Que chama lateja e queima?
Trepida sobre a pele trêmula e escorre.
Que chama vermelha de fricção,
Carne ferida, assada, engole?
Que chama dolorosa de amor?
Que amor pungente?
Que poder latente?
Que uma hora desperta,
E na outra adormece?
A febre fria das paixões,
A distância cândida da alma,
O trotar caótico das palavras,
Que chocam-nos contra as paredes.
Amor, amor, amor lascinante,
Lascera os olhos,
Faz brotar as lágrimas e derrubar estantes.
Essa dor profunda que faz nascer rebentos,
Que arranca almas do além,
Que devolve âmagos ao corpo físico,
Abandono da existência. Largo do mundo,
Raso ou profundo...
Ai amor louco de palavras loucas,
De palavreado duro,
De canções complicadas,
De ritmos, de festas, de velórios e alvoradas,
Amor da aurora, d'Estrela Dalva,
Amor de poesias, sem cargas pesadas,
Amor assim, simples, azul turquesa,
Nos quartos em reforma,
Nas camisas pintadas a mão,
Nos pés descalços emáquinas fotográficas,
Nas tardes de domingo.
Assim...
Simplesmente...
Amor.
sexta-feira, 26 de março de 2010
Cândida Distância
quinta-feira, 4 de março de 2010
Velharias
Poesias da antiga casa, que eu resolvi deixar aqui...
Richthofen
(Luiz Calcagno)
Mui bela és tua figura
Morte Ruiva se aproxima
Não te culpo pelos teus crimes
Em meu altar tu és rainha
Sei que é loucura minha
Morte Ruiva e estrangeira
Sei que é loucura minha
Meu amor é só besteira
Mas mesmo assim sonho
Contigo madrugada adentro
Imagino seus beijos quentes
Claudicantes, úmidos, lentos...
Imagino teu corpo branco,
Desnudo, trêmulo, culpado
Minhas mãos quentes passeiam,
Por terrenos nunca d'antes desejados
Morte ruiva e condenada
Richthofen tu és tão bela,
Solitária, poderia ser amada?
Seria meu peito tua eterna cela.
Melhor
Foi melhor pra mim,
Ou foi melhor pra você?
Não vou desistir assim,
Nem parar de beber.
Seus olhos são os melhores
Que alguém poderia ter,
Sinto saudades de tudo,
Não poderei mais viver...
Se foi tão bom assim,
Então foi melhor pra você.
Menina
Aquela voz estridente,
Que dá gastura na gente,
Aquele rosto fino,
Com cara de menino,
Pensando nas espinhas,
Que dão até nojo,
Naquele hálito de miojo,
naquele nariz inchado,
Pensando bem,
Acho que estou apaixonado
Shut Down
Maria nada via, só seguia,
E Edgar sozinho no solar,
Mais um amor terminava,
Mais uma gota no mar.
E doía tanto o coração,
Doía de não conseguir respirar,
Sem Maria, Edgar decidiu tudo,
Decidiu, pois, ia se desligar.
Não demorou pra correr a notícia,
Ele não estava mais no solar
Arrependeu-se então Maria Bela,
E como ele decidiu se desligar...
Profano - a paródia
Creio em mim mesmo,
Nada poderoso,
Criador de minha realidade,
E em meu coração egoísta e pagão,
Que foi esfaqueado, esmagado e espalhado.
Creio na minha batalha,
Creio em John Lenon,
Na comunhão dos sexos,
Na epifania dos meus pecados,
Na putrefação da carne,
Na vida enferma,
Ah, nem...
Pontada...
Esse lance de lança,
No meu amargo coração,
Está incomodando tanto,
Estou cheio de preocupação.
Esse lance todo de guerra,
Toda essa decepção,
Está lançando no mundo,
Uma onda de depressão.
Mas deixe de brincadeira,
E desse alvoroço gigantesco,
Será que você não entende,
Lança no dos outros é refresco.
Cara de cicatriz
O ferimento não fechou...
Eu é que absorvi.
Eu devoro as cicatrizes,
Que o tempo esqueceu aqui.
