros países e, por isso, parecia mais importante que o registro geral da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Carros, aviões, trens e barcos nos levavam de lá para cá, e tudo isso era significativo enquanto o trem corria sobre os trilhos e os americanos conversavam qualquer coisa alguns bancos da frente. Nós ansiávamos por Firenze, ou Florença, como queira, e era incrível demais para se traduzir em palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raul Granado&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-8879779949449442581?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/8879779949449442581/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/05/sobre-trilhos-e-trens.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8879779949449442581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/8879779949449442581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/05/sobre-trilhos-e-trens.html' title='Sobre trilhos e trens...'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-1068059304622149136</id><published>2008-05-09T01:36:00.001+02:00</published><updated>2008-07-02T09:40:36.775+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escaladores'/><title type='text'>Janelas antigas</title><content type='html'>Todo sangue derramado, toda guerra e paz, todo tratado, todo navio lançado ao mar leva o homem a algum lugar que ele não espera chegar. O pai do pai do pai conta uma história aparentemente sem valor, que é, na verdade, o único motivo para eu ou você estarmos aqui, se é que realmente estamos, e não somos apenas ecos do passado que insistem em se repetir. As janelas são inúmeras, e estamos ligados a reis e escravos por uma inesperada rede de acontecimentos que nos insere indiretamente nos cursos mais inusitados da trajetória humana. Uma roda, uma lança de metal, o fogo, a arquitetura, as maquinarias, a caça, a produção, as navegações, tudo está co-relacionado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 465 anos, Estevão, sobrinho de um influente cavalheiro Templário, era mandado junto a criminosos e prostitutas em direção à colônia, para fugir da fogueira. Sua irmã e amante, grávida de uma criança proveniente de um incesto, não tinha a mesma sorte, e era queimada em praça pública enquanto o rapaz navegava nas águas brasileiras. A chegada do homem, que se casou e fez fortuna, resultou em uma linhagem familiar amazonense sem consciência de seu próprio passado, que, por parte da mãe do avô do pai, deu origem a um tal advogado doutor Rodrigo Oliveira, nascido em 15 de dezembro de 1979, que sofreu, com a namorada, de uma gravidez indesejada que mudou o curso da vida da jovem para sempre, e o separou de quem ele acreditava mais amar no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que um dia, do outro lado do Atlântico, em Portugal, Flávia abriu a janela e sentiu a brisa fria das manhãs primaveris do país lusitano. Sob a montanha descansava o colosso Templário de Tomar. A cidade crescera a muito ao seu redor, mas ainda era pequena se comparada às outras. A amiga de Flávia, Isadora, ainda dormia encolhida nas cobertas. Maria deveria estar na outra cama, mas fugira, na madrugada para o leito de Henrique, no quarto ao lado. Lá os meninos roncavam sob a tutela da escuridão, exaustos e enfastiados. Do lado de fora, vielas e becos antigos e coloridos pareciam ressuscitar com a alvorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viagem estava valendo todo o esforço. Tinham dinheiro o suficiente para cruzar a Europa, e quando a situação apertava, nada que um violão e um chapéu velho não ajudassem. Arte é arte, como diziam. Haviam agora fundado a própria ordem: era a “Ordem dos Saltimbancos Introspectivos do Cruzeiro do Sul”, a OSICS. A idéia era a velha filosofia Cínica. Estavam procurando, o tal homem, visto como humano, ego, Ser, dentro e fora de cada um, como combatentes e beatniks.