Maria Déia e Virgulino Ferreira
Senhora Maria Déia,
Esposa de Zé Neném,
Filha de Maria Joaquina,
Não era Maria ninguém.
Maria de Malhada do Caiçara,
Com certo cangaceiro fala
E vai ser na porta do rifle,
A mais doce e certeira bala.
Dona Maria Bonita,
Maria do Capitão,
Maria Gomes de Oliveira,
Maria de Lampião.
Onze mais três
Onze chances tivemos,
Onze vezes erramos,
Onze horas perdemos,
E ficamos aqui orando.
Onze dias se foram,
Onze dos nossos morreram,
E depois das onze da noite,
Onze garrafas bebemos.
Onze foram as vezes
Que tentaram me avisar,
Que aquelas onze pessoas,
Naquelas onze semanas,
Por onze deuses e onze diabos,
Iriam me exterminar.
Meretriz
Recebi um e-mail seu,
Com palavras duras e muito cruéis,
Uma verdadeira condenação,
Além de me proibir de voltar,
Além de me encher de aflição,
Me mandou pagar a conta,
Do seu vendido coração.
Três Versos
Errei por diversas vezes,
E errei mesmo, sem parar,
Por nada que tentasse me deter,
Continuei ignóbil, a errar.
De tanto errar uma hora acertei,
Por perseverar, por não desistir,
Por nada que tentasse me obliterar,
Não queria nunca deixar de existir.
Assim resumo meu amor por você,
Minha alma e meu golpe perverso,
Só fiz porque achei que merecia
Uma trilogia de versos.
Ela
Sob o seio do abatimento,
Anônima beleza,
Vejo a partida dela,
E percebo com destreza,
Que ela foi embora,
Só pra me causar tristeza.
Passos mitológicos
Numa casa abandonada,
Numa estrada estranha,
No passado da humanidade,
No fundo de um velho baú,
Cuja visão infundiria,
Saudade, lembrança, romaria,
Desejo, memória, nostalgia,
Encontrei minha ancestralidade.
Era tal a idade,
Daquela máscara vermelha,
Que me servia qual uma segunda pele,
Que me revelava um história,
Que somente em torno da fogueira,
O bisavô de meu tataravô Pereira,
Dançando e erguendo poeira,
Me ligaria a um antigo Deus.
Quando minha Mãe me disse adeus,
Fiquei só comigo mesmo,
E encarei a jovem figura,
No espelho da parede,
Tive de devorar meu medo,
De um engano que era ledo,
E roubar o meu segredo,
E lutar e escapar caverna.
Foi mancando de uma perna,
Que consegui vencer a luta.
Quebrou-se então a velha persona,
E minha face revelou,
Com a graça das ariranhas
Do mais profundo de minhas entranhas,
Sob formas deveras estranhas,
Um coração sem nenhum receio.
Não era produto do meio,
Vindo do próprio Hades,
Era um épico trajeto,
De árdua caminhada.
Foi então de força bruta,
Sob o suor da labuta,
Que a minha história foi fruta,
Do nascimento do Ser.
Desilusão
A casa era pequena,
O caso era confuso,
A moça fazia cena,
O retrato era difuso.
O rapaz se aproximava,
Com seu olhar intruso,
A menina que o observava,
Vestia uma moda em desuso.
Isso foi numa espelunca,
Numa cidade distante,
Depois sobre a luz da Lua,
Tornar-se-iam amantes.
Ele seria fotógrafo,
Ela seria bióloga,
Estudariam psicologia,
Nas suas horas de folga.
Teriam uma criança logo,
A vida seria colorida,
Num altermundo distante,
Bem longe de nossas vidas.
Seriam felizes para sempre,
Como nos contos de fada.
Até que bombas atômicas
Arrancassem suas asas.
Tudo terminaria deserto,
Sem cão, sem árvores nem nada.
Então o futuro seria incerto,
Sem cornetas na alvorada.
Sob a luz laranja do Sol,
Não haveria museu, não haveria espada.