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol estava pálido atrás das nuvens. Como nascia voltado para a janela do quarto da pensão, deviam estar de costas para o portão do castelo. Ela começou a comer a granola que havia sobrado e pensava que teriam que fazer compras mais tarde, e dar um jeito de lavar a roupa suja, afinal, não é porque tinham inventado um caminho de aventuras que deveriam fugir de suas necessidades básicas. Na verdade era exatamente o oposto. Precisavam manter-se o mais civilizados o possível, e de uma maneira consciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando a vida de Flávia começou a saltar em flashes em sua mente. Ela tentou segurar a imaginação, quando o som do canto de um pavão ao longe fez com que a moça se rendesse e se entregasse a si mesma. São aqueles momentos consigo mesmo que evitamos tanto. Flávia mergulhou em suas lembranças, revivendo os primeiros instantes de mudança que a levaram a uma pensão européia com um grupo de universitários artistas de nacionalidades variadas. De fato, nem tudo o que parece o pior, é necessariamente ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha 19 anos, e agora estava com 20. Naquela época, em Taguatinga, no Distrito Federal, no Brasil, havia abortado um bebê, e deixou, após o choque, todos que amava para trás, e mergulhou em uma jornada em busca de um real sentido para a vida. Foi quando, sob a recomendação de uma colombiana circense, cujo nome era Solidad, encontrou o grupo de aventureiros orientados por um tal de Padre Belga, que ela não chegou a conhecer. Tudo parecia sem sentido visto dos olhos do cotidiano. Ela mesma já havia pensado nisso. E no fim se questionou: o que, de fato, é o cotidiano, qual é o seu valor, e porque seguí-lo?&lt;br /&gt;A claridade começou a invadir o quarto com mais intensidade e força, e Isadora escondeu-se ainda mais sob o edredom. Então um carro atropelou a jovem que caminhava desavisada e cheia de fantasias após um exame de sangue. Acabara de descobrir que estava no terceiro mês de gravidez. Foi tudo tão rápido. O pequeno, ou a pequena, nunca se soube ao certo, mal chegou em sua vida e logo foi embora, causando um estranho buraco na alma da garota. Uma ferida chamada dúvida, e que nunca se cicatrizaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isadora levantou-se sonolenta, vencida pela manhã, carregando o peso do próprio corpo, e se arrastou para escovar os dentes. Murmúrios vinham também do quarto dos meninos. A cidade colorida, lá fora começava a despertar também. A poeira de mais de seiscentos anos de história de glória, heroísmo e conquista seria mais uma vez pisada pelos alheios autômatos ambulantes do século XXI. Flávia segurou firme a barriga e tentou levantar. Apoiou-se com a mão direita no asfalto. Não sabia ao certo como havia parado ali. Saia sangue de sua orelha, ela podia sentir, e também havia sangue em sua garganta. O líquido viscoso saltou de sua testa para seus olhos. Um homem desceu do carro desesperado, pedindo para ela não se levantar. Ela disse algo sobre estar grávida e depois acordou limpa e enfaixada, em uma cama de hospital, com o coração do tamanho de uma ervilha, batendo forte ara manter seu corpo vivo. Seu neném não estava mais lá, e ela sabia disso, não precisou nem de perguntar. Mesmo assim a confirmação, to derradeira quanto a própria morte, não tardou, e não parecia justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jonas entrou sorrateiro no quarto das meninas e sentou na cama de Isadora pensando em algo para falar com Flávia, mas não veio nada em sua mente. Ela deu mais uma colherada na granola, que estava em sua caneca com o galo português pintado, arrumou o cabelo dread castanho claro, viu que o amigo estava sentado ali, respirou e voltou a si por uns breves instantes. Nada do que escolhia parecia de fato verdadeiro naqueles tempos, exceto estar ali naquele quarto, com aquele menino diferente dos outros, que sabia de sua dor só de olhar, mas também sabia de suas alegrias, e via alem da perda mais que qualquer outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O plano era ir para Lisboa, mas parecia que iam perder o primeiro ônibus, ou autocarro, como chamam em Portugal. Ele então quebrou o silêncio, sorriu e falou português com aquele forte sotaque argentino: “Yo ainda tengo un poquito de mel, usted pode colocar no suyo cereal...” Flávia sorriu de volta, viu na simplicidade da vida do momento uma boa dose de humanismo sincero, que não estava nas palavras em si, mas em todo o resto do que permeava a breve conversa. Contemplou o cabelo anelado do jovem e seu sorriso e olhos verdes e nariz comprido como quem dissesse que sim, e o mágico africano, Topper, entrou no quarto sorrindo, com a boca suja de pasta de dente. No banheiro, ou casa de banhos, como preferirem, Isadora deu descarga. Um motor de caminhão roncou ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 430 anos, Um comerciante navegador alemão se casava com uma viúva que era irmã de um influente templário do Porto da Gália. A mulher havia entrado para o convento após perder seus dois filhos para o destino, mas o comerciante a convenceu de largar o hábito. O homem a conheceu na Torre de Belém, que, na época, funcionava como hospital. Ele havia sobrevivido a um naufrágio a alguns quilômetros do porto. Isso, Flávia não podia imaginar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-1068059304622149136?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/1068059304622149136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/05/janelas-antigas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1068059304622149136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/1068059304622149136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/05/janelas-antigas.html' title='Janelas antigas'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-2603490629507388091</id><published>2008-04-23T07:31:00.002+02:00</published><updated>2008-07-02T09:37:39.900+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><title type='text'>El Condor Pasa</title><content type='html'>Corujas cruzavam alto nos céus, procurando as calhas e tocas em seus apartamentos, sobre os prédios retos e baixos da cidade. Muitas histórias, já em forma de sombra, em forma de fantasma, passadas a muito, se repetiam constantemente nas avenidas organizadas da cidade. Nas quadras verdes da W3 Sul, namoradas, amigos, futebol de asfalto, bete, e outras diversões brincavam de se repetir na calada da noite ou no vazio do dia. Crianças que foram pais e pais de pais, ainda gritavam sob os pilotis, e seus filhos, e os filhos de seus filhos. Gerações corriam entre si, sem se tocarem no entanto, em camadas de formas etéreas. Apartamentos, trancados ou não, sussurravam as músicas e programas de TV que passaram por ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe, uma banda punk reverberava na Colina, e seu fundador já nem existia mais. E os meninos mais novos, tentando repetir os feitos de seus antepassados do rock, também tocavam e cantavam no Setor Leste, no Elefante Branco, no Espaço Cultural da 508, e no extinto Gran Circo Lar, e depois outros tentavam repetir, e outros, em um constante eco. Meninos e meninas ricos zanzavam como zumbis fantasmagóricos, a esmo, pelo Gilberto Salomão, sem existirem. Feiras de artesanato sombrias eram visitadas pelo vento frio, seco e ululante. A ladainha artística e política ecoava distante, como uma música em um volume muito baixo, em bares de balcões abandonados e cadeiras sujas e solitárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda se viam as pombas passeando entre o Conic e o Conjunto Nacional, e o chão sujo da rodoviária continuou sendo o caminho por onde as edições passadas dos jornais da cidade corriam ao vento. A feira da Torre, montada era o lar do cheiro de madeira e trabalho que já existiram um dia. O teatro, mais assustador que nunca, continuava imponente em seu formato piramidal, com um museu sem exposição e uma biblioteca sem livros para acompanhá-lo. Carros jaziam abandonados nos Eixos. Quando muito, um disparava o alarme, se ainda houvesse alguma carga na bateria, e exauria a energia do veículo. E todos os vidros da catedral estavam quebrados, e os sinos, enferrujados, se esfarelavam, fustigados pela ação do incorruptível tempo. Os ratos, gatos, cães, capivaras e macacos eram agora os donos desses lugares na cidade assombrada. Os matagais eram tomados de serpente e felinos selvagens caçavam nas entre e super-quadras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ônibus vazios, com portas e janelas abertas, cheios de poças de água, bolsas, guarda-chuvas e casacos esquecidos, pareciam fazer do silêncio seu ronco matinal, hino diário de quem ia para o trabalho de condução. Os trens do metrô, à mercê dos trilhos inutilizados, também com suas portas abertas, pareciam repetir, segundo sobre segundo, aquela sirene estridente que avisa que quem ainda está na fila do cartão terá que esperar o próximo. E as estações, escuras e vazias, são receptáculos de poltergeists e criaturas peçonhentas. Lugares tristes sem seus varredores e seguranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo tomou uma forma densa, envelhecida, tombada, que, acima de qualquer coisa, guardava bilhões de histórias da raça humana. Desde festas de natal à trágicos acidentes de carro. De casamentos a viuvez. Partidas e chegadas no Aeroporto e na Rodoferroviária, nascimentos no HRAN e enterros no Campo da