Nem canção mais haveria,
Muito menos essa poesia.
Só restariam solitárias estradas.
Sob a luz laranja do Sol,
Não restaria mais do que um triste nada...
O mentiroso
O meu cartão de visitas,
Nunca foi muito bem vindo,
Não é o Pão de Açúcar,
Nunca será o Pelourinho,
O meu cartão de visitas,
É uma porta fechada,
Para todos os românticos,
Para o coração da amada.
O meu cartão de visitas,
É um cerrado punho direito,
Com um anel grande no dedo,
Sou o valentão perfeito.
O meu cartão de visitas,
É uma mentiraiada,
Sou um pobre romântico,
Desses que não valem nada.
Repórter fotográfico
Depois do atropelamento,
O jornalista se aproximou,
Tomou a vítima nos braços
Abraçou a jovem e olhou.
Foi beijado e retribuiu.
Com toda obediência.
Sem saber daquele beijo,
Qual era a procedência.
Loucura
Ela riscava com os finos dedos
Ladrilhos embaçados pelo calor.
A jovem guardava consigo segredos,
Invenções e desventuras, verdades e medos,
Ela não tinha em seus auspícios,
Que aqueles ladrilhos do quarto,
Naquela sala vazia,
Eram os azulejos do hospício.
Pelo corpo de Estela
Dedo mirando o céu,
Apontando para as estrelas.
Dedos de ternura,
Na ponta do nariz dela.
Dedos de ousadia,
No meio de das pernas de Estela.
Gritos atrás da porta,
Pelos meus simples gestos.
Palavras de rude paixão,
Bebendo seu caldo indigesto,
Dedos pelas suas costas,
Nunca fui muito honesto.
Bandoleiro sorrindo sozinho,
Vida de alvoroço.
Ela é minha Estela,
Mordendo o meu pescoço.
Nunca fui muito bonzinho,
Brincando com o seu corpo.
Deitado em berço esplêndido,
Te amando até o osso.
Perdido
Abro os olhos,
Com Maria.
O coração dispara.
Menina voluptuosa,
Acorda sorrindo para mim,
Com seus olhos azul céu,
Seus lábios negro asfalto,
Seus dentes de paralelepípedos,
E sua pele friorenta.
Essa é minha Maria,
Essa é Maria Sargeta.
Nascido das trevas
Mundana, insana,
Sem pano algum no corpo,
Seguindo, chorando,
Sem pudor algum no rosto,
gozando, sangrando,
Ela geme em alvoroço.
Foi um dia tão inocente,
Menina, criança, gente.
Hoje, amante gentil,
Vampira, leoa, serpente.
Veio revirar meu mundo,
Obliquo, a nada inerente.
Mostrei a ela o caminho,
A trilha pagã da salvação.
Tomei dela a pureza,
Sorrindo e gemendo uma cação.
Que os demônios de nosso belo cosmo,
Abençoem essa prevaricação.
O ventre dela preenchido,
Completa a nossa crucificação.
Nasceria daí um rebento,
Ânsia da vida e da incompreensão.
Ela foi virgem, pura menina,
E ressuscitada como Dragão.
Apocalipse
O carpinteiro trabalhava
Curvas indeterminadas.
Uma amante de madeira
Com seios e alma talhada.
Mas a plasmação da noiva,
O univerço tolia.
Eram formas idealizadas,
Por uma vida atormentada.
Então em acesso de fúria,
Ele cedeu marteladas truncadas,
A a estátua futura,
Chorou pela face lascada.
Quebrou-se deixando a sombra,
De uma beleza esmerada.
E fez para todos a falta,
de uma existencia encerrada,
Cuja presença não esteve,
em nós jamais aclarada.
Cerragens de realidade,
Em uma iluzão revelada.
Capelo
Vôo com minhas asas,
Asas que Deus me deu.
Vôo com minhas asas,
No infinito céu.
Inclino, levanto, rodopio,
Com o sol e o seu calor.
Vôo com as asas da alvorada,
Os caminhos de meu mentor.
Vertiginosamente vôo,
Vôo para o amanhã.