Esperança. Amizades, assassinatos, atrocidades e altruísmos. O que der para imaginar. O que aqueles garçom, que eram donos de um restaurante de nome árabe, diriam sobre a situação? As escolas públicas, o prédio da 107 Sul, e os adolescentes que se beijavam, o que pensariam? Os vestibulandos, os calouros e os veteranos da UnB, ou do CEUB, os freqüentadores do Clube da Vizinhança e do, então, estático e nuclear, Parque Piton, o que fariam se vissem Brasília assim? Mas não estavam mais lá. Apenas seus pertences. Conservadas, porém sujas, peças arqueológicas. Roupas de malha, marcas, emblemas, toalhas, calções de banho, carros vazios e os restos mortais dos entes queridos que partiram primeiro, no cemitério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saudades dos meninos abastados e das meninas grávidas. Todos haviam desaparecido, mas como? Não havia mais o som dos carros correndo acima da velocidade permitida nos Eixinhos, a noite, para quem dormia nos prédios escutar. A gritaria da criançada que chegava da escola no final da tarde, a querida e cultivada frieza distante entre visinhos também não se repetia de fato. Nada disso existia. Ainda era a cidade, mas sem homens. A noite, os postes e os semáforos acendiam e piscavam tristes, esperando que a moçada invadisse os bares para festejar, a despeito de qualquer lei que o governo criasse em nome das associações de moradores amargos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem você leitor poderá saber disso, pois já está desaparecendo, e agora, não é mais que um fantasma que se debruça sobre uma maquinaria inútil, repetindo apenas, os gestos que fez em vida, acreditando piamente que está aí, sem, no entanto, estar. E no final de todas as ruas, onde todas as pistas se encontram, o Congresso e a Praça dos Três Poderes parecem sorrir e dizer, feliz 348 anos, Brasília.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-2603490629507388091?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/2603490629507388091/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/04/el-condor-passa.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2603490629507388091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/2603490629507388091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/04/el-condor-passa.html' title='El Condor Pasa'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-4570108753423163092</id><published>2008-04-14T23:42:00.002+02:00</published><updated>2008-07-02T09:37:55.741+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><title type='text'>Cosmogonia de fundo de quintal</title><content type='html'>Isabelle pensava no universo enquanto retirava as roupas do varal. Enquanto guardava sutiãs e calcinhas imaginava (como bióloga que era) que a natureza nunca fez nada que não fosse objetivo, prático e funcional. O que se tornava obsoleto, a evolução devorava. Foi assim com parte de corpos e até com espécies inteiras. As indagações de Jonas a levaram a refletir sobre isso. Ele era um pensador. Realmente não é necessário algum diploma para entrar em contato com a Criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz desenhava as plantas do jardim como se ilustrasse um antigo livro de botânica. Era o seu hobby. Jonas era escritor, formado em jornalismo e estudante do que chamava de "tudo". Enquanto agachava desajeitado, com a prancheta em mãos e os olhares atentos, provocava a noiva. - Por que pensamos? Por que nos perguntamos quem somos e de onde viemos? Que traços evolutivos são esses que nos levam a perceber detalhes muito além dos meramente físicos? - Isabelle ouvia em silencio e com atenção. Com seu noivo era mais fácil pensar nessas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Isabelle, Jonas estava certo. Ele havia encontrado o mistério que anos de laboratório não revelam. A capacidade de amar o conhecimento, a faculdade de filosofar não só não foi eliminada pela mãe de todas as coisas,como foi aperfeiçoado no correr das eras. Uma joaninha tem pintinhas pretas, um pássaro, plumas amarelas, um lagarto, língua comprida, um homem, imaginação. - É verdade Jonas. Damos significados a tudo. Se não o fazemos conscientemente, o fazemos inconscientes. É a nossa natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jonas terminou de detalhar um tomate e sentou-se sobre folhas secas deixando a prancheta de lado. Isabelle terminou de recolher as roupas e as guardou numa bacia em cima de uma mureta que dava passagem ao quintal. Uma aranha caranguejeira atravessou furtivamente o chão da área de serviço. Ele levantou uma pedra e miríades de insetos deslizaram sobre o chão para todos os lados. Ela passou a mão sobre a barriga que amadurecia um filhote ainda celular, que seria num dado momento uma menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem concentrou-se num tatu-bola que parece não ter percebido o apocalipse de seu universo. Isabelle soltou Kali, a labrador caramelo da casa, e a cadela correu feliz pelo jardim,fazendo o ragnarok das aves e de outros pequenos animais que visitavam o estabelecimento. A aranha entrou debaixo da máquina de lavar roupas. As nuvens encobriram o céu e uma réstia de sol feneceu sobre os traços no papel. - Vai chover querido. Vamos para dentro. - ela disse virando as costas. Ele enfiou o lápis no bolso da bermuda e a seguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isabelle entrou sorrindo, pensando em qual seria o seu propósito no universo. Jonas entrou pensando em qual seria a relação entre a forma do tatu-bolinha e dos planetas que vagueiam pelo espaço. Kali latiu e passou correndo pelo casal, entrando na casa. A chuva apressou suas gotas e engrossou seu caldo. Eles pregaram o desenho junto com os outros na parede da sala, um mural artístico quase infantil, e foram fazer os trabalhos que tinham levado para casa. O tema da próxima semana seria gestação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-4570108753423163092?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/4570108753423163092/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/04/cosmogonia-de-fundo-de-quintal.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4570108753423163092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/4570108753423163092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/04/cosmogonia-de-fundo-de-quintal.html' title='Cosmogonia de fundo de quintal'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-5527153499168914566</id><published>2008-04-11T04:34:00.002+02:00</published><updated>2008-07-02T09:37:24.709+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><title type='text'>Aquário</title><content type='html'>Leleo e Lili eram um casal radical. Ele fazia engenharia, e ela era recepcionista. Ele era negro, ela era loira, e nenhum dos dois ligava muito para o que a sociedade diz sobre ter e ser, e sobre viver como “manda o figurino” do teatro da vida moderna. Não eram hippies, não se apegavam a partidos políticos e evitavam grupinhos. A ânsia que aproximava a ambos era a vontade de fazer de suas vidas um benefício pra a existência de todos os planetas, o que não é possível quando se fica preso na politicagem matuta e infantil do reitor da universidade ou do presidente do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal era feliz, e se, para isso, como um excelente formando em mecânica, ele precisasse abrir uma pequena oficina suja de graxa no interior mais interior possível de Pernambuco, ele abriria. Se, para permanecerem juntos ela precisasse de se formar em medicina em Oxford ou qualquer outra dessas “grandes” universidades repugnantes, ela se formaria. Que bom, no entanto, que não seria preciso. Poderiam, até mesmo, viver rodando o país, fazendo uso de seus pequenos conhecimentos para levar a vida. Quem, afinal, disse que posses, que casa e cachorro, piscina e meninada são indispensáveis para a felicidade? E não eram pessoas alheias a tudo, embora pudessem parecer. Lili e Leleu eram bem mais atentos que a maioria. Isso porque se ligavam à outros detalhes, realmente fundamentais, que eu ou você não somos capazes de ver, pois só sabemos querer e reclamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lili, Eliza, mais precisamente, não havia terminado o segundo grau. E daí? E daí, nada. Não havia terminado e pronto. Qual era o problema? Isso não fazia dela uma pessoa menor. Muitos, no entanto, a viam dessa forma, como um cargo, como uma função, como uma maquinaria barulhenta que obedecia às ordens dos outros. Como o robô dos Jetsons que ficava na renomada “bal, bla, bla” empresa fulana-de-tal, e que era “claro”, facilmente substituível. Uma boa dose de auto-conhecimento, amor e força de vontade, no entanto, deixam na lama qualquer diploma. No mais, ela já preparava tudo para o dia em que iam ficar realmente juntos, para sempre juntos. Sonhava com o dia que iria trançar suas madeixas loiras no peito negro do amado, cansados no final do dia, felizes