Alçando vôo, os sonhos,
Gaivota de esplendor.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Destino Certo
(Luiz Calcagno)
O sol encontra a noite,
No último segundo,
Ele quer beijar a Lua,
Em extase profundo.
Em plena agonia,
A Lua que se põe,
Vê nascer heróico Sol,
Remoto leste que se opõe.
E enquanto ele se parte,
E se vai contra a vontade,
Ela sente pleno em peito,
Dor de fogo que lhe invade.
Ele pinta o horizonte,
o crepúsculo da amada,
E deixa a linha que divide,
A distância encantada.
Ela sempre se transmuta,
Nessa dança do destino,
Cheia, curva, alva, negra,
Ela some em desatino.
Ai do Sol viver a Lua,
Pobre Lua que quer Sol,
Dois amantes, um umbral,
Se fitando em caracol.
Corpo e alma, eternamente,
Esse duplo é admirável,
Se fizessem minha'vontade:
Beijo pleno e incansável,
Nasceria então o filho,
Que o destino desejou.
O seu leito seria a nuvem,
Fecunda estrela do amor.
II
Dente de Leão
(Ao meu amigo Denny)
A vida é dente de leão.
Que parte carne,
Que rói músculo,
Que corta a respiração.
Osso canino atroz,
Faca sagaz afiada,
Conjunto de presas mortais,
Que ceifa a vida veloz.
A vida é dente de leão.
Suave, brando, delicado.
Eu toco, eu ergo, eu sopro,
Ele se desfaz em imensidão.
A vida é dente de leão.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Quase uma erupção vulcânica
Ela tinha cólicas. Ele passou o olho pelo site, clicou em cidades, correu brevemente pelas notícias subindo e descendo a tela. Ela colocou o absorvente na calcinha e se vestiu. Ele minimizou a janela e entrou novamente no bloco de notas. Um helicóptero passou do lado de fora. Parecia próximo. Uma sirene na rua. Ele colocou os dedos sobre o teclado e olhou para a tela como quem olha para um papel em branco. Iniciou mais uma história. Apagou tudo. Ela saiu do banheiro e acendeu a luz do quarto. O sutiã estava sobre a cama. Ela o vestiu e colocou uma blusa. o quarto era iluminado pelo banheiro. Ela apagou a luz e ficou no escuro. O apartamento parecia completamente vazio. O prédio parecia completamente vazio. As ruas pareciam completamente vazias. A cidade parecia completamente vazia. O estado parecia completamente vazio. O país parecia completamente vazio. A Terra parecia completamente vazia. A mente de Buda. Marte! Uma supernova nos confins do universo. Ele começou a escrever uma poesia. Olhou pela janela. As luzes apagadas. Somente o computador iluminava o escritório. Os braços magros contorciam complexos nervos que em um sistema quase perfeito forjado pelo próprio acaso fazia com que os dedos transmitissem ao computador a mensagem que o cérebro enviava. "Se eu fosse Peter Pan". "Cinquenta cents e uma pá". "A impiedade da rocha". "A fragilidade do coração". Deleteeeeeeeee... Tudo de novo. Passos na escada. Uma fresta de luz por baixo da porta. Uma fechadura. Escuridão. Batida. Ela saiu. Ele ficou escrevendo. Começou novamente. O elevador soou. Lá fora tudo era claro. O próprio destino era claro. Era luta. Era vontade. Ele levantou-se. Seu lóbulo direito doía. Períodos curtos, era o que o editor havia falado. Tudo tão simples quanto um grunhido. E quando tivesse tudo ao alcance, não teria nada. Ele endireitou-se na cadeira. Pensou em beber. Pior que beber e dirigir é beber e escrever. Homens das cavernas. Lembrou-se. Neandertais. Seu coração batia forte, acelerado. Um trem de carga. Um vagabundo iluminado. Um trem de feno. Cowboys atiram para o alto. Correm em seus cavalos. Uma aventura galáctica no velho-oeste. Tudo é galáctico para quem vive aqui. Moramos na Via Láctea. Na via do