e satisfeitos com o simples fato de terem, mais uma vez, visto o sol nascer, ouvido o cantar dos pássaros e o latir dos cães e dado muito duro em suas funções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leleu, isto é, Leandro pensava como ela. Gostava muito do curso, mas o fazia só porque entender as variáveis dos seres máquinas e seus inúmeros elementais e seres viventes do mundo da ignição, das roldanas, porcas, manivelas e alavancas. Era como se fizesse, por exemplo, biologia, só que com as máquinas. No fundo, para ele, era a mesmíssima coisa. E era maravilhoso, também, ficar deitado no telhado com sua garota, olhando para o céu, sorrindo para aquele imenso moto-contínuo perfeito que girava psicologicamente sobre a cabeça dos amantes, dando a impressão da existência dos dias e das noites. Era um filósofo, e ela, a menina simples que atendia os telefonemas e usava malhas nas horas de folga, sua guia mis experiente, embora ela não pensasse nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As famílias de ambos também eram curiosamente complicadas. A mãe de Leleu achava que ele merecia coisa melhor que uma recepcionista, enquanto o pai dele se preocupava constantemente com as ânsias de vida do garoto, com suas tão peculiares ambições, e se lamentava pelo jovem não pensar de um modo “correto”, como ele. Enquanto isso, a mãe de Lili acreditava que ela devia agarrar aquele homem e não soltar mais, pois era sua oportunidade de vida. O pai não se importava muito, afinal, o menino tinha dinheiro. E no fim, era bem difícil dizer com precisão quem era pior, afinal, bem no fundo, por trás de um absurdo de preconceitos que nem sonhamos, pois somos dotados deles e os vemos como virtudes, eles apenas amavam suas crianças e queriam vê-las crescer bem. Uma situação naturalmente aceita, já que se tratava da prole de ambas as famílias. Para a mãe, a fêmea, afinal, tinha o macho que a protegia, e o ancestral, no caso de Leandro, via seu descendente seguir passos diferentes, e temia não sabia se a linhagem seria mantida com sua devida pompa, afinal, a força hoje é o ter mais até que o poder. Enfim, era tudo amor, mas equilibrado em uma tênue linha de instintos de procriação e perpetuação da espécie que são indignos para os seres humanos, mas que, afinal de contas, ninguém liga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que um dia partiram. Ele não retirou o diploma, não pensou nisso e nem soube por que. Apenas o fez. Concluiu o curso e pronto, deram as mãos, compraram um carro para lá de acabado, consertaram, reformaram e estilizaram e escreveram atrás “recém-nascidos”, se é que me entendem, amarraram latinhas irritantes, e foram embora buzinando, com alguns trocados no bolso e muita alegria no coração. Onde gostassem, parariam para ficar, mas tinham um roteiro que ninguém soube. O mundo podia acabar, a terra podia tremer, o que conhecemos hoje como sistema poderia finalmente ruir, e nos poupar mais alguns séculos de absurdos sofrimentos desnecessários, afinal, quando nada for como acreditamos, acima de tudo, o ser humano continuará sendo ser humano, e isso é o que importa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os netos de Leleu e Lili, se eles vierem, vestindo roupas simples, com famílias pequenas e organizadas, em uma amável comunidade local de onde eu não sei, darão continuidade à perpetuação do amor e da condição humana, e olharam par o céu com aquela deliciosa sensação de reminiscência, de que se está contemplando algo que já era belo há 1000 vidas, e pensaram no homem, na inteligência do universo e no seu reflexo divino em nossos trabalhos, e a nova era será de amor e paz depois que as águas de Aquário passarem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-5527153499168914566?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/5527153499168914566/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/04/aqurio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5527153499168914566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5527153499168914566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/04/aqurio.html' title='Aquário'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8194013076731093152.post-5833994302003464850</id><published>2008-04-05T03:04:00.002+02:00</published><updated>2008-07-02T09:40:36.776+02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Narrativas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Escaladores'/><title type='text'>Até o topo da montanha...