leite da vaca cósmica, que escorre. Uma viagem de bilhões de anos na velocidade da Luz. O plano de Deus, a evolução, e só. Sem pernas decepadas, tetraplergia e mães e irmãos assassinados. Tudo isso é culpa deles. Dos homens. Deus só tem um plano: e-v-o-l-u-ç-ã-o. Darwin é meu pastor... As letras vão surgindo novamente. Será que a alma que comanda océrebro, que comanda o braço, que comanda as teclas, que comanda a CPU, que comanda os elétrons do monitor, será que a mente que comanda os elétrons acertou dessa vez? Não. Uma página inteira deletada. O tempo é relativo. Ele riu. Piadas de redação. Escândalos políticos. Estava cada vez mais medíocre. Escrevia cada vez pior. Cada vez menos. Mas acreditava em si. Em nome do parlamento. Que caia uma bomba atômica sobre a Câmara Legislattiva se o narrador estiver mentindo. Era uma erupção vulcânica. Sem precisão. Ele começou novamente. O celular tocou. Ela estava no banco de trás do taxi. Liguei para me despedir. Não quis atrapalhar. Ele digitou aquelas palavras em silêncio. The Song Remains The Same - 5:30. Como está o trabalho? Médio. Estou no prazo. Que horas você volta? Não sei. "TIGER, tiger, burning bright In the forests of the night, What immortal hand or eye Could frame thy fearful symmetry? In what distant deeps or skies Burnt the fire of thine eyes? On what wings dare he aspire? What the hand dare seize the fire?"(Blake). Você está sempre no prazo. Eles riram. O coração estava cheio. Um beijo longo em algum dia de um passado recente. A terra tremeu e engoliu as vidas. Um coração partido. Mil corações partidos. Cem mil corações partidos. Dedos, brita e concreto. Concreto demais. O que está acontecendo com o mundo, que nada acontece? Você pensa demais. preciso continuar isso aqui. Está no meio do texto? Nem no começo. Mas tive uma idéia. Aproveite. Aproveite. Amo você. Idem. Beijo. Beijo. Tudo estava quente e bom. O mundo é muito grande. Ele começou novamente. Over The Hills And Far Away - 4:50. Os dedos vacilaram novamente. Será que deveria voltar a algo antigo? ainda não. Venceria? Sim. Ainda não. Um suspiro antes da queda. Um mergulho. Suicídio. assassinato. Palavras, palavras, apenas palavras. Palavras o suficiente para encher um grosso periódico diário. Meio de comunicação. M-e-i-o-d-e-c-o-m-u-n-i-c-a-ç-ã-o. Um meio para se comunicar. O ar. Muitas vezes, o ruído é a própria alma. Como dizer tudo? Não havia verdade nas notícias. Eram muitas mortes, muita tragédia, muita gente, fezes demais. Morte, Peste, Guerra, Fome. Foco, concentração. Poesia. Beirut, Irã, Luanda, Angola, Haiti. Eles compravam navios negreiros e então libertavam os negros. A primeira nação livre da América. Será que uma poesia...? Não. Nada de poesias. Apenas silêncio. Os dedos corriam alucinados como cavalos de corrida. As letras surgiam istantâneas na tela. Frururururururu. Frurururuurur. Frururururururuur... A testa franzia. Expressões subconscientes. Um milênio de silêncio. Adeus. Ele desligou o monitor. Ela desceu do carro. Ele acendeu a luz da sala. Voltou ao escritório, aumentou o som e pegou o texto na impressora. Pronto. Uma merda. mas dava para enganar. Ao menos até a próxima semana. Serviria, gostariam, estava melhor do que imaginava. Pensando bem, não era tão mal assim. Uma garrafa de suco de laranja. Gomos corriam pela garganta. Frescor e cheiro do vitamina C. Um barulho de fechadura. Você voltou, tão cedo?! The Ocean - 4:31. Ela sorriu, deixou a bolsa no sofá. Ela o abraçou. Eles se beijaram. Aquele alento. Me faça parar de tremer... Não.