</title><content type='html'>Os pés de Isadora eram mesmo lindos. Unhas vermelhas, branquinhos, pequeninos, passeando pelas pedras e pela relva naquelas sandálias marrons. Até pareciam deixar um rastro de fadas, ou de algo vivo, mas intangível, que era ao mesmo tempo belo e misterioso. Os tortuosos caminhos da montanha e os dias de caminhada não abalavam a docilidade dos passos da escaladora. Pareciam nunca se cansar aqueles pés. Chegariam ao topo voando, ou dançando. Não importava, nem havia dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já Victor, pisava firme, hora na frente de Isadora, hora atrás, sempre atento à menina, com um resistente tênis de caminhadas, se descalçando para subir em árvores e nadar em rios. Eram pés não muito grandes, com a cor escura dos indianos, pois Victor tinha mãe indiana. Eram determinados, guerreiros, de um verdadeiro &lt;em&gt;Kshatria&lt;/em&gt;. Houvesse o que houvesse, quem olhasse para aqueles pés saberia que iam chegar ao topo de mais uma montanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As línguas dos dois não eram as mesmas. Ele falava espanhol, e sua terra natal era a argentina. Era aquele idioma veloz, romântico, viril. Falava de um jeito meio brusco, mas seu jeito de ser combinava tudo, e transformava a fala do jovem em algo sempre amigável. Ele se comunicava bem, meio desajeitado, explicando tudo diversas vezes e gesticulando bastante. Ela achava graça e acabava entendendo o que seu parceiro dizia. Sua língua só parava para dormir ou para apreciar um ruído qualquer da natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isadora falava mansinho, fininho, baixinho, mas olhando bem firme. Não dava para não entender o que ela dizia. No máximo ela apontava para uma ou duas coisas, e então estava acertado. Ela sorria e iluminava tudo. Isa adorava o jeito exagerado de Victor. Não falavam o mesmo idioma, mas a língua dela acabava sendo a mesma da dele. Eram escaladores de montanhas, isso facilitava bastante, tinham os mesmos princípios. Os corações eram grandes, e do mesmo país, do país dos Escaladores de Montanhas, a terra dos Sonhos que tem um pedacinho reservado para cada ser humano sobre o Planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas mãos combinavam bastante. Eram os finos dedos de Isadora e a grossa palma de Victor. Sempre se puxando, sempre se ajudando. Já estavam acostumadas a se encontrar pelas tortuosas subidas. Isadora havia reparado o quanto Victor gostava de pegar em suas mãos, e Victor sabia que ela gostava do apoio prestativo que ele oferecia. Assim, firmes nos galhos, passeando, cozinhando ou apenas abraçadas, as mãos subiam o inclinado caminho dos Escaladores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ímpeto de seus corpos era o reflexo da vontade de suas almas. Se encontraram na encosta da mesma montanha por sorte ou força do destino. Foram mandados por mestres diferentes. Reconheceram a marca dos escaladores em suas roupas, sorriram e subiram. Passo a passo, trabalhando para sobreviver, sob sol e chuva, para amarrar suas bandeiras de superação no topo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de duas semanas, Victor e Isadora chegaram ao topo. Subiram numa árvore não muito baixa, não muito alta, e amarraram suas bandeiras, a dele, vermelha, a dela, amarela, no mesmo galho, entrelaçadas. Desceram e apreciaram a vista abraçados. Então seus dedos se entrelaçaram, seus corpos se apertaram e suas línguas se misturaram. Dali em diante, suas montanhas seriam sempre as mesmas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8194013076731093152-5833994302003464850?l=casadasmentiras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/feeds/5833994302003464850/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/04/at-o-topo-da-montanha.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5833994302003464850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8194013076731093152/posts/default/5833994302003464850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadasmentiras.blogspot.com/2008/04/at-o-topo-da-montanha.html' title='Até o topo da montanha...'/><author><name>Luiz Calcagno</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02866404146771517420</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='20' src='http://3.bp.blogspot.com/_NcCxKPfRBMM/STSpz2v1bpI/AAAAAAAAAEA/DGgcM4Dg6BA/S220/3.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
